A 3ª Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano (UNOC) teve início nesta segunda-feira (9), na cidade de Nice, na França, com a participação da comitiva brasileira liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Representando a Bahia, o secretário do Meio Ambiente (Sema), Eduardo Mendonça Sodré Martins, acompanha os debates que seguem até o dia 13 de junho e reúnem lideranças globais para discutir a conservação e o uso sustentável do oceano, dos mares e dos recursos marinhos.
A agenda marca o mês mais simbólico para a pauta ambiental, em que são celebrados o Dia Mundial do Meio Ambiente (5) e o Dia Mundial dos Oceanos (8). A zona costeira da Bahia é uma das mais populosas do Brasil. Segundo dados oficiais do Governo da Bahia, cerca de um terço da população baiana vive na faixa litorânea, o que representa mais de 4,8 milhões de pessoas.
Ciente da relevância da temática para o estado, a Sema deu um passo importante no último sábado (7), ao aderir oficialmente à Coalizão para a Conservação Marinha. Trata-se de uma iniciativa internacional que promove a colaboração entre governos, sociedade civil e instituições de pesquisa, com o objetivo de fortalecer ações voltadas à preservação da biodiversidade marinha. Além disso, novas ações de combate à poluição marinha estão sendo articuladas pelo titular da pasta ambiental.
Durante sua participação na Coalizão sobre o Aumento do Nível do Mar e a Resiliência Costeira (Ocean Rise & Coastal Resilience Coalition), realizada neste fim de semana em Nice, Eduardo Sodré destacou os principais desafios enfrentados pela Bahia no contexto da emergência climática e o papel das políticas públicas preventivas.
“Na Bahia, lidamos com três grandes desafios ambientais: os impactos sobre os oceanos, as secas severas em algumas regiões, onde há locais que não recebem chuvas há três, quatro ou até cinco anos, e os incêndios florestais, que têm se intensificado. São problemas complexos, mas que também nos encorajam a avançar em políticas públicas estruturantes. No que diz respeito aos oceanos, temos a Baía de Todos-os-Santos, a segunda maior baía navegável do mundo, onde estamos implementando nosso plano de ação para restauração e conservação dos recifes de corais”, pontuou.
Sodré também ressaltou o papel da gestão de riscos e da prevenção na mitigação dos efeitos da crise climática. Nesse contexto, o setor de seguros tem papel estratégico. “Entendo que a emergência climática exige uma abordagem preventiva. Como gestor público, meu papel é trabalhar para que os eventos extremos não aconteçam. Mas, caso ocorram, precisamos estar preparados para mitigar os impactos de forma compatível com a realidade das comunidades. Nesse sentido, o setor de seguros tem papel estratégico. Precisamos trabalhar juntos para criar soluções duradouras, inclusive com instrumentos como o pagamento por serviços ambientais e seguros reversos, que reconheçam e incentivem quem protege o meio ambiente”, disse.
Para além da participação diplomática, a presença baiana na conferência reforça o protagonismo do estado nas ações de proteção ambiental. Eduardo Sodré lembrou que, sob sua gestão na Sema, a Bahia registrou a maior redução de desmatamento no Cerrado baiano, com uma diminuição de quase 65%, a maior média de redução do país nesse bioma, de acordo com os dados mais recentes.
Sobre a Conferência
A Conferência da ONU sobre o Oceano é um fórum global que promove o debate e a articulação de políticas voltadas à preservação marinha e à sustentabilidade. Realizada pela primeira vez em 2017, em Nova York, a UNOC chega à sua terceira edição sob o tema “Acelerar a ação e mobilizar todos os atores para conservar e usar o oceano de forma sustentável”.
O evento é coorganizado pela França e pela Costa Rica, e reúne representantes de governos, organizações internacionais, setor privado, pesquisadores e sociedade civil. O objetivo é impulsionar compromissos voluntários, além de ações e soluções globais para proteger a saúde do oceano, combater a degradação marinha e promover o uso sustentável dos recursos marinhos.