Sema articula soluções para reduzir lixo no mar e poluição por resíduos na Bahia

Publicado: 06/10/2026 Última atualização: 06/10/2026 às 17:21
Sema articula soluções para reduzir lixo no mar e poluição por resíduos na Bahia
Foto: Matheus Lemos/ASCOM

De onde vem o lixo que chega ao mar e quais soluções já existem na Bahia para evitar que resíduos alcancem rios, estuários, praias e manguezais? Essas são algumas das questões discutidas nesta terça-feira (06), durante reunião do Grupo Focal da Rede Oceano Limpo na Bahia, que reúne instituições públicas, academia, sociedade civil e setor privado para construir estratégias de prevenção e redução da poluição marinha.

Realizado de forma virtual, o encontro contou com a participação da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema) e avançou na construção de um Cardápio de soluções, que pretende mapear experiências, projetos e oportunidades para enfrentar a poluição causada por resíduos, especialmente plásticos. A iniciativa considera as diferentes realidades do território baiano e busca identificar ações com potencial de fortalecimento, adaptação e replicação em outros municípios.

O trabalho dá continuidade à parceria entre o movimento liderado pela Cátedra da Unesco para a Sustentabilidade do Oceano e a Sema, iniciada em 2022 para construir uma estratégia de enfrentamento ao lixo no mar na Bahia. Em setembro de 2024, foi lançado um documento com o mapeamento e análise de estratégias acerca das políticas públicas para enfrentamento do lixo do mar no estado.

Durante a reunião, a Rede Oceano Limpo apresentou ainda um dashboard em desenvolvimento para organizar e facilitar o acesso às informações produzidas pela iniciativa. A plataforma terá uma visão nacional, com leituras específicas por estado, e poderá reunir dados sobre iniciativas, como município, instituição responsável, abrangência territorial e situação das ações, além de links para documentos e projetos. A proposta é permitir também que as instituições contribuam diretamente para a atualização da base.

“É um projeto piloto que ainda está em construção. A ideia é que cada estado tenha sua própria leitura territorial e que a plataforma não seja apenas um levantamento de informações, mas também um espaço em que os atores possam contribuir e alimentar esse conteúdo. Queremos construir juntos quais informações são mais importantes para apresentar sobre a Bahia”, explicou o consultor e gestor de projetos da Cátedra da UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano, Leandro Santos.

Outro marco da atuação da Sema na agenda ocorreu em abril de 2023, com o lançamento de um documento com compromissos da Secretaria para a proteção do meio ambiente marinho e ecossistemas costeiros. Entre as medidas previstas estão a articulação para remoção de resíduos de praias e ilhas, ações de mobilização e sensibilização da população e o apoio à criação e ao desenvolvimento de cooperativas e outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis.

Para o diretor de Política e Planejamento Ambiental da Sema, Tiago Porto, o trabalho do Grupo Focal contribui para aproximar experiências desenvolvidas em diferentes territórios e identificar soluções adequadas às características de cada região.

“Enfrentar o lixo no mar exige uma atuação articulada, porque os resíduos percorrem diferentes territórios e estão relacionados a desafios que envolvem desde a geração e a destinação até a chegada aos rios, estuários e ambientes costeiros. O trabalho do Grupo Focal contribui justamente para aproximar essas experiências e identificar soluções que possam ser fortalecidas e compartilhadas”, disse.

A atuação da Sema na Rede Oceano Limpo também inclui a elaboração do diagnóstico situacional e ações de redução e reaproveitamento de resíduos, como o programa Ecofolia Solidária, realizado durante o Carnaval. A iniciativa fornece equipamentos de proteção individual aos trabalhadores e remunera o volume de materiais recicláveis coletados. No ano passado, foram reaproveitadas 177 toneladas de materiais.

A construção do Cardápio de soluções e do dashboard amplia esse processo ao organizar informações sobre iniciativas e políticas públicas relacionadas ao enfrentamento do lixo no mar. A proposta é facilitar o acesso a experiências desenvolvidas nos diferentes territórios e identificar aquelas que podem ser fortalecidas ou replicadas, atuando desde a prevenção da geração de resíduos até a coleta, destinação, reaproveitamento e retirada de materiais dos ambientes costeiros.

Fonte
Texto: Matheus Santana/ASCOM
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