19/12/2014
O Secretário de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), Albino Rubim, acompanhado por parlamentares, dirigentes e técnicos estaduais, realizou na manhã dessa sexta-feira,dia 19, visita às obras de reforma do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), localizado no complexo arquitetônico do Solar do Unhão, às margens da Baía de Todos os Santos, em Salvador.
Esta é considerada a mais importante intervenção predial já realizada no MAM nos últimos 50 anos, desde a sua criação no início da década de 1960. As construções mais antigas do MAM remontam ao século XVII quando ali funcionou um engenho. A reforma busca resgatar parte do projeto original que a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (Roma/Itália 4.12.1914, São Paulo/Brasil 20.03.1992) criou para o conjunto histórico do Unhão na década de 1960.
"A reforma é parte do processo de fortalecimento da institucionalidade cultural, que é uma das diretrizes da SecultBA, e inclui o bom estado dos equipamentos públicos”, diz Albino Rubim. Ele explica que esta é a maior obra já realizada no local, desde que o MAM foi inaugurado com projeto de Lina Bardi. “Essa obra é importante não apenas porque recupera o casarão, a capela, o galpão e o Parque de Esculturas, mas porque resolve graves problemas de umidade e cria uma reserva técnica para o museu".
A obras estão sendo realizadas em duas etapas pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), autarquia da SecultBA que administra o complexo e todos os museus estaduais, como o Palácio da Aclamação, nas imediações do Forte de São Pedro, o Palacete das Artes, no bairro da Graça, o Centro Cultural Solar Ferrão, no Pelourinho, dentre outros.
TESOURO ESTADUAL – A primeira etapa é física-estrutural e a segunda – a ser realizada em 2015 – contempla outras melhorias como climatização e ações técnico-funcionais. Na primeira, foram investidos R$ 7,5 milhões, que incluíram a restauração da capela, da galeria 1 (galpão do cinema e reserva técnica) e a passarela do Parque das Esculturas.
Já a segunda etapa tem investimento previsto de R$ 8 milhões para reforma e requalificação de espaços como o casarão, as oficinas do MAM, a galeria 3, os famosos arcos criados pelo arquiteto Diógenes Rebouças e o Parque das Esculturas. Nessa segunda fase será implantada ainda a subestação de energia, reformas de sanitários, vestiários, sala da diretoria e implantada climatização em todos os ambientes fechados do complexo. Os recursos são exclusivos do Tesouro estadual.
ACERVO – A diretora geral do IPAC, Elisabete Gándara, ressalta que nesta primeira etapa, uma das realizações mais importantes é a criação de uma Reserva Técnica profissional. “Nesse meio século de existência o MAM nunca dispôs de um local tecnicamente adequado para a guarda permanente do seu acervo que hoje reúne cerca de 1,2 mil obras de arte modernas e contemporâneas”, comenta Elisabete.
Esse número vai aumentar com as novas obras adquiridas pela Bienal da Bahia, realizada neste ano (2014), igualmente via SecultBA/IPAC, em parceria com a Fundação Hansen Bahia. A diretora do IPAC relata ainda que nos últimos anos, por condições de segurança, o acervo do MAM foi transferido para o Palacete das Artes – também administrado pelo Instituto – em função de possíveis prejuízos pela ausência de um espaço adequado para guardá-lo.
“Durante a reforma o MAM também não foi fechado, funcionando e abrindo espaços de acordo as possibilidades do cronograma da intervenção”, acrescenta a diretora. Outro problema resolvido foram graves infiltrações que comprometiam a sala de cinema e a administração. Elisabete lembra que o conjunto do Unhão é tombado como Bem Cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1943.
Além de ser considerado o principal espaço para a arte contemporânea da Bahia, o MAM sedia várias mostras temporárias simultâneas, exposições permanentes, eventos artísticos diversos, como o ‘Jazz no MAM’ e o ‘Pinte no MAM’, além de dispor de um café. O local é, ainda, um dos principais pontos de visitação turística da capital baiana. Sua frequência chega a cerca de 200 mil pessoas/ano.
