24/09/2015
Com o objetivo de fortalecer o debate sobre a importância das sementes crioulas para a soberania e segurança alimentar e nutricional dos agricultores familiares dos Territórios de Identidade do Sisal e Bacia do Jacuípe, teve início no dia 21/09 o “Encontro Interterritorial de Sementes Crioulas”. O evento aconteceu no campus XIV, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), no município de Conceição do Coité.
O titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Jerônimo Rodrigues, participou da abertura do evento, e fez uma análise da conjuntura das sementes crioulas. "Iniciar a primavera de 2015 discutindo sementes é uma grande satisfação. Para nós, esse tema tem dois conceitos, um é a proteção, pois protegemos quem trabalha com a semente, o meio ambiente e quem consome, e o outro é a autonomia. Discutir semente é discutir sobre o nosso futuro".
Na oportunidade, foi apresentado o Projeto Sementes do Semiárido que pretende fortalecer a ação implementando 640 bancos de sementes crioulas nos estados da Bahia, Minas Gerais, Sergipe, Ceará, Piauí, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba, beneficiando 12 mil famílias. As sementes crioulas são adaptadas aos ambientes locais, portanto mais resistentes, e menos dependentes de insumos.
De acordo com o Diretor de Políticas de Biodiversidade e Florestas da Sema, Murilo Figueredo, apoiar e fomentar as comunidades da agricultura familiar no resgate ao uso de sementes crioulas é fundamental para o cultivo de pequenos produtores. "Ao longo do tempo, realizamos uma seleção das melhores sementes, o que levou a diminuição da diversidade genética e a especialização do uso de determinadas variedades",explicou. "O resgate das sementes crioulas, retoma culturalmente a tradição dos agricultores familiares e comunidades tradicionais, proporcionando a ampliação da oferta de diversos produtos para consumo e comercialização no mercado".
Segundo a coordenadora do projeto, Ana Dalva Santana, na Bahia, serão 36 bancos de sementes que atenderão 720 famílias. "Queremos garantir o resgate cultural e a multiplicação de sementes crioulas". Serão atendidos os municípios de Quijingue, Araci, Serrinha, Ichu, Barrocas, Valente, Conceição do Coité, Santa Luz, Retirolândia, no Território do Sisal, e Nova Fátima e Pé de Serra, no Território Bacia do Jacuípe.
O presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea-BA), Naidison Baptista, explicou que as sementes fazem parte da identidade desse povo. "A perspectiva é que a gente possa implementar ações que garantam soberania e segurança alimentar das famílias".
Para Teresa Rocha, que representou todos os agricultores familiares presentes, é importante entender o que são as sementes crioulas. "São aquelas produzidas pelos agricultores há muito tempo, sem agrotóxicos, sem venenos. São sementes que trazem sustentabilidade".
Fonte: Ascom/Sema