Solar Ferrão recebe professores da SEC

30/09/2013
Professores da Escola Parque, do complexo educacional Carneiro Ribeiro da Secretaria da Educação do Estado (SEC), visitam amanhã (01), às 10h, o Centro Cultural Solar Ferrão, no Pelourinho, em Salvador. A edificação em estilo colonial-barroco tem seis andares, ocupa um declive natural entre o Pelourinho e a Baixa dos Sapateiros (Av. J.J.Seabra) e é tombada individualmente como Patrimônio do Brasil pelo Ministério da Cultura (MinC) desde 1938.

Considerada uma das edificações mais importantes do Centro Histórico de Salvador, o Solar Ferrão começou a ser construído no final do século XVII e início do século XVIII, como uma ‘casa nobre’, remontando à época em que os sobrados e solares eram símbolos de prestígio dos grupos sociais economicamente mais favorecidos. Hoje, o prédio abriga quatro coleções de arte – sacra, popular, africana e musical –, uma galeria de arte e é administrado pela Diretoria de Museus (Dimus) do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), da Secretaria de Cultura do Estado (Secult-BA).

PARCERIA – “Essa visita de professores atende mais uma etapa do projeto de Educação Patrimonial desenvolvido em parceria com a Escola Parque”, explica a assessora técnica do Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), Milena Rocha.

Os professores da SEC já conheceram o Projeto Visitas Guiadas no Palácio Rio Branco – iniciativa do IPAC com a Fundação Pedro Calmon –, e o Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica, também do IPAC. Na Escola Parque, o IPAC restaura sete painéis, murais e afrescos de pintores modernistas com investimento de R$ 755 mil do Tesouro estadual.

Nessa visita, os educadores visitarão a Coleção de Instrumentos Musicais Walter Smetak, suíço que marcou a história da música brasileira, influenciando movimentos como a Tropicália. Além dos instrumentos musicais criados por ele e considerados obras de arte por críticos e pesquisadores, também estão expostas partituras e objetos pessoais do artista, que viveu na Bahia entre 1937 e 1984.

Outras atrações do Solar Ferrão que os professores terão acesso são a coleção da arquiteta Lina Bo Bardi que reúne peças representativas da cultura popular do Nordeste coletadas entre as décadas de 50 e 60; e a Coleção Claudio Masella, que mostra a riqueza estética e a diversidade da produção cultural africana do século XX.

IDENTIDADE – Espaço dinâmico de arte, cultura e memória, o Ferrão foi reaberto pela Secult-BA em setembro de 2008, sob um novo conceito, propenso a agregar diversificados conceitos artísticos. O centro cultural abriga em salas distintas peças de arte sacra do Museu Abelardo Rodrigues; de arte africana, da coleção Claudio Masella; e de arte popular, da coleção Lina Bo Bardi. O encontro entre essas expressões artísticas possibilita diálogo entre as matrizes identitárias da formação do povo brasileiro: a portuguesa, a africana e a indígena.

A assessora do IPAC, Milena Rocha, destaca que esta é mais uma oportunidade dos professores manterem contato com importantes acervos culturais e entenderem como funciona os museus do IPAC. “Visamos a conscientização do patrimônio e uma futura implantação do projeto Visitas Guiadas na Escola Parque”, ressalta.

Outras informações sobre os painéis, murais e afrescos da Escola Parque, são fornecidos na Coordenação de Restauro (Cores) do IPAC, no telefone (71) 3117-6386. Sobre o projeto com a Escola Parque, procurar a ASTEC/IPAC no telefone (71) 3117-7497. Mais dados sobre outros projetos, programas e obras do IPAC no sitewww.ipac.ba.gov.br, no facebook Ipacba Patrimônio e no twitter @ipac_ba.

 

Box Opcional: Walter Smetak - Professor, artista visual, místico, violoncelista, criador de instrumentos-esculturas, filósofo, utopista, profeta, visionário. Ele nasceu na Suíça em 1913 (filhos de ciganos tchecos), e radicou-se no Brasil em 1937, falecendo em Salvador no ano de 1984, por conta dos efeitos de um enfisema pulmonar. Lecionou na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, influenciando toda uma geração de artistas, a exemplo de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Rogério Duarte, Tom Zé e Tuzé de Abreu. Também têm Smetak como inspiração grupos como o mineiro Uakti e Adriana Calcanhoto, que em uma de suas músicas toca o “Piston Cretino” de Smetak. Sua obra abordou questões relevantes para a produção musical do século XX, ligadas à experimentação, aos microtons, ao não temperamento da escala musical, à improvisação, etc. Recebeu o prêmio de Personalidade Global do ano para música, da Rede Globo de Televisão, em 1974 e, neste mesmo período, fez as peças Vir a Ser, A Caverna, A Quadratura do Círculo, O Erotismo do Canhoto, A Corrente, Akwas, Dois Mendigos e Sarabanda. Recebeu a Ordem do Mérito Cultural na classe de Grã-Cruz, em reconhecimento a sua contribuição à cultura brasileira, ao lado de nomes como Abdias do Nascimento, Cartola, Dodô e Osmar, Glauber Rocha, Grande Otelo, Hélio Oiticica, Lina Bo Bardi, Luiz Gonzaga e Tom Jobim. Smetak deixou também trabalhos na área da Educação, Antropologia e Sociologia. Escreveu os livros Retorno ao Futuro (1982) e Simbologia dos Instrumentos (2001). Também foram lançados os discos Walter Smetak (1973), pela Philips, produzido por Caetano Veloso e Interregno (1980), patrocinado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia.

 

Assessoria de Comunicação – IPAC, em 30.09.2013

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