ATERROS, ROCHA e MAR
Para o arquiteto do IPAC, Adolfo Roriz, que fiscaliza a obra, essa intervenção detém certa complexidade devido à localização geotopográfica do conjunto do Unhão. “Ele está implantado sobre o mar e no final de um grande declive que integra a divisão entre as Cidades Alta e Baixa, em Salvador, fazendo com que reúna muita umidade e obrigando à construção de aterros sequenciais ao longo dos séculos para utilizá-lo com a presença humana, especialmente, na reforma da década de 1960”, relata o especialista.
O casarão, o edifício que hoje ocupa a reserva técnica e parte da administração, a galeria das Oficinas, a Capela e parte da Galeria 1, estariam sob essas condições. Já outros, como boa parte da Galeria 1 está assentada sobre rochas. Os arcos construídos na parte mais alta, sob a Avenida Contorno projetada pelo arquiteto modernista Diógenes Rebouças também está sob rochas.
“Esse conjunto está infiltrado geologicamente nesta situação, o que nos faz pensar sobre serviços e contenções necessárias para conter tanto as águas pluviais que chegam pela encosta, como a água do mar que via seu movimento típico invade sempre o aterro”, afirma Roriz. Por isso, são necessárias intervenções especiais dentro do campo da restauração, principalmente com relação à umidade, a infiltrações e também com relação à própria estrutura de fundação das edificações. Ele destaca a importância do Unhão por ser tombado pelo Ministério da Cultura como Patrimônio do Brasil. “Este é um bem cultural nacional”, completa.
“O projeto dessa nova reforma é do arquiteto paulista André Weiner, contemplando a conservação e a manutenção do patrimônio, mas também modernizando o conjunto arquitetônico, adequando-o às novas leis, como a lei de acessibilidade de pessoas com deficiência, dentre outras”, diz Roriz.
Além disso, o MAM, o Museu de Arte da Bahia vai ser dotado de todos os recursos tecnológicos que atendam à segurança das edificações e das pessoas. Então estão sendo feitas instalações de sistema de prevenção e combate a incêndios dentro das normas atuais. “Estamos introduzindo sistema de captação, canalizando as águas para reservatórios elevados, para evitar infiltração da Galeria 1”, diz Roriz. Será colocado ainda um sistema de gás, para manutenção da cozinha industrial, um sistema de proteção acústica do cinema, forros. O MAM vai ter todo o sistema de proteção e segurança técnica adequada, como detector de fumaça, dentre outros itens.
HISTÓRIA
O conjunto do Unhão foi construído ao longo de três séculos (XVII, XVIII e XIX). Embora situado praticamente dentro da cidade, esse conjunto era um complexo agroindustrial do mesmo gênero dos engenhos de açúcar, com casa grande, capela e senzala.
Seu extenso cais e armazéns fazem supor que sua função fosse a de recolher e exportar a produção de engenhos do Recôncavo. O inventário do Visconde da Torre de Garcia D'Ávila refere-se a um grande alambique ainda funcionando em 1853, provavelmente com o mel enviado do Recôncavo. Até aquela época o solar só possuía dois pavimentos e "água furtada em ambas as frentes com três janelas e duas nos lados laterais".
Sua distribuição funcional segue o esquema vigente em todo o período colonial: térreo, utilizado como serviço; 1º andar, ocupado pela família; água furtada, utilizada como dormitório de criados. A planta da capela (1794) é típica das igrejas matrizes e de irmandade do começo do século XVIII, apresentando, porém, uma particularidade: nave e capela-mor da mesma largura e altura. Sua fachada rococó tardio deve ser do século XIX. Terminações das torres inspiradas nas coberturas à Mansard, semelhante às das igrejas de N. S. do Pilar e Convento do Carmo. (FONTE: Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia – IPAC).
CRONOLOGIA
1584 - Gabriel Soares de Souza doa, por testamento, aos Beneditinos, o terreno em que se encontra a fonte que perpetuou o seu nome;
1690 - Residia aí o desembargador Pedro de Unhão Castelo Branco.
