Mais do que um espaço de debates e oficinas, a Casa do Patrimônio, presente na programação da Feira Literária Internacional de Cachoeira (Flica 2025) , também oferece ao público exposições que revelam a diversidade cultural e ambiental do Recôncavo Baiano.
Um dos destaques é a mostra “Máscaras: Tradição e Resistência”, que convida o público a mergulhar no universo simbólico e ancestral das máscaras que representam diferentes expressões culturais da Bahia, como o Carnaval de Maragogipe, Acupe, Embalos da Ajuda e outras manifestações de matriz africana e afro-brasileira. São 56 peças do acervo do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA).
Com curadoria de Adriana Cravo, diretora de Museus do IPAC, a exposição destaca as máscaras como elementos de resistência, espiritualidade e identidade. “As máscaras revelam como cada sociedade compreende o sagrado, a coletividade e o pertencimento. Trazer esse acervo para a Flica é uma oportunidade de ampliar o diálogo sobre a herança africana presente na cultura baiana”, afirmou a curadora.
Máscaras e ancestralidade
De origem etimológica incerta, o termo “máscara” pode vir do latim mascus ou masca (“fantasma”), do italiano masecha, ou do árabe maskharah (“zombaria”, “palhaço”) e maskha (“transformação”). Mais do que um adorno, a máscara carrega múltiplos significados, representando o sagrado, o lúdico e o mistério.
Desde a Antiguidade, é utilizada em rituais de conexão com o divino, incorporando símbolos e códigos que antecedem a escrita. No contexto africano, seu uso ritualístico constitui um importante legado cultural, preservado na memória e nas tradições que formam o patrimônio imaterial da Bahia.
Sustentabilidade e cultura: “Biriba é Pau”
Em outro ambiente da Casa, a mostra “Biriba é Pau, é madeira, biriba é pra plantar” destaca a relação entre a preservação ambiental e o patrimônio cultural nas comunidades quilombolas de Maragogipe.
A exposição apresenta as quatro etapas de confecção do berimbau, desde a extração da biriba, madeira utilizada na fabricação do instrumento, até sua finalização.
A mostra resultou do projeto desenvolvido na Reserva Extrativista Marinha da Baía de Iguape, pela Associação Quilombola de Pescadores(as) e Lavradores(as) GUAIPANEMA, em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Durante a Flica, a iniciativa foi apresentada na atividade “Encontro de Saberes”, realizada na tarde desta sexta-feira (24), na Casa do Patrimônio.
“O projeto alia reflorestamento de áreas degradadas em territórios quilombolas de Maragogipe, antes ocupados por grandes latifundiários. Trata-se da reocupação com sistemas agroflorestais e manejo sustentável da biriba, matéria-prima essencial para dois grandes patrimônios: o ofício do mestre de capoeira e a roda de capoeira”, explicou Bruno Marchena, analista ambiental do ICMBio.
Outras exposições
Completam o circuito da Casa do Patrimônio as mostras “Retratos da Liberdade”, do artista plástico Milton Marinho, e “Sob o Sol de Cachoeira”, do fotógrafo Marcelo Reis.
A Casa do Patrimônio funciona até às 19h deste sábado (25) e é fruto de uma parceria entre o IPHAN, o IPAC e o ICMBio.
Por Alexa Santa Rosa/ Ascom IPAC