2 de Julho: IPAC investe na preservação da memória da luta pela Independência do Brasil na Bahia

02/07/2025
Fernando Barbosa

 

O 2 de Julho é mais do que uma data cívica no calendário baiano: é um marco de resistência, pertencimento e orgulho de um povo. Há quase dois séculos, esse capítulo fundamental da história do Brasil é celebrado pelas ruas de Salvador em um cortejo, reconhecido oficialmente, desde 2006, como patrimônio imaterial do estado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA).

 

O cortejo mobiliza gerações, renova tradições e fortalece identidades. Para contribuir com a salvaguarda desse bem imaterial, o Ipac investe em políticas públicas para garantir a continuidade dessa manifestação popular, que rememora a luta pela independência do Brasil na Bahia.

 

Além de registrar e inventariar o cortejo, o IPAC apoia ações que mantêm viva a memória da Independência. Em Cachoeira e São Félix, o Inventário dos Lugares de Memória identifica patrimônios e documentos sobre a participação das cidades no movimento. Em Caetité, o Repositório do 2 de Julho reúne mais de 300 registros, entre documentos, fotos e relatos, disponibilizados também em formato acessível. Em Salvador, o inventário dos “Viados de Fanfarra” documenta a presença de jovens e artistas LGBTQIAPN+ que participam do cortejo com fanfarras, bandas e performances, reconhecendo essa expressão cultural no Largo do Rosário.

 

Cortejo do 2 de Julho
Afoxé Filhas de Gandhy participa do cortejo do Dois de Julho. Foto: Fernando Barbosa/Ipac

O Afoxé Filhas de Gandhy mantém oficinas, rezas, ensaios e apresentações que integram o cortejo, reunindo mais de 50 percussionistas e preservando cânticos, saberes e ritmos ligados à ancestralidade. Em Itacaré, o inventário sistematiza relatos e pesquisas sobre a presença do município no 2 de Julho. Já em Saubara, o projeto “Se 2 de Julho morrer, o que será de nós?” resgata a história local por meio de publicações, documentários e debates. Todas essas ações são fomentadas por editais como a Lei Paulo Gustavo e a PNAB.

 

Em Salvador, a programação teve início logo cedo com a alvorada de fogos no Largo da Lapinha, onde ocorre o hasteamento das bandeiras e a concentração popular. Em seguida, o cortejo cívico parte da Lapinha, conduzindo o Caboclo e a Cabocla, símbolos da luta pela Independência, percorrendo bairros históricos até chegar ao Campo Grande. Ao longo do trajeto, acontecem paradas em pontos tradicionais para homenagens, acompanhadas por fanfarras, filarmônicas, grupos de afoxé, blocos afro e comunidades populares. A programação se encerra no Campo Grande, com o encontro de filarmônicas e cerimônias finais em homenagem aos heróis e heroínas do 2 de Julho.

 

Nos próximos anos, a data pode se tornar ainda mais especial. Em vídeo publicado em seu Instagram, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que propõe transformar o 2 de Julho o Dia Nacional de Consolidação da Independência do Brasil. Ao justificar a proposta, Lula destacou a importância histórica da data: ‘“É verdade que Dom Pedro fez o grito da Independência, mas pouca gente sabe que foi no dia 2 de julho de 1823 que os baianos conseguiram fazer com que os portugueses voltassem para Portugal definitivamente”, afirmou. 

 

Para o diretor geral do Ipac, Marcelo Lemos, a celebração deste ano ganhou ainda mais relevância com o envio do proejhto de lei pelo Governo Fewderal. "É uma reparação histórica. A consolidação da Independência do Brasil acontece na Bahia com a força do povo e não de forma burocrática péla aristocracia. O reconhecimento nacional é o reconhecimento de um aluta do povo brasileiro pela sua liberdade, nas ruas, com mobilização popular".

 

Alexa Santa Rosa/Ipac