Localizada a 15 km de Ilhéus e cerca de 480 km de Salvador, Olivença ganha um presente na famosa Festa do Mastro de São Sebastião que termina esta semana. O Estado da Bahia decidiu pelo tombamento da igreja Nossa Senhora da Escada situada na praça onde acontecem festividades de importância cultural para a região como a Festa do Divino, Festa de Nossa Senhora da Escada – padroeira da cidade - e a Puxada de Mastro.
Para o relator do processo de tombamento da igreja, membro do Conselho Estadual de Cultura da Bahia (CEC), arquiteto Pasqualino Magnavita, o mais original desses festejos é a Puxada de Mastro que ocorre esta semana, tem origem indígena e é praticado pelos nativos em sua forma original antes mesmo antes da chegada dos portugueses. “As manifestações realizadas à frente do templo de 323 anos, constituem elementos de reconhecimento cultural da localidade, fortalecem o aspecto identitário e pitoresco da região”, afirma Magnavita.
De acordo com o especialista, a edificação construída entre final do século 17 e início do século 18, traz a marca dos aldeamentos jesuíticos na Bahia como singular exemplo do processo de dominação religiosa imposta às diferentes culturas nativas existentes no país e por isso merece também o tombamento. “Se por um lado, a aldeia constituída a partir dessa igreja (1698) representa lugar de submissão dos indígenas à missão jesuítica, do outro, depois da expulsão dos jesuítas (1759), o lugar tornou-se campo de resistência da comunidade indígena, com importante valor social até os dias de hoje”, relata Pasqualino.
O tombamento da igreja Nossa Senhora da Escada foi possível graças aos estudos de equipe multidisciplinar do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), órgão da secretaria estadual de Cultura (SecultBA). Composta por historiadores, antropólogos, arquitetos, sociólogos, fotógrafos e museólogos, entre outros profissionais, a equipe realiza pesquisas de campo, coleta documentos e elabora justificativas, tudo reunido em dossiês que justificam os tombamentos. Após esse processo, o CEC analisa o dossiê e remete ao secretário de Cultura que encaminha ao Governador. O decreto autorizando o tombamento da igreja de Olivença foi assinado no final do ano passado (2010) pelo governador Jaques Wagner e depois publicado no Diário Oficial.
Esse tombamento integra a política pública para melhoria de serviços do IPAC implantada de 2007 a 2010. Segundo o diretor geral do Instituto, Frederico Mendonça, existe um passivo histórico para salvaguarda dos bens culturais baianos que necessita ser resgatado. Em geral, as solicitações para tombar bens culturais são encaminhadas por prefeituras municipais, faculdades, universidades e outras representações da sociedade civil. O Estado fica responsável por tombar edificações de valor para a Bahia. Já as prefeituras devem criar políticas patrimoniais e tombar bens culturais relevantes para o município. Enquanto o governo federal, através do Ministério da Cultura, realiza tombamentos de significância nacional.
“O tombamento não elimina a propriedade, nem as obrigações do proprietário para com o imóvel, mas, possibilita que eles tenham prioridade em financiamentos municipais, estaduais, federais ou até internacionais para restauração”, alerta Mendonça. O IPAC também criou editais de patrimônio que já beneficiaram, de 2008 a 2010, 24 projetos com cerca de R$ 2,2 milhões investidos.
Opcional: HISTÓRIA - Segundo os especialistas em Turismo, Olivença é hoje a única estância hidromineral localizada na faixa litorânea do Brasil. O aldeamento de Nossa Senhora da Escada foi formado por volta de 1680. Estudiosos revelam que nas proximidades da vila de Ilhéus habitavam tupiniquins. Por volta de 1562 uma epidemia de varíola matou dois terços da população indígena na Bahia com grande mortandade nessa região. No contexto da crise da extinção dos tupiniquins, chegam os jesuítas, que criam as missões, misturando remanescentes dessa tribo e outras, como tupinambás e tapuias. Em 1702 a rede de aldeias organizadas pelos jesuítas somava 900 índios. A partir de 1759, Olivença passa à condição de vila. No segundo domingo do ano ocorre a Puxada do Mastro de São Sebastião, festa tradicional que mescla sagrado, profano, com influências portuguesas e indígenas. Em 1912, Olivença passa a ser distrito de Ilhéus. As águas dessa estância hidromineral são ferruginosas despertando curiosidade do padre francês Torrand, que ao estudar sua composição comparou-a à de Vichy, na França.
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