Pesquisa mapeia iniciativas socioambientais em Salvador para enfrentar mudanças climáticas

11/03/2026
Pesquisa mapeia iniciativas socioambientais em Salvador para enfrentar mudanças climáticas
Foto: Divulgação

Um estudo publicado na última edição da revista Bahia Análise & Dados (BA&D), editada pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), revela como iniciativas socioambientais de Salvador estão contribuindo para enfrentar os impactos das mudanças climáticas, especialmente em comunidades socialmente vulneráveis. A pesquisa tem como autor principal João Paulo Pereira Ribeiro, coordenador da Diretoria de Políticas e Planejamento Ambiental (DIPPA) da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema), e conta com a colaboração dos professores Rodrigo Muller e Luiza Reis Teixeira, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

O levantamento identificou 53 iniciativas que integram o chamado Ecossistema de Inovação Socioambiental (EIS) da capital baiana, incluindo cooperativas de catadores, coletivos culturais, associações comunitárias, organizações não governamentais e startups. Esses ecossistemas são redes colaborativas formadas por organizações da sociedade civil, empreendimentos de impacto, cooperativas, coletivos, instituições de ensino e órgãos públicos que se articulam para desenvolver soluções voltadas a desafios socioambientais. Nesse modelo, a inovação não se orienta apenas pela lógica de mercado, mas também por mecanismos sociais e institucionais voltados ao interesse coletivo.

Um dos achados mais expressivos da pesquisa diz respeito à origem territorial das organizações. Mais da metade delas — 53,4% — surgiu em comunidades marcadas pela vulnerabilidade social. O Complexo do Nordeste de Amaralina concentra a maior parcela dessas iniciativas (29%), seguido por organizações vinculadas a povos e comunidades tradicionais — como quilombolas, indígenas, povos de terreiros e pescadores artesanais — que representam 16,1%. Outras entidades atuam simultaneamente em mais de uma comunidade (16,1%), enquanto a Península de Itapagipe reúne 6,5% das iniciativas identificadas.

Entre as principais áreas de atuação dessas organizações estão educação ambiental, conservação da natureza, gestão de resíduos e geração de trabalho e renda. Muitas dessas iniciativas também alinham suas atividades aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas, especialmente ao ODS 4, voltado à promoção de educação inclusiva e de qualidade.

Apesar do potencial identificado, o estudo aponta que o ecossistema de inovação socioambiental em Salvador ainda enfrenta desafios importantes, como a ausência de políticas públicas integradas, a escassez de recursos e a limitada articulação entre governo e sociedade civil.

“Os EIS são ambientes capazes de contribuir para o desenvolvimento socioeconômico e a conservação ambiental dos territórios, promovendo o fortalecimento da justiça ambiental e climática”, destaca João Paulo Ribeiro no estudo.

Como encaminhamento, os autores sugerem a criação de um observatório de inovação social na cidade, além de investimentos na formação de jovens das periferias como agentes de cidadania ambiental — estratégias que podem fortalecer a resposta local à crise climática e ampliar a justiça socioambiental.

A íntegra do artigo está disponível na mais recente edição da revista BA&D (clique aqui).

Fonte
Texto: Matheus Santana/ASCOM