Nesta quinta-feira (29), ocorreu mais uma reunião quinzenal do Grupo de Trabalho (GT) do Programa Bahia Sem Fogo, coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema). O encontro, que visa reforçar as estratégias de prevenção, combate e monitoramento de incêndios florestais no estado, contou com apresentações significativas que abordaram desde o manejo de fauna silvestre até previsões meteorológicas para a temporada de queimadas.
Dando início as apresentações, o veterinário e Coordenador de Fauna do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Vinícius Dantas, abordou sobre a importância da elaboração de um plano de contingenciamento específico para o resgate de fauna vitimada por fogo.
Segundo Vinícius, a iniciativa envolve colaboração entre diversos setores e capacitação contínua das equipes envolvidas, viabilizando etapas de monitoramento, alerta, ação rápida, resgate, atendimento e reabilitação da fauna afetada pelos incêndios florestais.
"Um dos objetivos do Plano de Contingenciamento será manejar e atender, de forma rápida e eficiente animais silvestres vitimados pelo fogo. Disponibilizando atendimento veterinário adequado. O desafio em relação a fauna será identificar quais espécies são mais vulneráveis a incêndios e quais estratégias deveremos adotar para sua proteção", explicou o gestor de Fauna.
Previsões meteorológicas para o combate aos incêndios
Outro destaque na reunião foi a apresentação de Aldírio Almeida, meteorologista da Coordenação de Monitoramento do Inema. O especialista apresentou as previsões meteorológicas para o estado e os desafios que elas apresentam no contexto dos incêndios florestais. A precisão na previsão e os modelos utilizados são fundamentais para a preparação e a resposta rápida aos focos de incêndio, sendo uma peça-chave para a eficácia das ações do Programa Bahia Sem Fogo.
Dentre os fatores meteorológicos que contribuem para a ocorrência de fogo para que ele se propague, Aldírio destacou as temperaturas elevadas, a umidade do ar baixa, reduzida. Além disso, depois do fogo estar estabelecido, a condição de vento, o vento mais intenso também contribui para que esse fogo acabe se alastrando.
"A partir de dados de temperatura, umidade relativa do ar e vento previstos, é possível calcular alguns índices de risco de queimadas, que são indicadores que mostram quais áreas estão mais sujeitas à ocorrência desse tipo de evento. Também alguns outros indicadores, como saúde da vegetação, são bastante importantes, pois eles podem mapear também quais regiões estão mais propícias", enfatizou o meteorologista.
A relevância da contribuição de ambos os especialistas foi reconhecida pelo Comitê do GT, que convidou a equipe de Fauna e Meteorologia do Inema a integrar oficialmente o Grupo de Trabalho, ampliando a expertise no manejo das situações críticas envolvendo a fauna durante as operações de combate ao fogo.
Outras discussões relevantes
Além das apresentações, a reunião abordou a minuta de Decreto de regulamentação do Programa Bahia Sem Fogo, a definição de datas para a reativação do subcomitê do Oeste e da Chapada, e o levantamento das brigadas capacitadas, incluindo aquelas que já foram equipadas com Equipamentos de Proteção Individual (EPI's) e Coletiva (EPC's).
Um balanço dos investimentos em prevenção e preparação, realizados pela Sema e pelo GT, também foi discutido, assim como uma atualização parcial da execução do Plano de Ações Preventivas aos Incêndios Florestais 2024.
Sobre o GT
Criado em 2010, o Programa Bahia Sem Fogo busca tornar mais efetivas as ações de prevenção, combate e monitoramento de incêndios florestais na Bahia, oferecendo infraestrutura e logística adequadas. O Comitê Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, que coordena as ações do programa, é composto por diversas secretarias estaduais e instituições municipais e federais, como o Inema, o Corpo de Bombeiros Militares do Estado da Bahia (CBMBA), e a Defesa Civil da Bahia (Sudec), entre outros.
A reunião quinzenal do GT reforça o compromisso contínuo do estado com a preservação do meio ambiente, destacando a importância de uma abordagem integrada e multidisciplinar no combate aos incêndios florestais e na proteção da fauna silvestre impactada.
Fotos: Matheus Lemos/Ascom Sema