Morro do Chapéu, na Bahia, pode ganhar o título de Geoparque pela UNESCO

29/07/2013
A região de Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina, localizada a cerca de 400 km de Salvador, no centro da Bahia, pode se tornar um Geoparque pela Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura (UNESCO). A notícia foi dada ontem (25, julho/2013), na cidade de Morro do Chapéu, durante a abertura da 2ª etapa do ‘Projeto Circuitos Arqueológicos da Chapada Diamantina’, sob iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado (Secult-Ba), através do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC).

“Só existem 88 localidades no mundo que usam esse título. Não se pode deixar passar essa oportunidade para a Bahia e o Brasil, titulando também um Geoparque em Morro que passaria a pertencer a esse seleto clube,” disse o doutor em Geologia, Antônio Dourado, do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), do Ministério de Minas e Energia, um dos palestrantes do evento.

Segundo o especialista, no Brasil, apenas o Ceará possui um Geoparque, o do Cariri. “Mas o de Morro é importante por se tratar de área com sistemas deposicionais Precambrianos, nas localidades de Tombador, Caboclo e Morro do Chapéu, da Era do Proterozóico Médio, e as de Bebedouro e Salitre, essas da Era Proterozóico Superior”, informa Dourado.

Na escala de tempo geológico, o Proterozóico (do grego proteros = anterior + zoikos = de animais) compreende o período entre 2,5 bilhões e 542 milhões de anos, abrangendo quase metade do tempo de existência da Terra. Para se tornar um Geoparque será necessário que gestores públicos e comunidade se mobilizem para regularizar muitos documentos e procedimentos jurídicos. (VEJA BOX)

Dourado disse que já foram registrados 24 geossitios, dos quais 15 são de interesse regional, seis nacional e três de interesse internacional. Na maioria dos casos os afloramentos possuem grandes dimensões, apresentam pouco intemperismo, além de boas condições de conservação e facilidade de acesso, possibilitando atividades científicas, pedagógicas e geoturísticas.

 

ROTEIROS TURÍSTICOS – De acordo com o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça o ‘Projeto Circuitos Arqueológicos’ propõe unir todos os atributos dessa região da Bahia para criar roteiros de visitação. A iniciativa procura unir poderes públicos, empresariado e comunidades locais nas atividades de conservação desses bens naturais, arqueológicos e culturais, e na recepção aos turistas. Esse novo cenário traria incrementos, propiciando o desenvolvimento socioeconômico sustentável para toda a região.

O projeto ‘Circuitos Arqueológicos’ começou em 2010, via convênio com o Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia. “Além dos bens paisagísticos e naturais, a Chapada detém importante acervo arquitetônico-urbanístico dos séculos XVIII, XIX e XX”, afirma Mendonça. Nesta 2ª etapa de 2013, os ‘Circuitos’ já agregam 12 municípios. Participam Andaraí, Boninal, Ibicoara, Mucugê, Piatã, Utinga, Morro do Chapéu, Iraquara, Lençóis, Palmeiras, Seabra e Wagner. Nesta etapa também estão integradas as secretarias estaduais do Meio Ambiente, Educação e Turismo.

Para a prefeita de Lençóis, Moema Maciel, presente no evento, a iniciativa da Secult-BA/IPAC/Ufba é bem-vinda pelas administrações municipais e contribuirá para o desenvolvimento. Representantes das outras prefeituras destacaram que o projeto valoriza população, cultura local e provocará melhoria de vida. “Hoje não pensamos somente em municípios, mas uma nova identidade que é a Chapada, que é de todos nós”, comemorou o vice-prefeito de Palmeiras, Gildam Almeida.

Em quatro anos o projeto ‘Circuitos’ sensibilizou 1,8 mil pessoas, treinou 450 multiplicadores, mapeou 67 sítios de pinturas rupestres, promoveu 43 oficinas, resultando em nove roteiros de visitação e nove exposições na região. Outros dados sobre o ‘Circuitos’ são fornecidos na Coordenação de Articulação e Difusão (COAD) do IPAC via telefone (71) 3116-6945 ou endereço eletrônico coad.ipac@ipac.ba.gov.br. Informe-se via site www.ipac.ba.gov.br, Facebook Ipacba Patrimônio e Twitter @ipac_ba.

 

BOX opcional 1: GEOPARQUES – A Rede Mundial de Geoparques (World Geoparks Network) foi criada em 2004 através da UNESCO e a União Internacional de Ciências Geológicas (IUGS). Visa distinguir áreas naturais com elevado valor geológico, nas quais esteja em prática uma estratégia de desenvolvimento sustentado baseado na geologia e em outros valores naturais ou humanos. “Um Geoparque é um território de limites bem definidos com para servir de apoio ao desenvolvimento socioeconômico local. Deve abranger bom número de sítios geológicos ou mosaico de entidades geológicas de importância científica, raridade e beleza, representativa da região, sua história geológica, eventos e processos. Poderá possuir não só significado geológico, mas também ao nível da ecologia, arqueologia, história e cultura. Deve-se seguir passos: 1) Demonstrar que a área tem um património geológico de nível internacional. 2) Demonstrar que este patrimônio já está a ser usado para promover o desenvolvimento económico sustentável da comunidade local, principalmente através do turismo sustentável (incluindo turismo educativo). 3) Demonstrar que todos os aspectos do património da área (tanto natural como cultural) estão perfeitamente integrados no geoparque – já que um geoparque não trata apenas de geologia. 4) Preparar um dossiê de candidatura e submetê-lo à UNESCO. A UNESCO disponibiliza as linhas-mestras para esse dossiê. Depois a UNESCO convida inspetores para o local, que submetem um relatório à entidade internacional.