Em princípios de 1700 foi comprado por José Pires de Carvalho e Albuquerque, o velho, que estabeleceu morgado;
1740 - 1ª referência à capela - batizado de uma neta do proprietário;
1757 - O Pe. Manuel de Lima (da Vitória) descreve a capela com fachada para o poente;
1759 - Salvador Pires de Carvalho e Albuquerque sucede o pai (José) na posse do morgado. Passa a seguir, a seu filho José Pires de Carvalho Albuquerque (o II), e deste para o sobrinho e genro, de igual nome, Secretário de Estado, a quem Vilhena se refere;
1787 - Vistoria da Câmara a uma vala que deveria lançar suas águas no aqueduto que atravessava a fazenda Unhão;
1794 - A igreja é reedificada. No começo do séc. XIX, a propriedade pertencia a Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, Visconde da T. de Garcia D'Ávila;
1816 - O suíço Meuron instala fábrica de rapé, que funciona até 1926;
1853 - Morto o Visconde, passa à sua filha casada com Antônio Muniz Barreto de Aragão;
1880 - Ainda se rezava missa na capela;
1917 - É vendida a Clemente Pinto de Oliveira Mendes;
1928 - Passa a Valeriano Porfiro de Souza, que a transformou no trapiche Sta. Luzia. Seus descendentes venderiam depois para o Estado.
Restaurações e intervenções realizadas:
1946 - Obras de estabilização, conservação e limpeza;
1959 - O Governo do Estado decide construir a Avenida de Contorno, ligando os bairros do Comércio e Barra. O IPHAN promove vistoria no local e adverte sobre os perigos para o conjunto;
1960 - São iniciadas as obras da Avenida do Contorno, cujo projeto previa uma das pistas passando entre o solar e a capela e a outra destruindo o aqueduto e fonte, o que provoca reação da imprensa. Arq. Diógenes Rebouças propõe um traçado alternativo da avenida, ligando o Comércio ao Vale do Canela, que não interferia no solar;
1962/63 - O conjunto é restaurado pelo Gov. do Estado, para sede do M. de Arte Popular da Bahia, sendo o projeto elaborado pela arq. Lina Bo Bardi e aprovado pelo IPHAN. Nesta oportunidade, foi criada escada helicoidal de ligação do 1º com o 2º andar, obra de notável desenho contemporâneo. Na igreja e em alguns pavilhões foi substituído o reboco por "chapiscado", então em voga, por influência do Brutalismo.
Assessoria de Comunicação – IPAC – em 19.12.2014
Jornalista responsável – Geraldo Moniz (DRT-BA nº 1498)
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Esta é considerada a mais importante intervenção predial já realizada no MAM nos últimos 50 anos, desde a sua criação no início da década de 1960. As construções mais antigas do MAM remontam ao século XVII quando ali funcionou um engenho. A reforma busca resgatar parte do projeto original que a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (Roma/Itália 4.12.1914, São Paulo/Brasil 20.03.1992) criou para o conjunto histórico do Unhão na década de 1960.
"A reforma é parte do processo de fortalecimento da institucionalidade cultural, que é uma das diretrizes da SecultBA, e inclui o bom estado dos equipamentos públicos”, diz Albino Rubim. Ele explica que esta é a maior obra já realizada no local, desde que o MAM foi inaugurado com projeto de Lina Bardi. “Essa obra é importante não apenas porque recupera o casarão, a capela, o galpão e o Parque de Esculturas, mas porque resolve graves problemas de umidade e cria uma reserva técnica para o museu".
A obras estão sendo realizadas em duas etapas pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), autarquia da SecultBA que administra o complexo e todos os museus estaduais, como o Palácio da Aclamação, nas imediações do Forte de São Pedro, o Palacete das Artes, no bairro da Graça, o Centro Cultural Solar Ferrão, no Pelourinho, dentre outros.
TESOURO ESTADUAL – A primeira etapa é física-estrutural e a segunda – a ser realizada em 2015 – contempla outras melhorias como climatização e ações técnico-funcionais. Na primeira, foram investidos R$ 7,5 milhões, que incluíram a restauração da capela, da galeria 1 (galpão do cinema e reserva técnica) e a passarela do Parque das Esculturas.
Já a segunda etapa tem investimento previsto de R$ 8 milhões para reforma e requalificação de espaços como o casarão, as oficinas do MAM, a galeria 3, os famosos arcos criados pelo arquiteto Diógenes Rebouças e o Parque das Esculturas. Nessa segunda fase será implantada ainda a subestação de energia, reformas de sanitários, vestiários, sala da diretoria e implantada climatização em todos os ambientes fechados do complexo. Os recursos são exclusivos do Tesouro estadual.
