SAGRADA GEOMETRIA - a maior e mais completa biografia de Rubem Valentim será lançada no MAM nesta terça (20)

15/12/2022

O evento que acontece às 17h no Espaço Rubem Valentim do MAM-Bahia, contará com palestra ilustrada do autor, o artista, curador e pesquisador paraense Bené Fonteles, seguida de lançamento do Livro


 


Com 292 páginas, capa dura colorida, em formato 21 x 27cm e com versões português/inglês o livro ‘Rubem Valentim: sagrada geometria’ será lançado pela primeira vez na Bahia, nesta terça-feira (20), às 17h, no Espaço Rubem Valentim do Museu de Arte Moderna (MAM-Bahia) com palestra ilustrada do autor, o artista, curador e pesquisador paraense, Bené Fonteles. Bené foi um amigo muito próximo de Valentim e acompanhou por duas décadas o trabalho desse artista. A publicação é ricamente ilustrada por cerca de 100 obras de Valentim, entre pinturas, desenhos e seus ‘objetos’ com pintura sobre madeira, pertencentes a acervos de importantes museus do Brasil e do exterior e coleções privadas. Apresenta ainda um ensaio fotográfico de Christian Cravo.

 

A publicação é considerada a mais completa biografia e que engloba a totalidade das obras do artista baiano Rubem Valentim (1922-1991). O livro tem ainda textos de importantes críticos, pesquisadores e personalidades brasileiras e estrangeiras sobre Valentim, como Ferreira Gullar, Giulio Carlo Argan, Mário Pedrosa, Theon Spanudis, Roberto Pontual, Clarival do Prado Valladares, Antônio Bento, Frederico Morais, Alberto Beuttenmüller, Iordan Chimet, Olívio Tavares de Araújo, Emanoel Araújo e Paulo Herkenhoff.

 

O Espaço Rubem Valentim onde acontecerá o lançamento foi reinaugurado pelo MAM no final de novembro deste ano (2022) comemorando o Centenário de nascimento de Valentim e encerrando as programações do MAM-Bahia em homenagem a ‘Semana de Arte Moderna de 1922’. “Para o museu é uma honra receber um artista e pesquisador como Bené Fonteles, lançando uma obra que já é considerada uma referência nos estudos sobre o nosso conterrâneo Valentim”, destaca o diretor do MAM, Pola Ribeiro. Ele explica que o MAM detém obras do artista integrando o Acervo permanente do museu: o conjunto ‘Templo de Oxalá’ doado pela esposa do artista, Lúcia Alencastro, em 1997, e considerado a mais emblemática realização da carreira de Valentim.

 

O AUTOR – Artista, escritor, curador, pesquisador e poeta, José Benedito Fonteles nasceu em Bragança (Pará) em 1953 e inicia sua carreira em 1971, expondo no 3º Salão Nacional de Artes Plásticas do Ceará. Durante as décadas de 1970 e 1980, integra diversas exposições coletivas, nacionais e internacionais, incluindo quatro edições da Bienal de São Paulo (1973, 1975, 1977 e 1981). Entre 1983 e 1986, dirige o Museu de Arte e de Cultura Popular da Universidade Federal do Mato Grosso.

 

Em 1991, muda-se para Brasília, onde mantém atuação como ativista ecológico e organizador de eventos artísticos. Em 1997, organiza a montagem da sala especial do artista baiano Rubem Valentim no MAM-Bahia. Dentre suas publicações estão ‘O Livro do Ser’ (1994), ‘Giluminoso - A Po.Ética do Ser’ (1999), sobre Gilberto Gil, e ‘O Artista da Luz’ (2001), sobre Rubem Valentim. Em 2003, recebe da Presidência da República a comenda Ordem do Mérito Cultural. Tem obras expostas em acervos dos museus de arte moderna de São Paulo, Rio, Nova Iorque, Paris e Bahia.

 

Com edição de Camila Perlingeiro e coordenação geral de Luli Hunt, a publicação do livro busca preencher uma lacuna na história da arte sobre Valentim. O patrocínio é do Itaú Cultural, a partir da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Secretaria de Cultura/Ministério do Turismo). Mais informações sobre o MAM-Bahia via telefones (71) 31176132 e 31176139 (segunda a sexta, 9h às 12h e 13h às 15h). Acesse o instagram @bahiamam e site www.mam.ba.gov.br.

 

ANEXO – RUBEM VALENTIM - Rubem Valentim nasceu em Salvador em 1922, começou sua trajetória nos anos 1940 como pintor autodidata e participou dos movimentos de correntes modernas da arte baiana, ao lado de Mario Cravo Júnior, Carlos Bastos e Sante Scaldaferri, dentre outros. Desde os anos 1950, iniciou pesquisa relacionada às matrizes africanas, sobretudo sobre símbolos e ferramentas dos Orixás. Em 1966, participou do Festival Mundial de Artes Negras no Senegal. Tem uma escultura em concreto na Praça da Sé de São Paulo e o ‘Templo de Oxalá’ foi um dos grandes destaques da 16ª Bienal Internacional de São Paulo (1977).

O artista completaria 100 anos em novembro, por isso a escolha do MAM em reinaugurar o Espaço agora, com lançamento de filme e catálogo. Na publicação há ainda cronologia ilustrada com fotos, assinada por Claudia Fazzolari, que perpassa a vida de Valentim desde o nascimento, principais trabalhos, projetos e exposições no Brasil e no mundo, além de textos dos críticos Frederico Morais, Theon Spanudis e Alberto Beuttenmuller.

De acordo com o curador do MAM, Daniel Rangel, Valentim explicita o sincretismo religioso brasileiro de maneira abstrata e geométrica, a partir de elementos simbólicos da cultura popular e da semiótica afro-brasileira do candomblé. “Valentim buscava uma conexão sagrada sempre complementada com a estética e, com isso, temos esse conjunto de obras excepcional e seminal na arte brasileira que ele nos deixou”, diz Rangel.
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