Escola Parque terá murais restaurados depois de 45 anos

04/10/2012

Ao inaugurar hoje (04.10) pela manhã, o Memorial Anísio Teixeira, no Centro Educacional Carneiro Ribeiro – Escola Parque, no bairro da Caixa D’Água, em Salvador, os secretários estaduais da Cultura (Secult), Albino Rubim, e da Educação (SEC), Osvaldo Barreto, assinaram protocolo de intenção que permitirá ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) restaurar nove painéis modernistas em área tombada pelo Estado como Patrimônio Cultural da Bahia desde 1981. 


Com tamanhos que variam de dois a 20 metros de extensão, os murais são de artistas conceituados nacional e internacionalmente, como Djanira, Carybé, Mário Cravo, Jenner Augusto, Maria Célia Amado e Carlos Bastos, todos pintados no interior do complexo escolar criado sob projeto do educador Anísio Teixeira – ex-Ministro da Educação – e projetado pelo renomado arquiteto modernista Diógenes Rebouças, autor da Avenida Contorno, dentre outras importantes construções da capital baiana. 


Para os secretários o evento marcou o início de outras ações entre a Educação e a Cultura, já que ambas as secretarias planejam transversalidade de temas que permeiam as duas instâncias do poder executivo estadual. “A restauração completa dos murais é uma reivindicação da comunidade baiana há mais de 45 anos”, disse o diretor do Centro Educacional, Jedean Ribeiro, durante o anúncio da parceria. 


Além da restauração, o convênio no valor de R$ 1,2 milhão, incluirá ações de educação patrimonial para a comunidade, com visitas dirigidas às obras, produção de videodocumentário e elaboração de cartilhas em quadrinhos a serem distribuídas entre alunos da rede pública de ensino. A solenidade contou ainda com a presença de vários parentes dos autores dos murais, da comunidade local, de alunos e professores. 


O diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça, destacou o momento pela importância das equipes de restauradores e educadores trabalharem em conjunto nos murais. “Trata-se de um monumento cultural e educacional da Bahia que tem amplitude nacional e até internacional em função do inovador projeto de Anísio e da qualidade arquitetônica do mestre Diógenes”, comentou. O decreto governamental nº 28.198/1981 estabelece que tenha tutela do Estado para a sua preservação.


O secretário de Cultura Albino Rubim fez relato sobre Anísio Teixeira como idealizador do Centro, como um dos mais importantes educadores e gestores culturais que a Bahia já teve. Já o secretário da Educação Osvaldo Barreto destacou o papel de Anísio para a educação brasileira e as novas gerações. Sobre o Memorial, Barreto disse que esse é o primeiro espaço dedicado a recuperar a auto-estima de alunos e da escola, pois já estão previstos novos memoriais do Colégio Central da Bahia e do Instituto Isaias Alves (Iceia). 


Depois das análises, prospecções técnicas e licitações públicas que devem ser realizadas o IPAC iniciará as obras em 2013. Com 45 anos de experiência no segmento de restaurações de construções antigas e obras de arte, o Instituto mantém equipe técnica multidisciplinar formada por artistas plásticos, restauradores, historiadores, arquitetos, sociólogos, fotógrafos, marceneiros e carpinteiros, dentre muitos outros profissionais. 


“Depois de finalizarmos restaurações nas cidades de Lençóis e Cachoeira, através do Programa Monumenta/Iphan/MinC, e entregarmos as obras do Prodetur de cinco grandes igrejas, palácios e imóveis no Centro Histórico de Salvador, estamos restaurando outras edificações no interior da Bahia, como a Igreja Matriz de Piatã, na Chapada Diamantina e, finalmente, recuperando agora os murais da Escola Parque”, relatou Mendonça. Com todos esses programas e editais públicos já foram investidos mais de R$ 38 milhões somente em restaurações de prédios históricos via IPAC.


 Fotos em ALTA DEFINIÇÃO: http://flic.kr/s/aHsjCkbKKHhttp://www.flickr.com/photos/secultba/sets/72157631678020531/http://flic.kr/s/aHsjCkbKKH


Crédito Fotográfico obrigatório: Lei nº 9610/98

Site SEC: http://www.educacao.ba.gov.br/node/3752

 

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Biografia Artistas

 

Carybé - Pintor, gravador, desenhista, ilustrador, mosaicista, ceramista, entalhador e muralista, Hector Júlio Páride Bernabó nasceu em Lanús, Argentina, em 7.02.1911. O nome Carybé foi adotado após passagem pelo grupo de escoteiros do Clube do Flamengo, em 1921, no Rio de Janeiro. Em 1957, naturaliza-se brasileiro. Produz extensa obra artística, de reconhecimento público, além de publicar, em 1981, Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, pela Editora Raízes. Ilustra livros de Gabriel García Márquez (1928), Jorge Amado (1912 - 2001) e Pierre Verger (1902 - 1996), entre outros. Faleceu no Brasil, em 02.10 1997.