ACERVO – A diretora geral do IPAC, Elisabete Gándara, ressalta que nesta primeira etapa, uma das realizações mais importantes é a criação de uma Reserva Técnica profissional. “Nesse meio século de existência o MAM nunca dispôs de um local tecnicamente adequado para a guarda permanente do seu acervo que hoje reúne cerca de 1,2 mil obras de arte modernas e contemporâneas”, comenta Elisabete.
Esse número vai aumentar com as novas obras adquiridas pela Bienal da Bahia, realizada neste ano (2014), igualmente via SecultBA/IPAC, em parceria com a Fundação Hansen Bahia. A diretora do IPAC relata ainda que nos últimos anos, por condições de segurança, o acervo do MAM foi transferido para o Palacete das Artes – também administrado pelo Instituto – em função de possíveis prejuízos pela ausência de um espaço adequado para guardá-lo.
“Durante a reforma o MAM também não foi fechado, funcionando e abrindo espaços de acordo as possibilidades do cronograma da intervenção”, acrescenta a diretora. Outro problema resolvido foram graves infiltrações que comprometiam a sala de cinema e a administração. Elisabete lembra que o conjunto do Unhão é tombado como Bem Cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1943.
Além de ser considerado o principal espaço para a arte contemporânea da Bahia, o MAM sedia várias mostras temporárias simultâneas, exposições permanentes, eventos artísticos diversos, como o ‘Jazz no MAM’ e o ‘Pinte no MAM’, além de dispor de um café. O local é, ainda, um dos principais pontos de visitação turística da capital baiana. Sua frequência chega a cerca de 200 mil pessoas/ano.
ATERROS, ROCHA e MAR
Para o arquiteto do IPAC, Adolfo Roriz, que fiscaliza a obra, essa intervenção detém certa complexidade devido à localização geotopográfica do conjunto do Unhão. “Ele está implantado sobre o mar e no final de um grande declive que integra a divisão entre as Cidades Alta e Baixa, em Salvador, fazendo com que reúna muita umidade e obrigando à construção de aterros sequenciais ao longo dos séculos para utilizá-lo com a presença humana, especialmente, na reforma da década de 1960”, relata o especialista.
O casarão, o edifício que hoje ocupa a reserva técnica e parte da administração, a galeria das Oficinas, a Capela e parte da Galeria 1, estariam sob essas condições. Já outros, como boa parte da Galeria 1 está assentada sobre rochas. Os arcos construídos na parte mais alta, sob a Avenida Contorno projetada pelo arquiteto modernista Diógenes Rebouças também está sob rochas.
“Esse conjunto está infiltrado geologicamente nesta situação, o que nos faz pensar sobre serviços e contenções necessárias para conter tanto as águas pluviais que chegam pela encosta, como a água do mar que via seu movimento típico invade sempre o aterro”, afirma Roriz. Por isso, são necessárias intervenções especiais dentro do campo da restauração, principalmente com relação à umidade, a infiltrações e também com relação à própria estrutura de fundação das edificações. Ele destaca a importância do Unhão por ser tombado pelo Ministério da Cultura como Patrimônio do Brasil. “Este é um bem cultural nacional”, completa.
“O projeto dessa nova reforma é do arquiteto paulista André Weiner, contemplando a conservação e a manutenção do patrimônio, mas também modernizando o conjunto arquitetônico, adequando-o às novas leis, como a lei de acessibilidade de pessoas com deficiência, dentre outras”, diz Roriz.
Além disso, o MAM, o Museu de Arte da Bahia vai ser dotado de todos os recursos tecnológicos que atendam à segurança das edificações e das pessoas. Então estão sendo feitas instalações de sistema de prevenção e combate a incêndios dentro das normas atuais. “Estamos introduzindo sistema de captação, canalizando as águas para reservatórios elevados, para evitar infiltração da Galeria 1”, diz Roriz. Será colocado ainda um sistema de gás, para manutenção da cozinha industrial, um sistema de proteção acústica do cinema, forros. O MAM vai ter todo o sistema de proteção e segurança técnica adequada, como detector de fumaça, dentre outros itens.
