12/05/2016
Exposição pública permanente será aberta durante solenidade da 14ª Semana de Museus na Bahia, no Palácio da Aclamação, segunda (16), às 9:30h
Painéis com cerca de 4 X 2 metros de fotografias produzidas no final do século XIX de vários pontos da cidade de Salvador, ocuparão as paredes do Passeio Público, a partir desta segunda-feira, dia 16, às 9:30h. Uma solenidade de abertura da exposição intitulada ‘Museus: Paisagens Culturais’ ocorrerá no Palácio da Aclamação (Forte de São Pedro/Campo Grande). Já confirmaram presença, o secretário de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), Jorge Portugal, o diretor geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), João Carlos de Oliveira, dentre outras autoridades municipais, estaduais e federais, artistas, museólogos e produtores culturais.
A iniciativa é da SecultBA, através da diretoria de Museus (Dimus) do IPAC. “Esta é mais uma ação de beneficiamento do Passeio, depois dos serviços de manutenção e segurança empreendidos nesse importante espaço urbano no ano passado (2015)”, afirma o diretor do IPAC, João Carlos. Inaugurado em 1810, pelo 8º Conde dos Arcos, Marcos de Noronha e Brito, então governador da Bahia (1810 – 1918), o Passeio hoje é administrado pelo IPAC. Novas melhorias devem ser empreendidas. “Temos um projeto de sinalização histórica e botânica cuja realização pode ser feita via parcerias”, diz o dirigente estadual.
200 ANOS – “O Passeio foi um dos espaços mais charmosos da cidade que sofreu mudanças drásticas ao longo de 200 anos”, diz João Carlos. Ele explica que no início do século XX, a área foi reduzida ao ampliarem o antigo Palacete dos Moraes – então privado – para sediar a residência dos governadores da Bahia. “Começa nessa época a perda de espaços do Passeio; depois, na construção da Avenida Contorno (anos 1960), que tirou o acesso à Gamboa e, depois, a construção de edificações que reduziram a antiga vista panorâmica do local para Baía”, descreve o diretor do IPAC.
A exposição ‘Paisagens Culturais’ será permanente já que as fotografias têm proteção especial contra a chuva. “É emblemático instalarmos a mostra no Passeio, já que o local foi modificado ao longo dos anos em função do crescimento da cidade”, diz o diretor do IPAC. Segundo ele, na primeira metade do século XIX, o Passeio tinha uma mata tropical a cerca de 70 metros do nível do mar que ia das imediações do Forte de São Pedro, no Campo Grande, até as margens da Baía de Todos-os-Santos, próximo ao Forte São Paulo da Gamboa.
GRATUITA – De acordo com a diretora de Museus do IPAC, Ana Liberato, são 11 grandes fotos impermeabilizadas. São retratadas área da Praça Municipal, Ladeira de Santana, os edifícios do cais do Porto de Salvador, o antigo Terreiro de Jesus, vistas do Farol e do Porto da Barra e do Passeio Público. As imagens foram retirados do livro ‘50 anos de urbanização – Salvador da Bahia no Século XIX’, resultado de pesquisa da historiadora Consuelo Novais, já falecida. O livro foi vencedor do Prêmio Clarival do Prado Valladares (historiador e crítico de arte brasileiro), promovido pela Odebrecht que doou ao Museu de Arte da Bahia (MAB) do IPAC.
“O Passeio oferecerá essas imagens da antiga Salvador para que o público possa conhecer, apreciar e refletir acerca das mudanças ocorridas no centro da cidade, ao longo dos anos”, diz Ana Liberato. A exposição é gratuita e permanente. Escolas, faculdades e universidades podem agendar visitas guiadas. Informações na Dimus/IPAC, via telefone (71) 3117-6447 e endereço secdir.dimus@gmail.com. Acesse o site www.ipac.ba.gov.br, facebook ‘Ipacba Patrimônio’, twitter ‘@ipac_ba’ e instagram ‘@ipac.patrimonio’.
