A jornada dos animais silvestres na Bahia: do resgate à reintrodução na natureza

07/06/2024

No estado da Bahia, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), autarquia da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), desempenha um papel importante na gestão da fauna silvestre. Em parceria com diversas instituições, o órgão coordena a fiscalização, resgate, tratamento, soltura e educação ambiental relacionado aos animais silvestres do estado. Esse trabalho integrado visa proteger e conservar a fauna, garantindo que os animais resgatados possam ser reintroduzidos com segurança em seus habitats naturais.

Desde 2023, até maio deste ano, foi resgatado um total de 6.978 animais, provenientes de apreensões, resgate e entrega voluntária. Essa força-tarefa envolve o Inema, a Companhia de Polícia de Proteção Ambiental, o Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Polícia Federal, o Ministério Público Estadual, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), técnicos ambientais e a Guarda Civil. Todos comprometidos em proteger e conservar a fauna silvestre, trabalhando em conjunto para assegurar o bem-estar dos animais.

“A gestão da fauna silvestre na Bahia é um exemplo de como a colaboração entre instituições e a sociedade civil pode promover a conservação ambiental e a proteção da vida selvagem. O trabalho contínuo de fiscalização, resgate, reabilitação e educação ambiental são essenciais para garantir que os animais resgatados possam retornar com segurança ao seu habitat natural, contribuindo para a saúde dos ecossistemas e a biodiversidade do estado”, afirma Jeanne Florence, Diretora de Sustentabilidade e Conservação do Inema.

Jornada

Após o resgate, os animais são encaminhados aos Centros de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), onde recebem tratamento veterinário, passam por quarentena, realizam exames laboratoriais e recebem marcação com microchips para monitoramento. Esses centros garantem que os animais feridos, vítimas de maus-tratos ou necessitados de cuidados especiais, tenham a chance de recuperação adequada antes de serem reintroduzidos em seus habitats naturais.

Conforme o coordenador de Gestão de Fauna do Inema, Vinicius Dantas, o Inema administra dois CETAS, sendo um na capital baiana e outro no município de Cruz das Almas, com um terceiro em construção em Barreiras, no oeste do estado. “Esses centros são referências na conservação da fauna silvestre, oferecendo cuidados essenciais para animais resgatados de situações de maus-tratos, comércio ilegal ou entregues voluntariamente por criadores”, destacou.

Para a soltura à natureza, os animais silvestres são destinados às Áreas de Soltura de Animais Silvestres (ASAS). Desde 2023, foram realizadas 3.432 solturas nessas propriedades rurais especialmente designadas para a reintrodução de animais silvestres. As ASAS são selecionadas com base na manifestação voluntária dos proprietários interessados e nas características ambientais adequadas para a sobrevivência dos espécimes reintroduzidos, sendo cruciais para a reabilitação e reintegração dos animais na natureza. Essas áreas são cadastradas pelo Inema.

Educação Ambiental

Além das ações de resgate e soltura, o Inema realiza importantes ações educativas, com o Programa de Educação Ambiental para Conservação da Fauna Silvestre. Este programa utiliza estratégias como a Formação de Educadores Ambientais com professores e produtores rurais e campanhas educativas, como a Entrega Voluntária de Animais Silvestres, que percorre municípios com alta incidência de comércio ilegal, incentivando a população a entregar voluntariamente aves e outros animais silvestres.

Em resposta às ameaças à fauna, foram realizadas ações em diversas localidades, incluindo Itaberaba e Rui Barbosa, pertencentes a ARIE Serra do Orobo, além de Varzedo, Serra Preta, Morporá, Ibotirama e Ipupiara. Durante essas visitas, a equipe de fauna atendeu um total de 32 escolas públicas. Essas ações resultaram no resgate de mais de 350 animais, principalmente aves e répteis. A iniciativa não só ajudou a proteger a fauna local, mas também proporcionou conscientização ambiental aos estudantes dessas regiões.

"Buscamos sempre dialogar com a comunidade sobre a importância de os animais viverem em seu ambiente de origem e não serem mantidos presos em gaiolas. Destacamos que, soltas, essas espécies podem disseminar sementes e ajudar na restauração ambiental. Durante a ação, informamos que manter aves em gaiolas sem autorização ambiental é um crime previsto em lei. No entanto, a campanha incentiva à entrega voluntária, contribuindo assim para a preservação da biodiversidade", destacou Rosane Barreto, bióloga do Inema.

Como ajudar?

Os cidadãos que encontrarem animais silvestres ou exóticos feridos, vítimas de maus-tratos, em cativeiro ou em posse ilegal, têm duas opções para ajudar. Eles podem solicitar o resgate ou fazer a entrega voluntária desses animais aos Centros de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do Inema. Para isso, basta entrar em contato com o Disque Resgate pelo WhatsApp, no número (71) 99661-3998, ou pelo telefone fixo (71) 3231-5960.
 

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