HISTÓRIA
O conjunto do Unhão foi construído ao longo de três séculos (XVII, XVIII e XIX). Embora situado praticamente dentro da cidade, esse conjunto era um complexo agroindustrial do mesmo gênero dos engenhos de açúcar, com casa grande, capela e senzala.
Seu extenso cais e armazéns fazem supor que sua função fosse a de recolher e exportar a produção de engenhos do Recôncavo. O inventário do Visconde da Torre de Garcia D'Ávila refere-se a um grande alambique ainda funcionando em 1853, provavelmente com o mel enviado do Recôncavo. Até aquela época o solar só possuía dois pavimentos e "água furtada em ambas as frentes com três janelas e duas nos lados laterais".
Sua distribuição funcional segue o esquema vigente em todo o período colonial: térreo, utilizado como serviço; 1º andar, ocupado pela família; água furtada, utilizada como dormitório de criados. A planta da capela (1794) é típica das igrejas matrizes e de irmandade do começo do século XVIII, apresentando, porém, uma particularidade: nave e capela-mor da mesma largura e altura. Sua fachada rococó tardio deve ser do século XIX. Terminações das torres inspiradas nas coberturas à Mansard, semelhante às das igrejas de N. S. do Pilar e Convento do Carmo. (FONTE: Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia – IPAC).
CRONOLOGIA
1584 - Gabriel Soares de Souza doa, por testamento, aos Beneditinos, o terreno em que se encontra a fonte que perpetuou o seu nome;
1690 - Residia aí o desembargador Pedro de Unhão Castelo Branco.
Em princípios de 1700 foi comprado por José Pires de Carvalho e Albuquerque, o velho, que estabeleceu morgado;
1740 - 1ª referência à capela - batizado de uma neta do proprietário;
1757 - O Pe. Manuel de Lima (da Vitória) descreve a capela com fachada para o poente;
1759 - Salvador Pires de Carvalho e Albuquerque sucede o pai (José) na posse do morgado. Passa a seguir, a seu filho José Pires de Carvalho Albuquerque (o II), e deste para o sobrinho e genro, de igual nome, Secretário de Estado, a quem Vilhena se refere;
1787 - Vistoria da Câmara a uma vala que deveria lançar suas águas no aqueduto que atravessava a fazenda Unhão;
1794 - A igreja é reedificada. No começo do séc. XIX, a propriedade pertencia a Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, Visconde da T. de Garcia D'Ávila;
1816 - O suíço Meuron instala fábrica de rapé, que funciona até 1926;
1853 - Morto o Visconde, passa à sua filha casada com Antônio Muniz Barreto de Aragão;
1880 - Ainda se rezava missa na capela;
1917 - É vendida a Clemente Pinto de Oliveira Mendes;
1928 - Passa a Valeriano Porfiro de Souza, que a transformou no trapiche Sta. Luzia. Seus descendentes venderiam depois para o Estado.
Restaurações e intervenções realizadas:
1946 - Obras de estabilização, conservação e limpeza;
1959 - O Governo do Estado decide construir a Avenida de Contorno, ligando os bairros do Comércio e Barra. O IPHAN promove vistoria no local e adverte sobre os perigos para o conjunto;
1960 - São iniciadas as obras da Avenida do Contorno, cujo projeto previa uma das pistas passando entre o solar e a capela e a outra destruindo o aqueduto e fonte, o que provoca reação da imprensa. Arq. Diógenes Rebouças propõe um traçado alternativo da avenida, ligando o Comércio ao Vale do Canela, que não interferia no solar;
1962/63 - O conjunto é restaurado pelo Gov. do Estado, para sede do M. de Arte Popular da Bahia, sendo o projeto elaborado pela arq. Lina Bo Bardi e aprovado pelo IPHAN. Nesta oportunidade, foi criada escada helicoidal de ligação do 1º com o 2º andar, obra de notável desenho contemporâneo. Na igreja e em alguns pavilhões foi substituído o reboco por "chapiscado", então em voga, por influência do Brutalismo.
Assessoria de Comunicação – IPAC – em 19.12.2014
Jornalista responsável – Geraldo Moniz (DRT-BA nº 1498)
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