24/10/2013
Diretor de Obras do IPAC informa que o monumento de 1743 já está protegido e novo cronograma de ações está sendo proposto
Monumento religioso de 270 anos, tombado desde 1938 como Patrimônio do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), do Ministério da Cultura (MinC), o oratório da Cruz do Pascoal, localizado no bairro de Santo Antônio, Centro Histórico de Salvador (CHS), escapou por pouco de sofrer um desabamento.
A perda do oratório só foi evitada graças à consultoria especializada contratada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), da Secretaria de Cultura do Estado (Secult-BA). Considerado um dos mais importantes especialistas em fortificações e edificações coloniais do Brasil, o professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Mário Mendonça, explica que providências foram tomadas à tempo de evitar uma tragédia com o monumento, tão importante para a cidade.
“O arenito da base dessa construção está deteriorado com risco eminente de cair devido a infiltrações ocorridas em dois séculos e meio e a constante trepidação de veículos no local”, explica o consultor. De acordo com ele, as pedras de arenito utilizadas na maior parte das construções com características arquitetônicas coloniais da capital baiana foram obtidas nas jazidas do litoral do atual município de Salvador e nos municípios banhados pela Baía de Todos os Santos e proximidades. Em geral, complementa Mendonça, as pedras de arenito têm milhões de anos de existência e são formadas de areia compactada coberta por lagos glaciais, mas podem se fragilizar devido a ação de infiltração de água, plantas e microrganismos.
A restauração completa do oratório da Cruz do Pascoal, orçada até então em cerca de R$ 272 mil do Tesouro estadual, está sendo executada pelo IPAC/Secult-BA. “Agora, com este comprometimento descoberto na base, estamos tendo que refazer o cronograma físico e financeiro. Mas a comunidade do bairro, que deseja muito a recuperação do monumento, pode ficar tranquila, pois não deixaremos esse marco ser comprometido, muito menos cair. Para evitar qualquer dano, já criamos uma estrutura de proteção e sustentação do oratório”, assegura o diretor de Projetos e Obras do IPAC, Paulo Canuto. O monumento vai estar totalmente restaurado até o verão.
Além de atuar junto a Coelba para readequação de fios elétricos aéreos, o IPAC está providenciando a retirada, lavagem e imunização de azulejos; montagem de ateliê; recuperação do gradil de ferro do século XIX que envolve o monumento; e a restauração da cantaria. Para Mário Mendonça, a partir de agora, a melhor opção para resolver a sustentação da Cruz é a colocação transversal de quatros barras de aço inoxidável, fixação de resina e implantação de uma cinta em formato de viga de concreto perimetral que ‘prenderá’ a base, assegurando a sua sustentação.
CENTRO HISTÓRICO – Apesar de ser tombado pelo IPHAN e estar em área da administração municipal também protegida pelo órgão federal, o oratório da Cruz do Pascoal está sendo restaurado pelo IPAC, que é estadual. “Dos monumentos do IPHAN no CHS, o IPAC já restaurou, via Prodetur 2 (http://www.turismo.gov.br/
O IPAC também é responsável pelo Projeto de Iluminação Cenotécnica de monumentos do CHS que já beneficia nove grandes edificações como a Catedral Basílica, Faculdade de Medicina do Terreiro e igrejas de São Francisco, de São Pedro do Clérigos e de São Domingos. As ações já estão sendo ampliadas para o Carmo e Santo Antônio.
Outros dados sobre a obra do oratório da Cruz do Pascoal podem ser obtidos na Diretoria de Projetos e Obras (Dipro) do IPAC via telefone (71) 3116-6731 ou email dipro.ipac@ipac.ba.gov.
Box HISTÓRIA: O oratório está localizado no bairro de Santo Antônio Além do Carmo, em sítio tombado pelo IPHAN, que compreende áreas dos sub-distritos da Sé e Passo. O oratório está implantado no meio de um largo de forma triangular, para onde se abrem sobrados, na sua maioria do séc. XIX, muitos dos quais com fachada azulejada. A ambiência do monumento foi prejudicada pela substituição do piso de pedras irregulares, por asfalto, em 1971. O período da sua construção é do século XVIII, em 1743, como oratório público. O monumento detém notável mérito arquitetônico-urbanístico, sendo um dos mais pitorescos e expressivos pontos de referência visual de Salvador. Ele é constituído por uma coluna encimada por um nicho, guarda em seu interior uma preciosa imagem de N. S. do Pilar, do séc. XVIII. O oratório é praticamente todo revestido de azulejos azuis e brancos e está hoje protegido por gradil de ferro do séc. XIX. Foi tombado pelo IPHAN sob o nº 135 do livro de Belas Artes, folha 24, em 17.06.1938. O nicho é inspirado nas torres sineiras de igrejas baianas do começo do séc. XVIII, que se apoia sobre o ábaco de uma robusta coluna toscana de seção octogonal, montada em pedestal de pedra. A terminação do nicho, em pirâmide azulejada, é encontrada nas torres de numerosas igrejas baianas como: Sto. Antônio de Cairu (1670), S. Francisco (1720), Belém da Cachoeira (1730), N. S. da Lapa e Santa Casa de Misericórdia. Os pináculos foram substituídos por esferas de louça. Os azulejos que revestem o nicho e coluna são portugueses, do séc. XVIII.
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