O Parque Histórico Castro Alves, localizado em Cabaceiras do Paraguaçu no Recôncavo baiano, inaugura em 13/03 a exposição “Navio Negreiro de Castro Alves – Drama em Gravuras”, por Hansen Bahia. A abertura da mostra terá início às 18h, após o Festival de Declamação de Poemas de Antônio de Castro Alves, e contará com apresentação da Filarmônica Lira Ceciliana de Cachoeira.
A mostra, que é composta por 20 xilogravuras de Hansen Bahia, romove um encontro entre a obra do artista e o poema de Castro Alves, proporcionando a sensação de que a escrita e a imagem se completam, e retrata a dramaticidade social sentida na pele dos escravos: toda a aspereza, animalização e violência do tráfego negreiro. A técnica da xilogravura foi a escolhida por Hansen para representar a força de seus temas. Em uma entrevista, em 1971, afirmou: “a madeira tem sua própria linguagem”. A poesia e a gravura completam-se nesta evocação da exposição que fica em cartaz até 21 de abril.
Sobre o artista
Karl Heinz Hansen nasceu em Hamburgo, na Alemanha, em 1915. Seus primeiros trabalhos artísticos se deram a partir da década de 40 na área das artes visuais, utilizando a técnica da xilogravura, tendo o homem como seu grande tema. A paixão de Hansen pela Bahia se expressar em sua identidade artística, ao adotá-la nas assinaturas de suas obras de arte.
Este é o ano do centenário deste grande artista, que deixou assim como Castro Alves todo o seu legado para o Recôncavo Baiano e o mundo. É notável nas obras de Hansen o olhar voltado para questões sociais retratadas, por exemplo, nas series:Via Crucis do Pelourinho, No Drama do Calvário entre outras obras.
SERVIÇO:
O que: Abertura da exposição “Navio Negreiro de Castro Alves – Drama em Gravuras”, por Hansen Bahia
Quando: 13 de março, às 18h
Onde: Parque Histórico Castro Alves (PHCA)
Endereço: Praça Castro Alves, nº 106, Centro, Cabaceiras do Paraguaçu/ BA
Tel.: (75) 3681-1102
Realização: PHCA/DIMUS/IPAC/ SECULT-BA
Gratuito
14º Festival de Declamação de Poemas de Antônio de Castro Alves
Nos próximos dias 13 e 14 de março (Dia Nacional da Poesia, dia de nascimento de Castro Alves), o município de Cabaceiras do Paraguaçu, no Recôncavo baiano, recebe a 14ª edição do Festival de Declamação de Poemas de Antônio de Castro Alves, uma iniciativa da Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (DIMUS/IPAC). O evento, que já é tradição na cidade, marca as comemorações dos 168 anos de nascimento do poeta Castro Alves e será realizado no Parque Histórico Castro Alves (PHCA), localizado na Fazenda Cabaceiras, local onde nasceu o poeta.
Dia 13 acontece a declamação por parte dos inscritos. A novidade desde ano é que o festival será dividido nas categorias Infantil e Adulto. Já a premiação acontece em 14 de março, quando os cinco primeiros colocados se apresentam no final da manhã. No período da tarde, acontecem outras homenagens ao poeta.
A diretora da DIMUS, Ana Liberato, explicou que o festival foi criado para homenagear o poeta Castro Alves e incentivar a juventude a usar a poesia para manifestar seus sentimentos. “Os poemas do grande poeta expressam o seu romantismo, o seu amor à pátria, além do intenso sentimento libertário”, acrescenta.
Sobre o PHCA: Por conta do primeiro centenário da morte de Castro Alves, em março de 1971 foi inaugurado, no lugar onde ele nasceu, o museu biográfico Parque Histórico Castro Alves (PHCA), numa área de 52 mil metros quadrados. O acervo convida os visitantes a mergulharem no universo do porta-voz literário da Abolição da Escravatura no Brasil. Visitação: terça a sexta, das 9h às 12h e 14h às 17h. Fins de semana e feriados, das 9h às 14h. Entrada: grátis.
O poeta – Antônio de Castro Alves, mais conhecido como Castro Alves, o poeta dos escravos, nasceu na Bahia, dia 14 de março de 1847, na Fazenda Cabaceiras, comarca de Muritiba, hoje município de Cabaceiras do Paraguaçu. Famoso pelas fortes críticas à escravidão fez parte da Terceira Geração da Poesia Romântica (Social ou Condoreira), caracterizada pelos ideais abolicionistas e republicanos, sendo considerada a maior expressão da época. Suas obras são: Espumas Flutuantes, Gonzaga ou A Revolução de Minas, Cachoeira de Paulo Afonso, Vozes D’África, O Navio Negreiro, entre outras. Em 1862 ingressou na Faculdade de Direito de Recife, após ter feito o curso primário no Ginásio Baiano. É dessa época a composição dos primeiros poemas abolicionistas: Os Escravos e A Cachoeira de Paulo Afonso. Em 1867, retorna para a Bahia e segue, no mesmo ano, para o Rio de Janeiro, com incentivos promissores de José de Alencar, Francisco Otaviano e Machado de Assis. Depois, em São Paulo, encontrou a mais brilhante das gerações, a exemplo de Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Bias Fortes, para citar alguns dos notáveis. Neste período, viveu seus dias de maior glória. Em 11 de novembro de 1868, caçando nos arredores de São Paulo, feriu o calcanhar esquerdo com um tiro de espingarda, resultando-lhe na amputação do pé. Em seguida, contraiu tuberculose, obrigando-o a voltar à Bahia, onde morreu, em 1871.
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