Museu de Arte da Bahia: mais de um século de história dedicados à preservação da cultura baiana

22/07/2025
Divulgação

Primeira instituição museológica de arte da Bahia, o MAB reúne em seu acervo preciosidades que contam a história do estado e se mantêm vivas no imaginário.

 

Por Alexa Santa Rosa / Ascom Ipac


O Museu de Arte da Bahia (MAB) é muito mais do que um espaço de exposição: é um importante centro dedicado à preservação das artes e das tradições que moldaram a identidade do povo baiano. Vinculado ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), órgão da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), o museu é o mais antigo do gênero em funcionamento no estado e também um dos mais importantes do país.

Criado inicialmente como Museu do Estado, o MAB surgiu com caráter enciclopédico, reunindo peças históricas, etnográficas e científicas. Fundado em 23 de julho de 1918, o museu funcionava como uma extensão do Arquivo Público, abrigando registros e objetos que ajudavam a compreender a história da Bahia desde os primeiros séculos de colonização. Coube ao historiador Francisco Borges de Barros a missão de organizar o acervo e lançar as bases do que viria a se tornar um dos mais respeitados museus do Brasil.

Entre as décadas de 1930 e 1950, o MAB se fortaleceu como espaço de fomento à arte e à cultura, incorporando importantes coleções. Um marco dessa fase foi a aquisição da coleção de artes decorativas do ex-governador Góes Calmon, que trouxe ao acervo peças de mobiliário, pratarias, porcelanas, cristais e esculturas sacras de grande valor histórico.

A trajetória do museu também é marcada por mudanças de endereço. Antes de ocupar sua atual sede no Corredor da Vitória, o MAB funcionou em prédios como o Solar Pacífico Pereira e o Palacete Góes Calmon, símbolos arquitetônicos da capital baiana. Foi apenas em 1982 que o museu se instalou no edifício neocolonial onde permanece até hoje, aberto ao público como um importante ponto de visitação, estudo e pesquisa.

Pacto de nação

De acordo com a historiadora Camila Guerreiro, assessora da Diretoria do Museu, o MAB nasceu dentro de um contexto de construção de um projeto de nação. “Ele é um dos dez primeiros museus do Brasil e surge nesse momento do início do século XX em que novas narrativas precisavam ser criadas para o país pós-Proclamação da República. Assim, os governantes da época reuniram o que acreditavam ser essencial preservar para as futuras gerações”, explica.

O museu nasceu com três principais seções: etnologia, numismática e história. “A partir de 1931, a Pinacoteca do Estado, com mais de 150 peças do médico inglês Jonathas Abbott, é incorporada ao MAB. Entre elas, obras de importantes artistas da Escola Baiana de Pintura. Isso marca o início de um compromisso com o registro da produção artística local”, acrescenta.

Para a historiadora, o MAB guarda aquilo que o povo baiano produziu como arte ou considerava arte em diferentes épocas. “Temos porcelanas que eram utilizadas no cotidiano, mobiliário fabricado na Bahia, com forte influência colonial. Agora, o desafio é reinterpretar esse acervo com novas linguagens e conceitos que dialoguem com o presente. ” Por isso a relevância do museu como um espaço vivo, em constante diálogo com o presente e o futuro. 

“Você vem ao MAB para descobrir o seu passado, mas também para pensar o seu projeto de presente e de futuro. Ele tem uma relação íntima com o povo da Bahia. O acervo de Carybé, por exemplo, retrata exatamente isso: o povo da Bahia, o povo de Salvador. ”

Acervo

Atualmente, o MAB reúne aproximadamente 20 mil obras que atravessam séculos — de pinturas e esculturas a gravuras, mobiliário, porcelanas e documentos raros. Além disso, abriga uma biblioteca com mais de 12 mil volumes e promove exposições temporárias, cursos, palestras, oficinas, exibições de filmes e atividades educativas. 

Em 2019, o reconhecimento do trabalho do Museu de Arte da Bahia se concretizou com a concessão do Diploma e Medalha de Mérito Museológico, uma homenagem do Conselho Regional de Museologia à relevância da instituição para o país.

Contar a história do MAB é também reconhecer a riqueza cultural da Bahia. E, ao longo desta semana, o IPAC convida o público a acompanhar uma série de cinco matérias especiais que celebram esse importante legado, trazendo curiosidades, bastidores e destaques de um acervo que mantém viva a arte e a história da Bahia. A próxima matéria vai mergulhar nas curiosidades sobre o museu, revelando detalhes pouco conhecidos que fazem parte da sua trajetória.