Cabaceiras do Paraguaçu sedia o 14º Festival de Declamação de Poemas de Antônio de Castro Alves

10/03/2015

O festival acontece em 13 e 14/03 com novidades: a criação das categorias Infantil e Adulto e a abertura da mostra “Navio Negreiro de Castro Alves –


Um Drama em Gravuras, por Hansen Bahia”


 


Nos próximos dias 13 e 14 de março (Dia Nacional da Poesia, dia de nascimento de Castro Alves), o município de Cabaceiras do Paraguaçu, no Recôncavo baiano, recebe a 1ª Festival Infantil de Declamação de Poemas de Antônio de Castro Alves e a 14ª edição do Festival de Declamação de Poemas de Antônio de Castro Alves, uma iniciativa da Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (DIMUS/IPAC). O evento, que já é tradição na cidade, marca as comemorações dos 168 anos de nascimento do poeta Castro Alves e reúne pessoas de diversas regiões do estado e de todas as idades que prestam homenagem ao grande trovador baiano, autor de Espumas FlutuantesVozes D’África e O Navio Negreiro. O evento será realizado no Parque Histórico Castro Alves (PHCA), localizado na Fazenda Cabaceiras, local onde nasceu o poeta.

 

A novidade desde ano é que o festival será dividido nas categorias Infantil e Adulto. As declamações acontecem no dia 13/03. Na ocasião, os jurados analisam: originalidade (criatividade utilizada para a apresentação do poema), dicção (clareza das palavras pronunciadas na declamação), fluência verbal (correção e a pronúncia das palavras) e fidelidade ao texto (exatidão e o respeito a todos os versos e palavras do poema). Os jurados são: Eliene Josefa Diniz (Socióloga com experiência na área de Literatura), Celene Barbosa (Museóloga), Maria de Fátima Santos (Museóloga), Fátima Soledade (Museóloga), Cristiane Marque (Museóloga), Reiny Oliveira (Funcionária PHCA) e Eliete Teixeira (Funcionária PHCA).

 

A premiação dos vencedores acontece em 14 de março, após a alvorada, a missa festiva, a apresentação do grupo de choro “Morde Pimenta” e da sessão solene em homenagem ao poeta. Finalizam o dia mais homenagens a Castro Alves e a apresentação musical de Priscila Sales.

 

A diretora da DIMUS, Ana Liberato, explicou que o festival foi criado para homenagear o poeta Castro Alves e incentivar a juventude a usar a poesia para manifestar seus sentimentos. “Os poemas do grande poeta expressam o seu romantismo, o seu amor à pátria, além do intenso sentimento libertário”, acrescenta.

 

Mostra Hansen Bahia

 

Outra novidade deste ano é a abertura, em 13/03, também no Parque Histórico Castro Alves, da exposição “Navio Negreiro de Castro Alves – Um Drama em Gravuras, por Hansen Bahia”. A abertura da mostra terá início às 18h, após o Festival de Declamação de Poemas de Antônio de Castro Alves, e contará com apresentação da Filarmônica Lira Ceciliana de Cachoeira.
A mostra é composta de 20 xilogravuras de Hansen Bahia que retratam a dramaticidade social sentida na pele dos escravos: toda a aspereza, animalização e violência do tráfego negreiro. A técnica da xilogravura foi a escolhida por Hansen para representar a força de seus temas. Em uma entrevista, em 1971, afirmou: “a madeira tem sua própria linguagem”. Fica na sala multimídia do museu até 21 de abril.

 

 

SERVIÇO:

O que: 14º Festival de Declamação de Poemas de Antônio de Castro Alves

Quando: 13 e 14 de março                                                                        

Onde: Parque Histórico Castro Alves (PHCA)

Endereço: Praça Castro Alves, nº 106, Centro, Cabaceiras do Paraguaçu/ BA

Tel.: (75) 3681- 1102

Realização: PHCA/DIMUS/IPAC/ SECULT-BA

Gratuito     

 


Sobre o PHCA: Por conta do primeiro centenário da morte de Castro Alves, em março de 1971 foi inaugurado, no lugar onde ele nasceu, o museu biográfico Parque Histórico Castro Alves (PHCA), numa área de 52 mil metros quadrados. O acervo convida os visitantes a mergulharem no universo do porta-voz literário da Abolição da Escravatura no Brasil, através de seus poemas, informações e objetos pessoais dele e familiares. Além do museu, o parque contém um anexo com sala multimídia, auditório, biblioteca, infocentro, reserva técnica, refeitório e administrativo. Na área de Mata Nativa, os visitantes podem fazer uma trilha e visitarem o Pouso de Adelaide, o Anfiteatro, a “Cruz da Estrada”, a Fonte e o Marco da Fazenda. O público pode ainda usufruir dos projetos socioeducativos: Conhecendo as Nascentes; Sarau no Parque: Música, Poesia e Arte nos Finais de Tarde; Brincando no Parque como no Tempo de Nossos Avôs; Oficina de Teatro; Baú de Memórias e Sopa de Letras. Anualmente, o Parque também promove o Festival de Declamação de Poemas de Antônio Frederico de Castro Alves.Visitação: terça a sexta, das 9h às 12h e 14h às 17h. Fins de semana e feriados, das 9h às 14h. Entrada: grátis.

 

 

O poeta – Antônio de Castro Alves, mais conhecido como Castro Alves, o poeta dos escravos, nasceu na Bahia, dia 14 de março de 1847, na Fazenda Cabaceiras, comarca de Muritiba, hoje município de Cabaceiras do Paraguaçu. Famoso pelas fortes críticas à escravidão fez parte da Terceira Geração da Poesia Romântica (Social ou Condoreira), caracterizada pelos ideais abolicionistas e republicanos, sendo considerada a maior expressão da época. Suas obras são: Espumas Flutuantes, Gonzaga ou A Revolução de Minas, Cachoeira de Paulo Afonso, Vozes D'África, O Navio Negreiro, entre outras. Em 1862 ingressou na Faculdade de Direito de Recife, após ter feito o curso primário no Ginásio Baiano. É dessa época a composição dos primeiros poemas abolicionistas: Os Escravos e A Cachoeira de Paulo Afonso. Em 1867, retorna para a Bahia e segue, no mesmo ano, para o Rio de Janeiro, com incentivos promissores de José de Alencar, Francisco Otaviano e Machado de Assis. Depois, em São Paulo, encontrou a mais brilhante das gerações, a exemplo de Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Bias Fortes, para citar alguns dos notáveis. Neste período, viveu seus dias de maior glória. Em 11 de novembro de 1868, caçando nos arredores de São Paulo, feriu o calcanhar esquerdo com um tiro de espingarda, resultando-lhe na amputação do pé. Em seguida, contraiu tuberculose, obrigando-o a voltar à Bahia, onde morreu, em 1871.

 
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