Sema promove imersão sensorial nos biomas baianos durante a 21ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

18/10/2024

A Bahia também faz ciência. E foi nessa certeza que a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) participou da 21ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, promovida pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), no Museu de Arte Contemporânea (MAC), em Salvador. Durante o evento, que ocorreu de 13 a 18 de outubro, a Sema ofereceu aos participantes uma experiência única por meio de uma sala sensorial, onde puderam vivenciar os biomas da Bahia (Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga) através do toque.

O evento de encerramento, na tarde desta sexta-feira (18), contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues. Em seu discurso, o chefe de Estado enfatizou a necessidade de integrar a ciência ao cotidiano das pessoas, especialmente nas áreas rurais e comunidades tradicionais, ressaltando o papel transformador da educação e da inovação.

“Nós escolhemos esse espaço, um Museu de Arte Contemporânea, para encerrarmos aqui na Bahia a nossa semana estadual de Ciência e Tecnologia. Quando a gente fala de popularizar ciência, é para quebrar esse medo, esse receio, essa distância que nos afastaram intencionalmente, de que pobre não pode pensar em ciência, que a gente vai ficar sempre dependente, e nós estamos dizendo o contrário. Nós temos que inserir, através da educação, a participação da juventude e dos adolescentes. Isso não é de um ano para o outro, é de geração", salientou o governador durante o evento.

Na oportunidade, o secretário do Meio Ambiente, Eduardo Mendonça Sodré Martins, apresentou ao governador a sala sensorial, elaborada em parceria com a Secti e afirmou que a sala foi desenvolvida pensando em proporcionar uma experiência única de imersão nos biomas da Bahia, permitindo que as pessoas não apenas vejam, mas sintam a diversidade e a riqueza dos nossos ecossistemas.

"Acreditamos que o aprendizado acontece de forma mais profunda quando há essa interação direta com os elementos da natureza. Nossa missão na Sema é justamente conectar a ciência e a educação ambiental com a realidade das comunidades locais, valorizando os saberes tradicionais e destacando a importância de preservar esses biomas para as futuras gerações", destacou.

O gestor da pasta ambiental ainda parabenizou a iniciativa da Secti, em especial, ao secretário da pasta, André Juazeiro, e o seu chefe de Gabinete, Marcius Gomes, pela temática escolhida para a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, demonstrando a transversalidade que a própria pauta traz e a integração de diversos setores da economia.

"Eles conseguiram interiorizar essa ação, trazendo aí o Cerrado, o Caatinga, a Mata Atlântica, e dizendo o seguinte: existe tecnologia, existe política social aplicada naquela comunidade, naquela sociedade. Trousseram isso mostrando a vivência daqueles povos tradicionais, mostrando a integração deles com o meio ambiente, que forma eles sobrevivem, a resiliência, a adaptação, a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas naquelas comunidades, traduzindo um pouco do que é a própria ciência e tecnologia hoje de efeito social, de aplicação na camada mais vulnerável da sociedade", disse o gestor.

Com a iniciativa, os alunos e visitantes do MAC puderam compreender melhor as diferenças entre os biomas ao tocar em objetos representativos, como troncos, folhas, frutos e flores, além de conhecer a fauna de cada região.

À frente da iniciativa pela Sema, Juliana Mattos Rocha, coordenadora técnica de Mudanças Climáticas, explica como foi o processo de curadoria dos objetos e elementos utilizados na sala sensorial para representar os biomas da Bahia.

"Trouxemos espécies vegetais de cada um deles, destacando sua relevância para o equilíbrio ecológico. Por exemplo, no caso do licuri, mostramos como a preservação dessa palmeira é essencial para a arara-azul-de-lear, que se alimenta de cerca de 300 cocos de licuri por dia. Se mantivermos a palmeira do licuri, ajudamos a preservar essa espécie no bioma da Caatinga. Também buscamos sensibilizar os participantes sobre a importância da Mata Atlântica, que apesar de sua vasta biodiversidade, com mais de 22 mil espécies catalogadas, sofre uma grande devastação. No Cerrado, ressaltamos sua relevância para os recursos hídricos, já que muitas bacias hidrográficas nascem nesse bioma, que, apesar de seu solo mais pobre e clima quente, possui um lençol freático muito alto", afirmou.

Juliana reforça ainda que, "ao preservar esses três biomas, mantemos o equilíbrio térmico, evitamos a erosão do solo e asseguramos a sobrevivência de espécies sem extinção, garantindo a disponibilidade de alimentos para eles e um clima mais estável, que proporciona conforto e condições ideais de vida para todos nós".

Nos primeiros dias do evento, a Sema também apresentou o Programa Água Doce, por meio de um equipamento que produz água dessalinizada, uma inovação que beneficia comunidades em áreas de escassez hídrica, como na Caatinga. Esta tecnologia é fundamental para promover a sustentabilidade e a qualidade de vida nas regiões mais secas do estado.


Sobre o evento

Com o tema "Saberes dos Povos Originários e Comunidades Tradicionais", a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia reforçou o papel dessas comunidades na preservação do meio ambiente e na sustentabilidade dos biomas brasileiros.

Além das atividades sensoriais, a programação incluiu rituais sagrados, debates enriquecedores e apresentações das escolas indígenas, fortalecendo a conexão entre os saberes tradicionais e a sustentabilidade. A participação das comunidades indígenas e tradicionais foi um dos destaques da Semana, que destacou a importância de seus conhecimentos na preservação dos biomas e no equilíbrio ambiental.

O momento também foi oportuno para o anúncio e assinaturas de entregas importantes para o avanço da ciência, tecnologia e inovação na Bahia.


Fotos: Thiago Jr.

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