O 1º Congresso Internacional sobre Mudanças Climáticas e suas Consequências nos Territórios Semiáridos (I CIMCCTS), realizado em Juazeiro-BA, encerrou-se nesta sexta-feira (23) com uma série de discussões impactantes centradas na resiliência climática e na urbanização sustentável. Organizado pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) em colaboração com a Secretaria do Meio Ambiente (Sema), o evento foi uma plataforma significativa para abordar os desafios urgentes impostos pelas mudanças climáticas em regiões semiáridas.
No último dia, o destaque foi a palestra promovida pela Sema, intitulada “Monitoramento de Gases de Efeito Estufa (GEE): um pilar fundamental para a ação climática”, ministrada pelo engenheiro químico e gerente de projetos, David Tsai, representando a Coordenação do Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Laboratório do Clima, parceiro direto da Sema. Tsai enfatizou o papel crítico do monitoramento preciso dos GEE na formulação de políticas climáticas eficazes e esclareceu como são estimadas as emissões históricas de gases de efeito estufa.
"A gente tem um acordo de cooperação com o Estado da Bahia, em que o estado utiliza esse dado para produzir o seu diagnóstico de Efeito Estufa para poder planejar as ações de redução. O inventário é produzido a partir dos guias de inventários de emissões que vem lá do IPCC, que é essa referência climática científica mundial. Então isso aqui é como se fosse uma receita de bolo de como os países devem reportar suas emissões para que o reporte seja comparável entre os países, além de confiável e preciso", disse.
Tsai explica ainda que, a cada ano, o SEEG reproduz o inventário brasileiro, alcançando já a sua quarta edição. "O nosso trabalho é disponibilizar essa informação para analisar e prover, ano a ano, as estimativas de emissões por estado e por município. Tem algumas diferenças metodológicas, científicas, em relação ao inventário oficial, mas que é natural de processos científicos de desenvolvimento. Estamos sempre dialogando com o Instituto da Ciência e Tecnologia também para estimular o aprimoramento mútuo das metodologias", ressaltou David.
Durante sua apresentação, Tsai mencionou a elaboração do mais recente Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) da Bahia, uma ferramenta vital desenvolvida pela Sema em parceria com o Laboratório do Clima. Este inventário, que inclui dados atualizados para os anos de 2020, 2021 e 2022, segue diretrizes metodológicas reconhecidas internacionalmente, como o GHG Protocol.
Um dos responsáveis por coordenar o projeto na Sema, Guido Brasileiro, explica que o Inventário serve como um alicerce para entender as tendências de emissões na Bahia, possibilitando o desenvolvimento e a implementação de estratégias direcionadas para a redução de emissões e adaptação aos impactos climáticos.
"O Inventário de GEE é uma ferramenta não apenas para o planejamento de políticas públicas, mas é também uma iniciativa do Estado que reforça o compromisso com a transparência das informações. Então, basicamente, serve como um chamado coletivo para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas", disse Guido, biólogo lotado na Diretoria de Programas e Projetos.
Ao longo dos quatro dias do congresso, foram explorados diversos temas, incluindo a necessidade de urbanização sustentável, a construção de cidades resilientes ao clima e a promoção da justiça ambiental. A sessão de abertura do evento destacou o compromisso contínuo do Estado da Bahia com o desenvolvimento sustentável e a ação climática, alinhado ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 13 (ODS 13).
A Sema encerra sua participação no evento com a expectativa de que as discussões e estratégias apresentadas durante esses quatro dias contribuam significativamente para os esforços contínuos de combate às mudanças climáticas, fortalecendo a posição do Estado como líder em iniciativas de sustentabilidade no Brasil, promovendo a cooperação regional e internacional na agenda climática.