A Mostra Triangulações fecha o ciclo de 2014 em Salvador, se firmando como um circuito de artes visuais que convida o público a contemplar o talento, o ecletismo e o refinamento de artistas que trabalham fora do eixo Rio-SP. Em Maceíó, a exposição foi realizada na Pinacoteca da UFAL, de 14 de agosto a 06 de setembro, e na capital do Pará, de 18 de setembro a 18 de outubro no CCBEU- MABEU, com grande sucesso de público e crítica. Em novembro, entre 6 e 30, quem abre os braços para mostra é o MAM soteropolitano. Triangulações 2014 tem curadoria de Marília Panitz. “A capital baiana completa a tríade deste ano, fechando a itinerância que começou com sucesso em Maceió, seguiu para Belém, onde a cena de arte contemporânea é muito forte, a mostra agora volta para casa”, detalha Panitz.
A mostra tem sua gênese em Salvador, no Circuito das Artes - projeto que está na 7ª edição e compreende um conjunto de exposições realizado em duas etapas: a primeira, o Circuito das Artes Bahia; e a segunda o Triangulações. O projeto iniciou-se em 2013, com uma provocação feita a duas outras cidades – Brasília e Recife – a partir de um diálogo estabelecido entre as produções de arte contemporânea em cada localidade.
Para esta segunda edição, as interlocutoras escolhidas foram Belém e Maceió. O exercício agora proposto, em resposta à provocação operada pelas obras que compõem nosso panorama de diálogos possíveis, é o de pensar a sobreposição de dois triângulos: um formado pela ligação cartográfica dos pontos que unem as três capitais; e outro pelos vértices de três “manchas territoriais”, representados por três noções – de ressonância cartográfica, afinal estamos propondo um mapeamento idiossincrático – em torno das quais se operará a conversa entre as obras.
Marília Panitz, que já participa do projeto desde o ano passado, destaca seu caráter descentralizador ao propor novos eixos para debater a criação, produção, difusão e apreciação da arte contemporânea. “Queremos impulsionar a troca de experiências entre os artistas envolvidos e, é claro, presentear o público ávido a conhecer cores, formas e expressões dos talentos de cada localidade. A intenção é fortalecer a arte, aproximá-la do público, dar visibilidade nacional aos artistas regionais”, pondera Panitz.
Triangulando
A coordenadora geral do Circuito das Artes/Triangulações, Eneida Sanches, destaca que a iniciativa tem procurando estender os horizontes da visão que se tem da arte contemporânea brasileira, buscando a interação e o diálogo com artistas de diferentes regiões do país. “Estamos conseguindo promover um intercâmbio dos olhares diversos do país. Com esta iniciativa, identificamos técnicas, linguagens e temas comuns, diálogicos ou específicos de cada contexto. O resultado deste recorte e interseção é uma visão mais rica do panorama das nossas artes visuais”, comenta Sanches.
O mais interessante, de acordo com Marília Panitz, é que, ao mesmo tempo em que apaga fronteiras, a exposição lança questionamentos. “Até que ponto o que é produzido nas diferentes cidades, reflete em linguagens e expressões realmente distintas neste mundo em que a circulação de ideias é cada dia mais acelerada? Ainda temos mesmo um regionalismo tão aflorado assim?”, indaga.
No Pará, o projeto inclui a co-curadoria de Vânia Leal Machado. Alejandra Muñoz assina as curadorias de Alagoas, em conjunto com Geysa Brenner e Bahia. Embora toda delimitação seja restrita, esta exposição permite visualizar um cenário muito rico das produções locais, e a seleção dos artistas baianos para esta etapa de 2014 é representativa desta visão”, aponta Alejandra.
Eixos Curatoriais – Geografias Oblíquas
Geografias Obliquas - é formada pelas noções de Atravessamento, Deslocamento e Anamnese, termos que nomeiam as manchas territoriais propostas e que indicam certo tipo de movimento sugerido metaforicamente: diagonalidade, horizontalidade e verticalidade.
Atravessamento - inscrições do pensamento reúne obras nas quais o pensamento sobre a estrutura da linguagem – em termos conceituais, técnicos e de demanda dos materiais – se apresenta em primeiro plano como definidor da operação de concretização do objeto/ideia. O atravessamento aqui se refere ao movimento diagonal de transpor fronteiras entre campos de conhecimento como ferramenta de produção de arte.
Artistas:
Alba Vasconcelos (BA), Almandrade (BA), ALMO (BA), Eriel Araujo (BA), Florival Oliveira (BA), Armando Sobral (PA), Carla Evanovitch (PA), Elaine Arruda (PA), Orlando Manesky (PA), Dalton Costa (AL), Delson Uchôa (AL), Eva Le Campion (AL), Martha Araujo (AL), Rogério Gomes (AL) e Ulisses Locicks (AL)
Deslocamento - linhas do horizonte é um conjunto de obras que, por diferentes vieses trata das questões da horizontalidade da paisagem nos locais na beira do mar (e do rio-mar que atravessa a região norte). A ideia é pensar como este olhar que se espraia na linha reta do horizonte define a composição e o ritmo no trabalho. Também se propõe a lançar a hipótese de que a paisagem ao redor fornece certo repertório poético apresentado na obra. Deslocamento aqui é o movimento na horizontal, acompanhando a linha que divide o ar e a água. Dois azuis.
Artistas:
André Souza (BA), Andrew Kemp (BA), Paulo Coqueiro (BA), Rosa Bunchaft (BA), Alberto Bitar (PA), Alexandre Sequeira (PA), Armando Queiroz (PA), Claudia Leão (PA), Danielle Fonseca (PA), Nailana Thiely (PA), Alice Jardim (AL), Maria Amélia (AL), Marianna Bernardes (AL), Pedro Lucena (AL), Renata Voss (AL) e Ricardo Lêdo (AL)
Anamnese - passagens do tempo agrupa trabalhos que lidam com a questão da passagem do tempo e de passagens no tempo. Memória e projeção. Anotações e indicações. Ação política e ficção. Construção sócio histórica e arqueologia pessoal estão aqui confrontadas em um mesmo espaço de forma a discutir a pluralidade de relatos que nos configuram como possíveis grupos culturais. Anamsese é o movimento vertical, paradigmático, é o movimento da arqueologia e da emulação do que virá.
Artistas:
Anne Sol (BA), Coletivo Tríptico (BA), Evandro Sybine (BA), Josiltom Tomn (BA), Juliana Moraes (BA), Márcia Abreu (BA), Emanuel Franco (PA), Keila Sobral (PA), Melissa Barbery (PA), Nina Matos (PA), Pablo Mufarrej (PA), Herbert Loureiro (AL), Karla Melanias (AL), Marta Emília (AL)
DEBATE
Visando discutir o panorama da arte contemporârea, discutindo um pouco sobre a produção dos artistas dos três estados envolvidos na mostra, no encerramento do projeto haverá um debate com presença da equipe curatorial de Triangulações: Marília Panitz, Vânia Leal Machado, Geysa Brenner e Alejandra Muñoz. O debate será realizado no MAM, no dia 07 de novembro, ás 15 horas.
SERVIÇO:
SALVADOR
Abertura: 06/11, ás 19 horas
Visitação: 07 a 30/11
Debate: 07/11, ás 15 horas
MAM Bahia
Endereço: Solar do Unhão, Avenida Contorno, s/nº.
Horário de funcionamento: Terça a sexta, das 13h às 19h; Sábados, domingos e feriados, das 14h às 19h
Entrada gratuita.