 

Mário Cravo Júnior Escultor, gravador, desenhista, pintor, professor. Soteropolitano, nasceu em 13.04.1923, na Ribeira. Executa suas primeiras esculturas entre 1938 e 1943, período em que viaja pelo interior da Bahia. Realiza sua primeira exposição individual em 1947, em Salvador. Entre 1964 e 1965, passa a morar em Berlim, patrocinado pela Fundação Ford. Retorna ao Brasil em 1966, ano em que obtém o título de doutor em belas artes pela UFBA e assume o cargo de diretor do Museu de Arte da Moderna da Bahia - MAM/BA, posição que ocupou até 1967. Em 1981 coordenou a implantação do curso de especialização em gravura e escultura da Escola de Belas Artes da UFBA. Em 1994, várias de suas obras passaram a compor o acervo do Espaço Cravo, localizado no Parque Metropolitano de Pituaçu, em Salvador, onde atualmente desenvolve atividades.

 

Maria Celia Amado Artista plástica, pintora, paisagista e retratista, professora, livre docente na Escola Belas Artes, e Poetisa. Estudou pintura na Escola de Belas Artes da Bahia. Na Europa, realizou cursos de História Geral da Arte, no Museu do Louvre, e de Estética e Ciência da Arte, na Sorbonne. Executou diversos murais em São Paulo e em Salvador. O reconhecimento pelo seu trabalho lhe rendeu inúmeros prêmios como a Menção Honrosa na Bienal de São Paulo, de 1959.

 

Carlos Mangano Nasceu em São Paulo, em 1921, e se tornou pintor e professor. Inicia seus estudos de pintura com Túlio Mugnaini, em São Paulo. Em 1946, concluiu o curso de Direito na Universidade de São Paulo, USP. Em 1949, viaja para a Europa, a partir de prêmio concedido pela Societé Française des Lycées Franc-Brésiliens, fixando-se no local até 1952. Mais tarde torna-se professor livre docente de pintura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ. Participa de várias exposições individuais e trabalha também como muralista, realizando afrescos para o Centro de Estudos Pedagógicos da UFRJ; o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, em Salvador (Bahia); e o Centro de Pesquisas Educacionais da USP. Faleceu em 1983.

 

Jenner Augusto Nasceu em Aracaju, em 1924, e se tornou pintor, cartazista, ilustrador, desenhista, gravador. Em 1949, realiza, gratuitamente, painéis em estilo modernista, para a decoração do Bar Cacique. Em 1949, muda-se para Salvador, e trabalha como assistente no ateliê de Mario Cravo Júnior. Nessa época, participa com Lygia Sampaio e Rubem Valentim da polêmica mostra Novos Artistas Baianos, realizada no Instituto Histórico e Geográfico da Bahia. Desenvolve na cidade alguns trabalhos plásticos, destacando-se o afresco Evolução do Homem, para o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, entre 1953 e 1954. Faleceu em Salvador, no ano de 2003.

 

Carlos Bastos Pintor, ilustrador, cenógrafo. Nasceu em Salvador, em 12.10.1925. Inicia sua formação artística na Escola de Belas-Artes da Universidade da Bahia, onde ingressa em 1944. Nesse ano, participa, ao lado de Mario Cravo Júnior e de Genaro, da 1ª Mostra de Arte Moderna da Bahia. Muda-se para o Rio de Janeiro, em 1946 e retorna a Salvador em 1947, onde organiza sua primeira individual na Biblioteca Pública. Vai para Paris, em 1949 e volta ao Brasil, em 1951. Após novo período em Paris, de 1957 a 1958, monta seu ateliê no Solar da Jaqueira em Salvador, fixando-se na cidade. Em 1962, um acidente o mantém por longo período em cadeira de rodas. Edita Santos e Anjos da Bahia, com prefácio de Jorge Amado, em 1965, momento em que uma paralisia leva-o a novo período em cadeira de rodas. Ilustra diversos livros nas décadas de 1970 e 1980. Faleceu em Salvador, no dia 12.03.2004.

