A Secretaria do Meio Ambiente (Sema) promoveu, na manhã desta quinta-feira (05), a primeira reunião técnica de apresentação do Sistema Integrado para Gestão dos Recursos Hídricos Superficiais e Subterrâneos no Oeste da Bahia. O projeto, fruto do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a Sema, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA), vai fortalecer a gestão e o monitoramento nas bacias hidrográficas vinculadas ao Aquífero Urucuia, um dos maiores reservatórios de água subterrânea do Brasil, que se estende por seis estados (Bahia, Tocantins, Minas Gerais, Piauí, Maranhão e Goiás).
O encontro reuniu professores universitários, especialistas dos órgãos ambientais e representantes do setor público e privado, com o objetivo de estabelecer trocas de experiências e dados ambientais sobre o monitoramento meteorológico, das águas superficiais e subterrâneas na bacia hidrográfica do Rio Grande, no Oeste da Bahia e nas sub-bacias dos rios Mosquito, Ondas, Borá, Pedras, Branco e Rio de Janeiro. A iniciativa também prevê a operação e manutenção de estações fluviométricas (níveis dos rios) automáticas implantadas pela AIBA, com execução prevista entre 2024 e 2026.
Representando o secretário do Meio Ambiente, Eduardo Mendonça Sodré Martins, o chefe de gabinete, André Ferraro, explica que a parceria possibilitará uma ampliação e modernização da rede hidrológica e o fornecimento de dados que contribuirão para um melhor gerenciamento e monitoramento das águas na região.
"Estamos em um momento de avanço significativo da Câmara Técnica (CT), que começou em 2017. Nosso propósito aqui é avançar nos estudos com uma base científica sólida e também com segurança jurídica, para podermos progredir nos termos necessários. Essas informações vão contribuir para aperfeiçoar o planejamento e gestão dos recursos hídricos nas bacias que incidem neste importante aquífero que é o Urucuia, servindo como referência para todo o estado”.
Ferraro também reforçou o compromisso do Estado em enfrentar desigualdades e trabalhar com bases técnicas sólidas, desmistificando mitos que circundam o tema.
A importância da gestão integrada dos recursos hídricos
A diretora-geral do Inema, Maria Amélia Lins, lembrou que, desde 2012, quando a Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA) divulgou os primeiros dados hidrológicos, evidenciou-se que a Bahia possui mais água do que se imaginava. Isso aumentou a necessidade de uma gestão eficiente das águas superficiais e subterrâneas.
"Como corpo técnico, a responsabilidade do Inema é enorme, e estamos avançando nesse acordo de cooperação técnica para consolidar um monitoramento efetivo. O objetivo comum dos órgãos ambientais é assegurar a disponibilidade e os usos múltiplos dos recursos hídricos, fortalecendo a confiança nos investimentos e clareza nas autorizações ambientais, sempre com foco na eficiência e transparência," afirmou.
Gestão hídrica com foco em transparência, tecnologia e segurança jurídica
Durante o encontro, foram realizadas apresentações, com destaque para o trabalho do professor Everardo Mantovani, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), e os avanços em monitoramento hidroclimático, mediado por especialistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A especialista em recursos hídricos do Inema, Rosane Aquino, apresentou a estrutura de monitoramento do estado, que conta atualmente com 514 estações pluviométricas e 371 estações fluviométricas.
O papel do setor produtivo na preservação dos recursos
O ex-presidente da AIBA e da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (ABAPA), Júlio Cézar Busato, explicou que o modelo de gestão hídrica do projeto se inspirou em Nebraska, nos Estados Unidos. "Eles irrigam 3,8 milhões de hectares, enquanto nós, na época, irrigávamos 200 mil. Precisamos avançar para a segunda fase, que é o monitoramento desse recurso, isso é essencial para garantir segurança tanto para os produtores quanto para o governo e a população," completou.
À tarde, especialistas se reunirão novamente para apresentar a proposta ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), reforçando a importância de uma gestão baseada em tecnologia e segurança jurídica.