O Museu de Arte da Bahia (MAB) sediou importantes exposições que ajudaram a contar a história da arte e da cultura da Bahia e do mundo.
Por: Alexa Santa Rosa
Em celebração aos 107 anos do MAB, a reportagem da série comemorativa revisita algumas das principais exposições que marcaram a história recente do museu, fundado em 1918 (oficialmente em 23 de julho) e atualmente instalado no Palacete das Mercês, no Corredor da Vitória. Ao longo de mais de um século, o museu mais antigo da Bahia se firmou como espaço de exposições relevantes e ponto de encontro entre artistas, pesquisadores e público, fortalecendo o diálogo entre arte, cultura e memória.
Entre as mostras mais emblemáticas, merece destaque a exposição internacional “Rodin, Esculturas e Fotografias” (2001). A mostra reuniu 20 obras do francês Auguste Rodin (1840–1917) vindas do Museu Rodin, em Paris, além de sete obras da Pinacoteca de São Paulo e 60 reproduções fotográficas. Com obras datadas entre 1874 e 1970, incluindo “O Pensador” e duas maquetes da “Porta do Inferno”, a exposição atraiu mais de 54 mil visitantes. Após o evento, o Governo da Bahia adquiriu quatro peças de Rodin que hoje integram o acervo do MAB.
Outra exposição marcante foi “Os brinquedos que moram nos sonhos – o brinquedo popular brasileiro” (2012). Inaugurada em 9 de dezembro daquele ano, a mostra apresentou cerca de 1.500 brinquedos da cultura popular brasileira, entre bonecas, carrinhos, bichos de pelúcia e jogos. Dividida em salas temáticas e com atividades educativas e visitas monitoradas, a exposição estimulou a memória afetiva e reflexões sobre temas como industrialização, publicidade e gênero no universo lúdico.
Em 2023, o museu homenageou um dos grandes nomes da música popular brasileira com a mostra “Mancha de dendê não sai – Moraes Moreira”. A exposição teve como objetivo proporcionar uma imersão sensorial na trajetória artística do cantor e compositor, destacando sua relação afetiva com a Bahia e com a cultura popular. “O MAB foi um grande parceiro no lançamento nacional da exposição sobre um dos principais cantores e compositores brasileiros. Juntos, recebemos aproximadamente 25 mil pessoas em uma das principais visitações do espaço. Vida longa ao MAB”, celebrou Fernanda Bezerra, diretora da Maré Produções, responsável pela mostra.
No ano seguinte, em 2024, o MAB sediou a exposição “Armorial 50”, em comemoração aos 50 anos do Movimento Armorial, idealizado por Ariano Suassuna. Com mais de 140 obras de artistas como Francisco Brennand, Samico, Elifas Andreato e o próprio Suassuna, a mostra destacou a riqueza da cultura popular nordestina. “O público se encantou com a proposta e com a riqueza das obras apresentadas." lembra Celene de Sousa, museóloga do MAB.
Atualmente em cartaz, a exposição “Carybé e o Povo da Bahia” homenageia o artista argentino-brasileiro por meio de mais de 300 obras — entre desenhos, gravuras e pinturas — que retratam o cotidiano, a religiosidade e as manifestações populares da Bahia.
Com curadoria de professores da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Universidade Federal da Bahia Ufba) e servidores do museu, a mostra propõe uma nova leitura da obra de Carybé, valorizando as festas populares, identidade baiana e trabalhadores anônimos. Os desenhos em nanquim da Coleção Recôncavo, encomendados por Anísio Teixeira, ganham destaque por ilustrar cenas da vida em Salvador com o traço ágil e expressivo que marcou a trajetória do artista.
Com mais de quatro décadas dedicadas ao MAB, a museóloga relembra outras exposições marcantes na trajetória da instituição a exemplo de "'Bahia, África Bahia', 'O Leque e Seu Tempo” “Labirinto da Moda” e “A Carta de Pero Vaz de Caminha”, 'mostras que atraíram um público diverso e reafirmaram o MAB como espaço vivo de cultura e memória.
“Cada exposição em si traz um contexto diferente, atingindo diferentes públicos e o MAB, nesses últimos 10 anos, abriu-se para a chegada de um público diferenciado, aproximando mais as pessoas, tirando delas o conceito ou preconceito de que era um museu elitista. Novas atividades foram introduzidas, e com isso o chamamento cada vez maior de pessoas”, disse.
Na próxima matéria da série especial, vamos apresentar o novo conceito do Museu de Arte da Bahia, que visa transformar a experiência do visitante e consolidar o MAB como um espaço ainda mais dinâmico e conectado com as tendências contemporâneas da arte e da cultura. Fique ligado!