 

Djanira Motta e Silva Pintora, ilustradora, desenhista e cenógrafa. Nasceu em Avaré, São Paulo, em 20.06.1914. A aproximação com as artes ocorreu no Rio de Janeiro, quando se instalou em Santa Teresa, em meados de 1930. Residiu em Nova York, entre 1945 e 1947, onde sofreu influência da pintura de Pieter Brueghel. Nesta mesma época, conheceu Fernand Léger, Joan Miró e Marc Chagall. Ao voltar ao Brasil, realiza o mural Candomblé, para a residência do escritor Jorge Amado, em Salvador, e um painel para o Liceu Municipal de Petrópolis/RJ. Profundamente religiosa, ingressa na Ordem Terceira Carmelita e em 1972 recebe do Vaticano a Medalha e Diploma da Cruz “Pro Ecclesia et Pontifice”, conferida pelo Papa Paulo VI. Djanira, aliás, foi a primeira artista latino-americana representada com obras no Museu do Vaticano, para quem ofereceu a tela “Santana de Pé”. Ela é reconhecida pela expressão autêntica brasileira em suas obras, interpretando, de maneira singela e poética, a paisagem nacional, com seus habitantes e costumes. A artista plástica faleceu no Rio de Janeiro no dia 31.05.1979.

 

Obras de arte a serem Restauradas

 

1. “O Ofício do Homem” – Artista: Maria Célia Amado (1921-1988)

Dimensões: 2,79m X 10,20m x 0,006m

Técnica: óleo sobre madeira

Execução: 1955

Intervenção de restauro: 1987

Localização e Ambiência: Escola Parque, no Pavilhão de Artes Industriais, hall da secretaria, no setor de trabalho

 

2. “A Evolução do Homem” – Artista: Carlos Magano (1921-1983)

Dimensões: 2,70m X 20,00m

Técnica: afresco

Execução: 1953 e 1954

Intervenção de restauro: sem informação de data

Localização e Ambiência: Pavilhão de Artes Industriais - hall do setor de trabalho

 

3. “A Evolução do Homem” – Artista: Jenner Augusto (1924-2003)

Dimensões: 2,70m X 20,00m

Técnica: afresco

Execução: 1953 e 1954

Intervenção de restauro: sem informação de data

Localização e Ambiência: Pavilhão de Artes Industriais - hall do setor de trabalho

 

4. “O Átomo (A Evolução do Trabalho)” – Artista: Carybé (1911-1997)

Dimensões do Painel: Altura maior – 8,20m Largura – 20,00m Espessura – 0,010m

Pé Direito do Imóvel: 12 m

Técnica: têmpera sobre madeira

Execução: 1954

Intervenção de restauro: 1987

Localização e Ambiência: Pavilhão de Artes Industriais, setor de artes plásticas, na ala masculina/setor de trabalho.

 

5. “A Força do Trabalho” – Artista: Mário Cravo (1923-)

Dimensões: Altura maior – 8,20m Largura – 20,00m profundidade – 0,010 m

Pé Direito do Imóvel: 12 m

Técnica: têmpera sobre madeira

Execução: 1955

Intervenção de restauro: 1987

Localização e Ambiência: Pavilhão de Artes Industriais, setor de artes plásticas, na ala feminina/setor de trabalho

Escola Classe I - no endereço: Rua Pero Vaz, n.º 148 – Liberdade

 

6. “Jogos Infantis” – Artista: Carlos Bastos (1925-2004)

Dimensões: 2,59m X 2,54m

Técnica: óleo sobre madeira

Execução: 1949

Localização: circulação da escola

Escola Classe II - no endereço: Rua Vitor Serra, s/n.º - Pero Vaz

 

7. “Panorâmica de Salvador” – Artista: Carybé (1911-1997)

Dimensões: 2,00m X 6,00m

Técnica: pintura mural, provavelmente em têmpera.

Execução: 1950

Localização: hall da escola

 

8. “Festa de São João” – Artista: Djanira Motta da Silva (1914-1979)

Dimensões: 0,90m X 0,75m

Técnica: óleo sobre tela móvel

Localização: sala da diretoria

Escola Classe III - no endereço: Rua Marques de Marica, n.º 195 – Pau Miúdo

 

9. “Fundo do Mar e Animais Pré-Históricos” – Artista: Mário Cravo (1923-)

Dimensões: 2,00m X 5,20m

Técnica: pintura mural

Localização: hall de acesso à sala dos professores

 

Assessoria de Comunicação – IPAC – em 04.10.2012 – Assessor de Comunicação: Geraldo Moniz (drt-ba 1498) –(71) 8731-2641 –Contatos: (71) 3117-6490, 3116-6673, ascom.ipac@ipac.ba.gov.br - www.ipac.ba.gov.br - Facebook: IPAC BAHIA  - Twitter: @ipac_ba
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