Enquanto na capital os debates se voltaram ao futuro do planeta, em Itaparica a cooperação Bahia–França se consolidou em ações concretas de conservação, manejo e fortalecimento de parcerias locais. Nesta quinta-feira (6), representantes da Federação dos Parques Naturais Regionais da França acompanharam equipes da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) em mais uma etapa de retirada da medusa invasora Cassiopeia andromeda, na Área de Proteção Ambiental (APA) da Baía de Todos-os-Santos.
A ação integrou a programação da comitiva francesa na Bahia e marcou a continuidade das agendas do Projeto PROT’AIR, que promove intercâmbio técnico e desenvolvimento sustentável a partir da experiência francesa. Além das atividades em campo, a equipe participou de reuniões com a Secretaria de Governo de Itaparica, que reafirmou apoio às ações de manejo, e com o Hotel Sesc Itaparica (Senac/Fê Comércio), referência em práticas de sustentabilidade e neutralização de carbono.
“Decidimos trazer os parceiros da Federação dos Parques Naturais Regionais da França para essa última etapa da pesquisa de remoção das medusas para que conheçam o trabalho que desenvolvemos e participem dessa troca de experiências”, destacou Maiana Pitombo, superintendente de Inovação e Desenvolvimento Ambiental da Sema e responsável técnica do PROT’AIR. “Essas agendas mostram como a cooperação internacional se concretiza no território, envolvendo governo, comunidade e setor privado em ações conjuntas de conservação”, disse.
Desde o início das ações, mais de quatro toneladas já foram removidas da região, resultado de um trabalho contínuo de monitoramento e manejo ambiental liderado pela Sema em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a comunidade local. Segundo Tiago Porto, diretor de Políticas e Planejamento Ambiental da Sema, a ação integra a quarta e última etapa da campanha de pesquisa voltada ao controle da espécie invasora.
“Estamos na quarta e última etapa da campanha do trabalho de pesquisa que a gente vem conduzindo aqui em Itaparica sobre as estratégias de remoção de uma espécie invasora de medusa, chamada Cassiopeia andrômeda. A gente vem fazendo esse trabalho desde julho, com campanhas mensais envolvendo a comunidade, e é perceptível a redução da quantidade de invasoras aqui na região”, afirmou.
As medusas invertidas, originárias do Indo-Pacífico, competem com espécies nativas e alteram o equilíbrio ecológico das áreas costeiras. Em Itaparica, a mobilização comunitária tem sido essencial para o sucesso das ações.
Moradora do centro de Itaparica e a primeira a identificar o problema, Luzia Brito relata os impactos da espécie no cotidiano local. “Antigamente a gente tomava banho de mar nessa região, pescava e mariscava. Hoje a gente já não pode fazer essas atividades porque essa medusa tem uma toxina que queima a pele. E nessa quarta ação a gente percebe que conseguiu reduzir um pouco essas medusas, mas ainda vai precisar que a gente faça mais ações e que a comunidade se envolva também”, destacou Luzia.
Parcerias institucionais e fortalecimento territorial
Além da ação de manejo, a comitiva francesa e a equipe da Sema realizaram uma reunião com a secretária de Governo de Itaparica, Larissa Oliveira, e com gestores do Hotel Sesc Itaparica (Senac/Fê Comércio), ampliando o diálogo sobre projetos de sustentabilidade e apoio às ações ambientais no município.
“Tivemos uma breve reunião com a secretária de governo, Larissa, aqui de Itaparica, que se colocou à disposição para continuar nos apoiando nessa importante ação de remoção dessas espécies invasoras que têm afetado a comunidade”, explicou Maiana Pitombo. “Já no Hotel Sesc Itaparica, discutimos potencialidades de elaboração de projetos em conjunto, especialmente de restauração de manguezal e combate à espécie exótica invasora”.
Durante a visita ao hotel, a comitiva conheceu iniciativas de compostagem e horta educativa, que transformam resíduos orgânicos em adubo e são utilizadas em atividades de educação ambiental com escolas da região. “O Sesc Itaparica também é o primeiro hotel da rede a conquistar a certificação Carbono Neutro, reconhecimento que o torna um exemplo de boas práticas de sustentabilidade no setor”, explicou a assistente de gerência, Cíntia.
Intercâmbio técnico e experiências compartilhadas
Para Morgane Brites, coordenadora do PROT’AIR pela Federação dos Parques Naturais Regionais da França e voluntária na Sema para a condução da cooperação França–Brasil, as atividades reforçam a importância da troca de experiências e do engajamento comunitário.
“É muito importante para nós ver o que está acontecendo no Brasil, no estado da Bahia, sobre o meio ambiente. Hoje vimos a problemática das espécies invasoras, e nós temos a mesma problemática na França também. Então é importante ver como as ações acontecem aqui, com a participação das comunidades, que é muito importante. E para o Projeto PROT’AIR, isso faz parte dessa troca de experiência”, afirmou.
A visita técnica integrou a programação que antecedeu a participação do presidente francês Emmanuel Macron em Salvador, nesta quarta-feira (5), durante o Festival Nosso Futuro, evento que reuniu lideranças nacionais e internacionais em torno de soluções inovadoras para o clima e a sustentabilidade.