Programação começa na quinta-feira (23) com debates, oficinas, exposições e apresentações culturais, que destacam saberes, tradições e desafios da
preservação cultural
A 2ª edição da Casa do Patrimônio será uma das atrações da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) 2025, com uma programação dedicada à celebração e ao debate sobre o patrimônio cultural do Recôncavo Baiano. Entre os dias 23 e 25 de outubro, oficinas, seminários, mesas-redondas e apresentações artísticas vão movimentar o espaço, sediado na Casa do IPHAN em Cachoeira.
Com investimento de R$250 mil, a iniciativa é uma parceria entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA).
Com o tema “Casa do Patrimônio no Recôncavo é Massa”, a ação dialoga com o conceito central da Flica 2025, aproximando comunidade e visitantes da temática da educação patrimonial e valorizando os patrimônios materiais e imateriais da região.
A programação tem início na quinta-feira (23), às 15h, com a mesa-redonda “Desafios e Perspectivas para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Baiano”, que contará com a participação do diretor-geral do IPAC, Marcelo Lemos, e representantes do IPHAN, ICMBio e da Secretaria de Cultura de Cachoeira. Às 17h, a cantora Ana Paula Albuquerque encerra o primeiro dia com o show “Tributo aos Tincoãs”
Capoeira e saberes tradicionais
Na sexta-feira (24), haverá oficina de delimitação da área tombada de Cachoeira, atividade que se repetirá ao longo da programação de sábado (25), reforçando o papel educativo das instituições na preservação do patrimônio cultural.
Os debates ganham destaque com a mesa “Capoeira como Patrimônio Vivo”, às 14h, abordando o protagonismo feminino e as ações voltadas para a salvaguarda da capoeira na Bahia. Em seguida, será lançado o álbum “Ela é mulher Capoeira”, o primeiro álbum musical desse segmento no estado, produzido por um grupo de mulheres capoeiristas
A tarde segue com o Encontro de Saberes “Biriba é Pau, é madeira, biriba é pra plantar”, projeto executado pela Associação Quilombola Guaipanema, Universidade Federal da Bahia (UFBa), IPHAN e ICMBio, que conecta tradição e sustentabilidade em comunidades quilombolas de Maragogipe. O dia se encerra com apresentações culturais de comunidades da RESEX Marinha da Baía do Iguape, entre elas o Samba de Roda Raiz do Boqueirão Filho de São Francisco.
Museus e políticas públicas
O sábado (25) coloca a política de museus no centro dos debates. As 10h, o ICMBio, IPHAN, pesquisadores e mestres do saber tradicional local participam da mesa redonda "Saberes e Práticas dos Povos das Águas da Baía do Iguape, onde promoverão um diálogo sobre o andamento do projeto de inventário cultural das populações tradicionais protegidas pela RESEX Marinha da Baía do Iguape, de iniciativa do ICMBio Após a mesa redonda, às 12h, a apresentação do grupo cultural Os Mascarados de Maragogipe.
Às 13h30, a Oficina de Delimitação da Área Tombada retoma o foco na educação patrimonial. Às 16h30, a mesa sobre “Políticas de Museus” discute desafios e perspectivas interinstitucionais. O objetivo é promover o diálogo entre as distintas esferas de gestão museológica (federal, estadual, municipal e privada) a fim de debater políticas públicas, fomentar articulações e desenvolver estratégias que fortaleçam os museus como espaços essenciais para a memória, educação e promoção da cidadania.
O encerramento, às 18h, será marcado pela apresentação “O Rodar das Saias”, que reafirma o protagonismo feminino nas expressões culturais do Recôncavo.
Exposições
Além das atividades formativas e artísticas, a Casa do Patrimônio recebe quatro mostras visuais que evidenciam a diversidade cultural e ambiental da região:
- “Retratos da Liberdade”, do artista plástico Milton Marinho;
- “Resex Marinha da Baía do Iguape”, do ICMBio, sobre a proteção de povos tradicionais e da sociobiodiversidade;
- “Máscaras: tradição e resistência”, com curadoria de Adriana Cravo, diretora de Museus do IPAC;
- “Sob o sol de Cachoeira”, do fotógrafo Marcelo Reis.
Ao reunir instituições, artistas, mestres da cultura e comunidades locais, a Casa do Patrimônio reafirma sua missão de preservar, valorizar e celebrar o patrimônio do Recôncavo, fortalecendo os vínculos entre tradição e contemporaneidade em uma das festas literárias mais importantes da Bahia.
Raphael Suzart (estagiário) sob supervisão da coordenação da ascom IPAC