Semana do Meio Ambiente: Pesque PAD Bahia transforma comunidades com sistemas produtivos sustentáveis

04/06/2024

Na Semana do Meio Ambiente, destacamos uma iniciativa que está mudando vidas no semiárido baiano. O Sistema Produtivo, promovido pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema) em parceria com a Bahia Pesca, através do Programa Água Doce (PAD Bahia), está transformando o concentrado salino dos sistemas de dessalinização em uma fonte de renda sustentável para comunidades carentes.

Intitulado Pesque PAD, o projeto consiste na criação de tilápias e camarões em sistemas de dessalinização, utilizando tanques de concentrado salino, onde são armazenados resíduos do processo de dessalinização por osmose reversa. O sistema não apenas oferece uma nova fonte de renda através da produção de pescado, mas também utiliza a água fertilizada pelos dejetos dos peixes e camarões para irrigação de plantas halófitas, promovendo a agricultura biossalina.

Coordenando o Programa na Secretaria, Luciana Santa Rita conta que a proposta surgiu da necessidade de encontrar soluções sustentáveis para o problema do descarte do concentrado salino dos sistemas de dessalinização. “Como a gente está atuando em uma área semiárida, com baixo IDH, com alto grau de mortalidade infantil, com alto índice de pobreza e baixíssimo grau de pluviosidade, a gente optou em otimizar tudo o que o Água Doce pode oferecer. E nessa perspectiva que surgiu, em diálogo com a Bahia Pesca, que faz parte do Núcleo Estadual do Programa, essa ação de agregar renda com a produção de animais aquáticos, peixes e camarões, começamos inclusive com a tilápia nos tanques de concentrado salino”, disse.

Santa Rita explica ainda que a Bahia Pesca realizou um estudo técnico para verificar a viabilidade da criação de espécies adaptadas a esse tipo de água. “Foi feita uma avaliação técnica para determinar quais sistemas poderiam receber esses animais, e estamos acompanhando tecnicamente para otimizar esse resíduo”, afirmou a coordenadora do PAD.

Para além da piscicultura, o projeto é visto como um exemplo de como tecnologia e inovação podem ser aliadas na luta contra a pobreza e a degradação ambiental, aponta a diretora de Políticas e Planejamento Ambiental da Sema, Luana Ribeiro. “Com o PAD, conseguimos transformar um resíduo em oportunidade, proporcionando água de boa qualidade e uma nova fonte de renda para as comunidades. Além de promover o ‘primeiro alimento’, que é a água, geramos o ‘alimento do alimento’ nos sistemas produtivos, mostrando que um futuro sustentável é possível através da inovação e da parceria com as comunidades locais”, avalia Luana.

Projeto-piloto em Riachão do Jacuípe

No início de 2024, a comunidade de Mandassaia II, no município de Riachão do Jacuípe, uma região que já contava com os recursos do Programa Água Doce há 10 anos, foi selecionada para a realização do projeto-piloto do Pesque PAD, uma iniciativa que aportou R$ 25 mil em recursos para a Associação Comunitária dos Moradores de Mandassaia II. Os investimentos foram aplicados na aquisição de equipamentos como bomba, caixa d’água, freezer e balança, além de insumos como ração e alevinos.

Segundo Junior Sanches, gerente de projetos da Bahia Pesca, o projeto foi trabalhado e discutido em conjunto entre a Bahia Pesca, a Sema e todo o núcleo do Programa Água Doce na Bahia. “A gente conseguiu esse recurso para tentar jogar em duas comunidades, que foi comunidade Italegre e Mandassaia II. Mandassaia saindo na frente, fazendo o povoamento e fazendo a adaptação do tanque, do rejeito, para a piscicultura. E aí dentro dessa perspectiva a gente também fez, depois de um mês do peixe, o povoamento com o camarão, para ver como é o desenvolvimento desse camarão. Tudo de uma forma bem piloto, pegando os parâmetros de qualidade de água”, explica Junior.

Para Tainá de Lima, líder que responde pelo projeto em Mandassaia II, a criação de tilápias e camarões por meio da Unidade de Produção não só incentivou a agricultura biossalina, como também possibilitou uma fonte adicional de renda para a comunidade.
“O projeto de piscicultura conseguiu unir mais a comunidade, onde hoje existe uma escala de pessoas que conseguem se organizar, mulheres e homens, e cada dia um desses agricultores e agricultoras conseguem ir alimentar esses alevinos. Isso para a gente é muito gratificante porque é um projeto a mais. Para além dos Alevinos agora foi inserido também a questão dos camarões e a nossa ideia é que esses peixes a gente possa agregar valor também através do Quitutes Dona Izabel, um grupo de mulheres que fazem produtos para comercializar para o PAA [Programa de Aquisição de Alimentos], para o PENAE [Programa Nacional de Alimentação Escolar], e em feiras. Então o Água Doce proporciona que as mulheres consumam essa água também como uma fonte para lavar as frutas para poupas do grupo, e quem sabe a gente consiga fornecer esses peixes também para alimentação.  Existem várias ideias já, mas só tenho a dizer que o programa Água Doce transformou a vida da minha comunidade” salienta Tainá.

A expectativa, segundo Junior Sanches, é de que a partir do Sistema de Piscicultura de Mandassaia II, outras comunidades também consigam ser alcançadas. “A partir dessa base [projeto piloto] a gente consegue fazer uma ampliação para outras comunidades que tenham a mesma dinâmica, a comunidade que está inserida no sistema, como também da parte da unidade produtiva de peixe e camarão”, garantiu o representante da Bahia Pesca.

Água Doce e Pesque PAD Bahia

O Sistema Produtivo do Programa Água Doce Bahia representa um avanço significativo na sustentabilidade e na geração de renda para comunidades vulneráveis, evitando o descarte inadequado de águas salinas, prevenindo a salinização e a desertificação do solo e protegendo o meio ambiente. Ao integrar a criação de peixes e a agricultura biossalina, o Pesque PAD promove a diversificação de atividades econômicas e fortalece a resiliência das comunidades locais.

A chegada do Água Doce em Mandassaia II, por exemplo, foi um divisor de águas para a comunidade.  “Estamos a 18 km da sede do município e não temos água encanada. E saber que essa comunidade que sofreu tanto com a seca tinha um projeto que pode contribuir com água para o consumo humano e animal, isso chamou muita atenção. Então, a nossa comunidade hoje é uma comunidade que é visitada por várias pessoas”, destaca Tainá.

Conexão com o G20

Este tema ganha ainda mais relevância após os principais temas do Grupo de Trabalho de Desenvolvimento do G20 serem discutidos em Salvador. Composto por 19 países, além da União Africana e a União Europeia, as maiores economias do mundo debateram o combate à fome, à pobreza e à desigualdade. O evento destacou a importância de iniciativas como o PAD Bahia, que abordam diretamente temas prioritários do G20, reduzindo desigualdades e promovendo o acesso à água e o desenvolvimento sustentável em comunidades isoladas e rurais do semiárido baiano.

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