O município de Rio de Contas, na Chapada Diamantina, concluiu nesta sexta-feira (31) a segunda etapa da operação Ronda Verde — uma iniciativa do Programa Bahia Sem Fogo, voltada à conscientização e ao combate aos incêndios florestais no estado. Desde o dia 14, a operação percorreu os municípios de Piatã, Érico Cardoso, Iraquara, Lençóis, Xique-Xique, Barra, Morpará e Palmeiras.
A mobilização contou com técnicos e especialistas da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), além do apoio da Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental (Cippa/Lençóis), do Corpo de Bombeiros Militar e das prefeituras locais.
O coordenador de campo da Ronda Verde, Aderbal Pereira, afirma que a operação, nesta fase, busca identificar e responsabilizar os autores de crimes ambientais, com foco especial nas queimadas durante o período crítico. “Nossa atuação vai além do combate direto ao fogo, com ações preventivas e aplicação rigorosa da lei em situações de flagrante”, explica.
A operação direciona esforços para áreas atingidas por incêndios, como as regiões de Brumadinho e Mato Grosso, seguindo uma programação estratégica baseada no histórico de ocorrências. “Queremos ampliar a atuação em comunidades que precisam desse suporte, fortalecendo a prevenção e o combate às queimadas para garantir a proteção ambiental”, destaca Aderbal, que também é engenheiro agrônomo da Sema.
A comunidade de Brumadinho tem se mostrado atuante na prevenção de queimadas, como destaca Tâmara Maia, fiscal da prefeitura. Localizada em uma área elevada, a região frequentemente sofre com incêndios que se alastram de áreas vizinhas. No caso mais recente, em agosto, o fogo originado na localidade de Jiló avançou até o Morro Redondo, sendo rapidamente reportado pelos moradores, o que facilitou uma intervenção efetiva das autoridades.
Para fortalecer essa conscientização, ações de educação ambiental são promovidas nas escolas, especialmente na região de Mato Grosso, onde a incidência de incêndios é maior. O trabalho busca sensibilizar as crianças, que, por sua vez, influenciam suas famílias — especialmente os agricultores — a adotarem práticas seguras no uso do fogo. “Hoje, aqui na comunidade de Brumadinho, estamos sensibilizando a comunidade sobre os impactos das queimadas florestais”, ressalta Raquel Amorim, engenheira florestal.
Chapada Diamantina
Além de Rio de Contas, a operação esteve na quinta-feira (30) em Érico Cardoso. Segundo Aderbal, o apoio das prefeituras é essencial para fortalecer a abordagem junto às comunidades, além de oferecer suporte estratégico para otimizar as ações de controle. Esse suporte inclui a identificação de áreas críticas de queimadas e das comunidades mais afetadas. “As equipes locais também auxiliaram na identificação dos biomas mais vulneráveis, direcionando os esforços de preservação e combate aos incêndios de forma mais eficaz”, explicou Elaine Figueiredo, da Secretaria de Meio Ambiente de Érico Cardoso.
Além da questão ambiental, os incêndios florestais representam uma grave ameaça à saúde pública, especialmente nas comunidades locais. Juliana Barbosa, da Vigilância Sanitária do município, explicou que a ação abordou também o impacto na saúde das pessoas. “Precisamos estar conscientes de que as queimadas liberam fumaça e partículas tóxicas que afetam a saúde respiratória e aumentam o risco de doenças. Essa poluição ameaça a qualidade de vida das comunidades e pode até atingir regiões mais distantes, impactando a segurança e o bem-estar das pessoas”, ressaltou.
Bahia Sem Fogo
O Programa Bahia Sem Fogo, criado em 2010 e coordenado pela Sema, integra esforços do Comitê Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, com apoio de órgãos estaduais e federais, como o Inema, o Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA) e a Defesa Civil da Bahia (Sudec).
Desde agosto, a Portaria nº 31.583, publicada pelo Inema no Diário Oficial do Estado, suspendeu a emissão e o uso da Declaração de Queima Controlada (DQC) em 178 municípios, visando reduzir o uso do fogo e prevenir incêndios em áreas com altos índices de focos de calor.
A população pode denunciar incêndios pelo telefone 193 e queimas ilegais e outros crimes ambientais pelo 0800 071 1400.
Fotos: Tiago Jr./Ascom Sema