Biotecnologia e recursos naturais são tema de live sobre transição ecológica

22/03/2021
A terceira edição das lives sobre Transição Socioambiental, Ecológica e Econômica, promovida pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado (Sema), foi realizada na tarde desta quinta-feira (18), de forma virtual, e contou com a presença da especialista em Teoria Econômica da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Esther Bemerguy. O objetivo do encontro é oportunizar uma compreensão acerca dos prováveis caminhos de implementação de políticas públicas com vistas à transição, como previsto no Plano Plurianual Participativo. 

Em sua abordagem, a especialista enfatizou a importância da transversalidade dos eixos temáticos da transição e das questões ecológicas no planejamento governamental, com ênfase para as discussões sobre Aquecimento Global e Mudanças Climáticas. “As decisões econômicas devem se subordinar às necessidades da promoção das ações da transição Socioambiental, Ecológica e Econômica. Para tanto, é fundamental incorporar a comunidade científica local nessas discussões, bem como promover a montagem de parques e centros de pesquisa em ciência e tecnologia”, ressaltou.

Esther Bermenguy reforçou ainda a importância das áreas de conservação ambiental, em especial a preservação da sua biodiversidade, para o desenvolvimento da biotecnologia. “As Unidades de Conservação (UC’s) devem ter uma gestão orientada para o bem comum. Por isso, é imprescindível que sejam geridas pelo poder público. Nesse aspecto, a transição só ocorrerá com a forte presença do estado”, enfatizou Esther, elogiando a iniciativa da Sema na promoção dessas discussões no âmbito governamental. 


A importância dos conhecimentos tradicionais e da ancestralidade das populações indígenas e das comunidades de fundo de pasto, também estiveram presentes no discurso da convidada, como uma poderosa tradição não só para preservação das florestas, mas também indicativo para descoberta de novos biofármacos. “Essas comunidades promovem a preservação das sementes crioulas, e o respectivo melhoramento genético dessas sementes, quando promovem a troca delas entre as diferentes localidades e comunidades em seus territórios”, explicou.

Um dos pontos positivos destacados por Esther Bemerguy em relação ao estado da Bahia é a sua liderança nacional na produção de energia eólica e solar, e seus programas de Agroecologia, com o incentivo à produção agrícola sem agrotóxicos. Para o especialista da Sema, Rosalvo Júnior, “a Bahia tem o mais extenso dos litorais estaduais do Brasil e a Gestão Integrada dos Recursos Hídricos, com a Zona Costeira e o Gerenciamento Costeiro, têm fundamental importância para a discussão da Transição”. 

No encerramento das discussões, o diretor de Políticas e Planejamento Ambiental da Sema, Aderbal Castro, sinalizou a importância de incorporar novos atores para a discussão da transição. “É fundamental incorporar a comunidade científica nas discussões da transição, em especial a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). Além de trazermos o poder legislativo para o debate, a exemplo da Comissão de Meio Ambiente do Senado. Como também, trazer os exemplos das experiências exitosas da Transição, que estão correndo em outros países”, finalizou Aderbal.