 

BOX opcional 2: CHAPADA DIAMANTINA – A Chapada Diamantina é uma região de serras, situada no centro da Bahia, que engloba 40 municípios turísticos por onde passa grande parte dos rios das bacias do Paraguaçu, do Jacuípe e do Rio de Contas. Com território formado há 1,7 bilhão de anos atrás, a Chapada encontra-se a 400 km da capital baiana, detém as maiores altitudes do Nordeste brasileiro – com pontos de mais de 2 mil metros de altura –, enorme variedade ambiental e significativas edificações dos séculos XIX e XX. Conhecida como uma cadeia de serras, a Chapada Diamantina possui atrativos naturais e culturais que desencadeiam o crescimento do turismo local. Indicada como uma das 20 melhores maravilhas do mundo pelo Portal Terra, o local abarca uma grande diversidade de fauna e flora, além de uma vasta mata atlântica. Campos e planícies de um verde sem fim dividem a paisagem com toques de caatinga e cerrado.

 

BOX opcional 3: ARTE RUPESTRE – Do latim rupes, que significa rochedo, a arte rupestre reúne vestígios, pinturas e desenhos deixados por populações pré-históricas e é considerada por especialistas em arqueologia como um dos mais importantes testemunhos do passado humano no planeta. Encontrada geralmente em abrigos, grutas e lajedos rochosos de várias partes do mundo, essa arte foi produzida por grupos humanos de caçadores, coletores, horticultores, agricultores e/ou pastores.

 

PROGRAMAÇÃO (também em anexo)

O quê: 2ª Etapa do Programa Circuitos Arqueológicos da Chapada Diamantina

Onde: Mercado Cultural e Sociedade Filarmônica Minerva Teatro Odilon Costa – Morro do Chapéu

Quando: 24, 25 e 26 de julho de 2013

 

24 de julho (quarta-feira)

Local: Mercado Cultural

18h * ABERTURA OFICIAL

Prefeitura de Morro, IPAC, UFBA, UEFS, CPRM, Procuradoria do Município, Secretaria de Cultura da Bahia

18h40 * Apresentação 1°Geoparque da Bahia

“1°Geoparque da Bahia: alternativa sócio econômica, cultural e turística” (Antônio Dourado Rocha – CPRM)

19h30 * Lançamento 2ª Etapa Circuitos Arqueológicos e Assinatura da Carta de Intenções*

20h30 * Coquetel de encerramento

Lançamento do Livro “Chapada Diamantina, um Paraíso Desconhecido” de Rui Resende.

 

25 de julho (quinta-feira)

Local: Sociedade Filarmônica Minerva Teatro Odilon Costa

08h30 * Café de boas vindas

09h30 * Ciclo de palestras e debates

9:30 às 10:00  Tema: Patrimônio Natural de Morro do Chapéu – Washington Rocha UEFS

10:00 às 10:30 - Tema: Sítios Arqueológicos de Morro do Chapéu e sua conservação – Carlos Etchevarne – UFBA – Bahia Arqueológica

10:30 às 11:00           INTERVALO

11:00 às 11:30 - Tema: Patrimônio Cultural e sua preservação Frederico Mendonça - Diretor do IPAC

12h * Almoço

14h * Oficina e Mesa Redonda (simultâneas)

A) OFICINA IPAC

TEMA: Objeto e memória - trabalhando acervos

PÚBLICO: Agentes Patrimoniais, Professores e Representantes de Associações e ONGs.

CONDUÇÃO: DIMUS – Ana Cristina (a confirmar)

B) MESA REDONDA

TEMA: Lei 006/2013, Preservando Patrimônios Morro (Procuradoria Municipal e Prefeitura de Morro do Chapéu)

PÚBLICO: Conselheiros e Representantes de Associações, ONGs, Secretarias e Representantes de Secretarias.

PARTICIPAÇÃO: Vinícius Navarro Morende – mediação (Representante Territorial da Chapada Diamantina), Nobabi Luz Chaar (restauradora Fundação de Arte de Ouro Preto / FAOP), Milton Pinto (Secretário de Cultura e Turismo de Morro do Chapéu), Thiago Moreira (Procurador Jurídico do Município)

18h * Encerramento

 

26 de julho (sexta-feira)

09h * (PER)Cursos Patrimoniais

Visita ao patrimônio edificado de Morro do Chapéu (sede do município)

CONDUÇÃO: Arq. Ligia Larcher – IPAC

12h30 * Cerimônia de encerramento

Diplomação dos conselheiros Municipais de Cultura

 

Fotos em ALTA RESOLUÇÃO no Flickr:

http://www.flickr.com/photos/secultba/sets/72157634671916150/

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Assessoria de Comunicação – IPAC, em 26.07.2013

Jornalista responsável Geraldo Moniz (DRT-BA nº 1498)

(71) 8731-2641, 9110-5099

Texto-base/Reportagens: jornalista Ronaldo Macêdo

Edição: Silvana Malta (coordenadora de jornalismo - DRT-BA nº 1907)

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