Box opcional 1: PESQUISA para EXPOSIÇÃO – A pesquisa foca nas transformações ocorridas na cidade de Salvador, no período de 1850 a 1900, com o surgimento dos primeiros serviços de transportes coletivos, abastecimento de água, saneamento e iluminação. Entre os painéis, é possível visualizar, por exemplo, a imagem do Cais das Amarras em 1861; vista panorâmica de parte da Cidade Alta; Terreiro de Jesus em 1861; Praça do Palácio com o Elevador Lacerda e a Câmara Municipal no início do século XX; Porto da Barra com ponte para embarque em pequenas embarcações em 1865; Ladeira dos Aflitos antiga. No livro que deu origem à exposição, a pesquisadora Consuelo Novais diz que é tão grande a influência das forças que impulsionaram o processo de urbanização que não é raro se confundirem com as características culturais do povo e do lugar. “O homem cria e transforma a cidade e, num eterno retorno, ela deixa suas marcas no homem. Assim acontece em Salvador. Muito se tem escrito sobre esta cidade e mais ainda se há de escrever. A limpidez do ar que a envolve, a brisa constante que sobre ela sopra, o profundo azul do mar que a cerca, a contradição entre a alegria espontânea e a magnitude dos problemas de seu povo (...)”. A pesquisadora conta, ainda, que o livro foi resultado de 20 anos de inquietações, do interesse em conhecer melhor Salvador, em como a cidade tinha se expandido, “subindo ladeiras, descendo colinas, enfrentando o desafio da sua morfologia; que agentes teriam provocado as mudanças ocorridas e como o seu povo reagiu a essas mudanças no decorrer dos anos”.
Box opcional 2: CONSUELO NOVAIS – Com mestrado, doutorado e pós-doutorado em História, respectivamente pela Universidade Federal da Bahia, The Johns Hopkins e University of Califórnia, Los Angeles, Consuelo Novais deixou vasta produção intelectual, a exemplo de Canudos: Cartas para o Barão; Pinto de Aguiar - Audacioso Inovador; Memória da Fazenda na Bahia, 1895-2005; 50 Anos de Urbanização: Salvador da Bahia no Século XIX; Otávio Mangabeira - Cartas do 1° Exílio (1932-1934), e 70 anos de lutas e Conquistas: Liga Bahiana Contra o Câncer, publicação que organizou, pelo Centro da Memória da Bahia. Recebeu, ainda, inúmeras distinções, como a de membro da Phi Beta Kappa-Alpha Chapter of Maryland e da Latin American Studies Association–LASA, o prêmio pesquisador do ano da FAPEX-UFBA, e uma Moção de Aplauso, por seus trabalhos historiográficos da Assembleia Legislativa da Bahia. Morreu em 18 de outubro de 2013.
Box opcional 3: HISTÓRIA e RIQUEZA – O Passeio Público é considerado um museu a céu aberto por suas características paisagísticas e arquitetônico-urbanísticas. O espaço detém estátuas e pisos em preto e branco, estátuas e esculturas de mármore italiano de Carrara, peças artísticas do final do século XIX e início do XX produzidas na Europa, na França ou Itália, chafariz de mármore e ferro também do século XIX. Esculturas da deusa romana da caça, Diana, bustos esculpidos em cinzel – instrumento manual de metal e madeira –, animais, ânforas e vasos, completam as obras de arte em exposição permanente no local. Em 1862, o Passeio recebe chafariz e ornamentos franceses, como vasos, animais e bancos de ferro fundido. Em 1815, foi construído um obelisco em mármore com 12 metros de altura. Em 1913, esse monumento é transferido para a praça em frente do Aclamação, onde está até hoje. Conhecido por ser um espaço democrático, onde acontecem diversas manifestações educativas e culturais, o Passeio Público é administrado hoje pelo IPAC/SecultBA, que também tombou e está responsável pelo Palácio da Aclamação, edificação contígua ao Passeio e antiga residência dos governadores da Bahia. Em Salvador, o IPAC/SecultBA está responsável pelo Museu de Arte Moderna (Avenida Contorno), Palacete das Artes (Graça), Palácio da Aclamação/Passeio Público (Campo Grande), Museu de Arte da Bahia (Corredor da Vitória), Solar Ferrão, Praça das Artes, museus Udo e Tempostal (Pelourinho). No interior, os museus do Recolhimento (Santo Amaro), Wanderley (Candeias) e Parque Histórico Castro Alves (Cabaceiras do Paraguaçu). A Semana de Museus do IPAC/SecultBA, conta ainda com a participação da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). O Passeio Público foi criado como um horto botânico a partir de 1810, para abrigar as inúmeras espécies de plantes que chegavam no porto de Salvador, considerado o mais importante do Atlântico Sul nos séculos XVIII e XIX. Outras árvores de grande porte compõem a flora do Passeio Público, como espécies de angelim, sumaúma, amendoeira, pau-ferro, cariota e a palmeira-solitária. As mangueiras e sumaúmas estão em maior número. Jardineiros do IPAC trabalharam no plantio de novas espécies de menor porte para compor as áreas ajardinadas. As palmeiras imperiais foram plantadas em 1859, quando da visita de Dom Pedro II.
Assessoria de Comunicação – IPAC, em 12.05.2016
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