A etapa de pré-diagnóstico do Projeto Sal da Terra na Bahia foi realizada ao longo da última semana, após a realização de visitas técnicas em comunidades do Semiárido baiano. A ação, conduzida no âmbito do Programa Água Doce (PAD-Bahia), iniciativa coordenada pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema), integra o processo de seleção das localidades que poderão receber unidades produtivas baseadas na agricultura biossalina, com foco no uso sustentável de águas salobras e salinas.
O trabalho envolveu duas rodadas de visitas de campo, com participação de equipes técnicas do programa, incluindo a coordenação estadual, e contemplou o levantamento de informações, registros fotográficos e a verificação das condições necessárias para a implantação das estruturas previstas no projeto. Até o momento, as atividades foram realizadas nos municípios de Pé de Serra, Baixa Grande, Pintadas, Riachão do Jacuípe, Conceição do Coité, Santaluz, Monte Santo, Euclides da Cunha, Itiúba, Andorinha, Jaguarari e Ourolândia. E na próxima semana, as equipes estarão realizando atividades no município de Pintadas.
De acordo com o coordenador estadual do PAD-Bahia, João Paulo Ribeiro, essa etapa é determinante para qualificar a seleção das comunidades que poderão integrar a iniciativa.
“Realizamos duas rodadas de visitas técnicas em comunidades previamente identificadas, dentro do pré-diagnóstico que está sendo conduzido para selecionar as localidades aptas a participar do Projeto Sal da Terra. Esse processo permite verificar, em campo, as condições necessárias para a implantação das unidades produtivas e reunir informações que orientam a etapa seguinte do projeto”, explicou.
Uso sustentável e geração de oportunidades
Coordenado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a Sema e outras instituições, o Projeto Sal da Terra tem como objetivo implantar unidades socioprodutivas a partir de sistemas de dessalinização já existentes em comunidades do Semiárido.
A iniciativa propõe o aproveitamento do concentrado salino gerado nesses sistemas, incorporando esse recurso a atividades produtivas como aquicultura e cultivo de espécies adaptadas à salinidade. A estratégia busca ampliar as alternativas de produção, contribuindo para a segurança alimentar e para a geração de renda em áreas rurais.
Na Bahia, está prevista a implantação de uma unidade produtiva completa, três unidades voltadas à produção de mudas, hortas e pomares e quatro vitrines tecnológicas destinadas à demonstração de práticas adaptadas às condições da região.
O pré-diagnóstico constitui uma etapa essencial para a definição das comunidades que seguirão para a fase final de seleção. Durante as visitas, são avaliados aspectos como vazão e qualidade da água dos poços, características do solo, disponibilidade de área e organização comunitária. Esses critérios permitem identificar o tipo de unidade mais adequado a cada localidade, considerando as condições ambientais e a viabilidade de implementação das tecnologias propostas. As informações coletadas subsidiam a análise técnica conduzida pela equipe responsável pelo projeto.
Nesse sentido, João Paulo também destacou a articulação institucional envolvida na execução das atividades no estado e os próximos passos da iniciativa.
“A atuação na Bahia ocorre de forma integrada, com a participação de diferentes instituições, e conta com o apoio da Secretaria do Meio Ambiente, considerando que as unidades produtivas serão implantadas em sistemas já existentes do Programa Água Doce. As próximas etapas incluem a realização de um seminário previsto para o mês de junho, que dará continuidade às atividades do projeto no estado”, afirmou o coordenador do PAD-Bahia.