No terceiro dia do 1º Congresso Internacional sobre Mudanças Climáticas e suas Consequências em Territórios Semiáridos (I CIMCCTS), realizado em Juazeiro, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) promoveu uma mesa redonda focada no tema "Diálogos sobre Urbanização Sustentável: Construindo Cidades Resilientes às Mudanças Climáticas". O evento reuniu especialistas que discutiram as estratégias e desafios na construção de cidades capazes de enfrentar as mudanças climáticas de forma sustentável e resiliente.
Mediada por Hans Ungar Neto, diretor de programas e projetos da Sema, a mesa trouxe para o debate questões cruciais sobre a necessidade de integrar políticas de urbanização sustentável com as metas de adaptação e mitigação climática.
"Grande parte dos projetos climáticos estão voltados para os municípios, o que representa um grande desafio, especialmente em um estado como a Bahia, que possui diferentes biomas e regiões com vocações distintas. Quando analisamos o inventário de emissões da Bahia, vemos que as consequências das emissões em áreas como o sul, extremo sul e oeste do estado impactam diretamente o semiárido. A Bahia, sendo um estado extenso e diversificado, exige uma abordagem específica para cada região, considerando suas características e impactos locais. Por isso, é fundamental estarmos aqui, trocando conhecimentos e buscando soluções para superar esses desafios", enfatizou o diretor.
Potencializando ações climáticas
Um dos palestrantes da mesa, Alexandre Batista, sócio da CooperaClima e especialista em economia do clima, compartilhou sua vasta experiência na área do clima. Durante sua apresentação, o palestrante destacou a importância de aproveitar o contexto político favorável para priorizar investimentos no Nordeste, especialmente em energia renovável e adaptação climática. Ele enfatizou que, embora não faltem recursos internacionais para ações climáticas, o desafio está na elaboração de projetos qualificados e na capacitação da mão de obra.
"Não falta dinheiro; falta mão de obra qualificada e bons projetos para captar esses recursos. Esta é uma grande oportunidade para transformar a realidade da região de forma positiva, com as melhores práticas, com as melhores captações de recursos, com as melhores alocações, com as melhores vendas, para alocação de um mundo de obra, seja para a energia solar, para a eólica, para empreendimentos, projetos de irrigação, e superando assim desigualdades históricas", afirmou o representante da CooperaClima.
Já Rafaella Viana, coordenadora regional do ICLEI Brasil, que também participou como palestrante durante a mesa redonda, ressaltou que o ICLEI oferece uma ampla gama de serviços dentro de sua anuidade, como capacitação técnica, programas de estágios, garantia de participação em eventos de relevância global, e a inclusão na rede clima ICLEI internacional.
Em sua apresentação, Rafaella destacou a importância da inovação e da educação para enfrentar os desafios climáticos, mencionando que soluções tecnológicas já estão disponíveis e são impulsionadas por startups.
"A inovação é a chave para a sustentabilidade. Temos startups e jovens com ideias revolucionárias que estão transformando o mundo. E tudo começa com a educação; se investirmos nas escolas, principalmente na primeira infância, podemos garantir um futuro diferente e mitigar muitos problemas", disse ela.
Ao final da discussão, os palestrantes destacaram a importância de uma abordagem colaborativa e multidisciplinar para enfrentar os desafios climáticos em áreas urbanas. A troca de experiências e o compartilhamento de estratégias entre os participantes reforçaram o papel fundamental de parcerias entre governos, organizações internacionais e a sociedade civil na construção de um futuro resiliente.
Hans Ungar Neto explica que, tanto a ICLEI quanto a CooperaClima são grandes parceiras da Secretaria, por se tratarem de redes com serviços e projetos voltados ao desenvolvimento sustentável.
"A CLEI Brasil oferece hoje uma série de serviços para a Sema, como: capacitação técnica, programas de estágios técnicos, garantia de eventos importantes, participação da rede clima ICLEI internacional, enquanto que a CooperaClima nos auxilia com soluções sustentáveis para aplicar essas importantes estratégias no contexto baiano. Então, na prática, ambas acabam criando pontes entre Estado e municípios e as melhores práticas globais em sustentabilidade, que é o que nós, como Estado, temos priorizado em nossas parcerias", disse o diretor.
Relevância do Congresso
O I CIMCCTS está se firmando como um espaço crucial para debater políticas e práticas voltadas ao enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas em territórios semiáridos, tanto no Brasil quanto em escala global. A participação ativa de instituições como a Sema evidencia o compromisso do governo baiano em liderar e implementar ações concretas para a sustentabilidade e a resiliência climática.
Com uma programação que segue até sexta-feira (23), o evento oferece uma rica plataforma para palestras, mesas-redondas e apresentações, facilitando o diálogo e a criação de soluções inovadoras para os desafios climáticos enfrentados por regiões semiáridas.
Fotos: Tiago Dantas/Ascom/Inema