
O Zambiapunga foi reconhecido como Patrimônio Imaterial da Bahia através de decreto publicado no Diário Oficial do Estado em 30 de novembro de 2018. A manifestação inscrita no Livro do Registro Especial das Expressões Lúdicas e Artísticas, representa um dos mais importantes símbolos da identidade cultural do Baixo Sul. O reconhecimento concedido pelo IPAC destaca o valor histórico e social dessa tradição, que há gerações mantém viva a memória e os saberes da comunidade nilopeçanhense.
Originário dos povos bantos do Congo e de Angola, o Zambiapunga é uma expressão que une o sagrado e o profano em um ritual de resistência e espiritualidade. Na madrugada de 1º de novembro, grupos mascarados percorrem as ruas da cidade ao som de enxadas, caixas, cuícas e búzios, evocando uma atmosfera de purificação e celebração da ancestralidade.
O nome “Zambiapunga” deriva do termo banto “Nzambi ampunga”, que significa “Deus Todo-Poderoso”, representando a conexão espiritual entre o humano e o divino.
A arte das máscaras e os significados das cores
As máscaras, elementos centrais do cortejo, são confeccionadas artesanalmente com lama e papel, depois secas e pintadas em cores intensas como vermelho e preto. Esse processo, conhecido como “confecção do medo”, transforma o temor em arte e reafirma a força simbólica da comunidade.
Entre os personagens principais estão o Diabo, vestido de vermelho, e a Morte, de preto, que simbolizam a dualidade entre vida e morte, luz e sombra. As cores dos trajes e chapéus também possuem significados: amarelo para alegria, vermelho para vitalidade, verde para equilíbrio e roxo para espiritualidade — elementos que reforçam o caráter ritualístico da manifestação.
Fonte: ASCOM/IPAC