O segundo dia do Carnaval da Bahia 2025 já demonstra o impacto positivo na gestão de resíduos sólidos, registrando mais de 12 toneladas de materiais recicláveis recolhidos e triados pelo EcoFolia Solidária na última quinta-feira (27). A iniciativa, promovida pelo Governo do Estado, com o apoio da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), em parceria com cooperativas de reciclagem, não só reduz os impactos ambientais da festa, como também gera renda para os catadores, fortalecendo a economia solidária.
No primeiro dia da ação foram coletados 7.742 kg de alumínio, 2.351,8 kg de PET e 2.872,8 kg de plástico, registrando um total de 12.966,6 kg de material reciclável recolhido pelas cooperativas. Já nesta sexta-feira (28), as Centrais de Apoio da Montanha, Gamboa, Politeama e Canela deram continuidade às atividades cadastrando mais de 600 trabalhadores e reforçando o engajamento na reciclagem.
"Só nesses quatro ecopontos que visitamos hoje, já temos uma média de 681 catadores beneficiados pelo programa, isso só em dois dias de atividade. Aqui os catadores recebem um kit completo, são orientados sobre os serviços disponíveis e têm a garantia de que o material coletado será comprado a preços justos", destacou Victor Arouca, assessor da Diretoria-Geral do Inema e um dos coordenadores das Centrais de Apoio ao Catador. Ele reforçou ainda que o objetivo principal do programa é "retirar o máximo possível de resíduos das ruas e garantir uma destinação ambientalmente correta para esses materiais, além de dar todo apoio possível aos catadores nesses dias de festa", disse Arouca.
Estrutura para os catadores e incentivo financeiro
Nos 11 ecopontos instalados em Salvador, os catadores cadastrados recebem Equipamentos de Proteção Individual (EPI's), incluindo camisas, calças, mochilas, sacos, protetores auriculares, luvas e capa de chuva. Além disso, contam com pontos de banho e alimentação, garantindo condições dignas de trabalho durante a folia.
Segundo Leandro Cabral, presidente da Coop Cicla - cooperativa responsável pelo ecoponto da Montanha, os preços praticados garantem um incentivo justo. "Estamos cobrando R$ 8,00 por quilo de latinha, R$ 2,00 por quilo de PET e R$ 1,00 por quilo de plástico. Os catadores que atingirem 10 kg de PET ou plástico recebem uma bonificação de R$ 50,00", explica ele. Para incentivar ainda mais os catadores, a iniciativa garantiu, neste ano de 2025, a distribuição de 400 bonificações, garantindo renda extra aos participantes.
A catadora Josenilda Cruz, que veio de Lauro de Freitas para trabalhar na festa, destacou as melhorias em relação aos anos anteriores. "Esse ano está um show de bola! O EcoFolia está de parabéns! Estamos bem vestidos, com uniforme completo, capa de chuva, e sabendo que o nosso trabalho está sendo reconhecido. Ano passado eu não tinha essa estrutura, mas agora está muito melhor”, comemorou.
Já Silvia Santana, da cooperativa Recicla Conquista, reforçou a importância do projeto para a dignidade dos catadores. "Nosso papel aqui é fornecer estrutura para que os catadores possam coletar o material reciclável e vendê-lo de forma organizada. Eles chegam, fazem o cadastro, recebem os EPIs e contam com suporte que antes não existia. Isso traz mais segurança e dignidade para o trabalho deles”, afirmou.
O EcoFolia Solidária segue ao longo do Carnaval, com ecopontos funcionando em diferentes circuitos para garantir a destinação correta dos resíduos e a geração de renda para milhares de catadores. A expectativa é que, até o fim da festa, o volume de recicláveis coletados supere as 174 toneladas recolhidas em 2024, consolidando o Carnaval da Bahia como um dos mais sustentáveis da história.
A iniciativa envolve diretamente diversas cooperativas e seus associados, entre elas: CRG Bahia, Cata Bahia, Camapet, AACRI, Caec, Cooprede, Rede Recicla Bahia, Cooperguary e Recicla Conquista.
O EcoFolia Solidária é coordenado pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) em parceria com as Secretarias do Meio Ambiente (Sema), Desenvolvimento Urbano (Sedur), Desenvolvimento Rural (SDR), Assistência e Desenvolvimento Social (Seades) e Políticas para as Mulheres (SPM), além das Voluntárias Sociais, do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR).
Fotos: Colaboradores Sema/Inema