07/12/2016
Micos: um grito de alerta, é uma obra de Bernadete Maria Seixas de Cardoso, médica veterinária do Parque Zoobotânico Getúlio Vargas, o Zoo de Salvador, há 34 anos e também Primatóloga (cientista que estuda os primatas). Cardoso é formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e pós-graduada pela Universidade de Brasília (UnB), onde participou do primeiro curso sobre primatas com manejo e conservação da espécie não humanos existentes no Brasil, financiado pela própria Universidade, em 1983. Atualmente a especialista é a responsável pelo setor de primatas do Zoo da capital baiana.
Em entrevista, Bernadete contou que o livro foi resultado de muita pesquisa e dedicação. “Comecei a escrever sobre os primatas através da sugestão de amigos. O livro surgiu da necessidade de informar as pessoas para não criarem estes animais como pets”, disse a especialista.
Na publicação, Bernadete conta que entre as década de 80 e 2000 era grande o número de turistas, tanto brasileiros como estrangeiros, que chegavam ao Parque Zoobotânico de Salvador com os micos em crise de convulsão por serem vacinados contra a raiva com vacina de cães. Muitos até morriam.
Segundo a autora, “era muito comum naqueles anos a venda ilegal para turistas que compravam na mão de traficantes nas estradas e, aparentemente, os animais estavam mansos. Porém, quando passava o efeito da cachaça ou aguardente, o mico começava a morder. Ou então eram levados ainda pequenos e criados de forma errada (amarrava o dorso de corda). Consequentemente vinham a óbito e quando sobreviviam começavam a morder as pessoas".
A obra também traz a proposta de estimular a conservação da Casa-Floresta, local onde vivem esses animais, trazendo informações sobre diversas espécies de micos existentes em todo o Brasil, e também ressalta a importância destes animais serem criados em seu habitat natural. Os micos são animais que não vivem sozinhos, pois formam grupos e famílias. A domesticação deste animal pode trazer doenças para os humanos e a extinção da espécie caso essa atitude permaneça.
[caption id="attachment_41628" align="aligncenter" width="361"]
Sagui-dos-tufos-brancos (Callithrix jacchus) [/caption]
Os micos são bichos que também sentem frio, dor, pois têm a mesma cognição humana, logo, é importante conservar a sua casa, que são os ecossistemas (as florestas, a mata atlântica, os biomas do Brasil, a floresta amazônica, o pantanal, a caatinga).
Os primatas são animais muito exigentes para sobreviverem, são gregários e sociáveis, vivem em grupos, bichos desses sozinhos ficam muito tristes. “Eu já vi casos em que eles se automutilavam, comiam a sua própria cauda e quando chega a esse grau de estresse dificilmente ele vai sobreviver”, enfatizou.
“Eu observo os micos desde o Corredor da Vitoria, até Praia de Flamengo e os quintais de Itapuã, as árvores frutíferas, e o que posso dizer é que era muito mais abundante. Eu, por exemplo, moro na Pituba e o que sempre observo é que naquela região geralmente eles morrerem eletrocutados, morrem de fome. Os gaviões carcarás pegam, pois eles não têm como se esconder. É muito triste”, finalizou Cardoso.
Ainda é grande o numero de micos que chegam ao zoológico, trazidos por pessoas, após sofrerem descargas elétricas, o local apropriado para levar os animais é para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS).
A obra de Bernadete teve dois lançamentos: o primeiro pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Bahia, em 18 de dezembro de 2014 e o segundo no Congresso da Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil, em Foz do Iguaçu, no Paraná, em março de 2015, cujo tema do Congresso foi os quatro micos- leões da Mata Atlântica que estão descritos no livro.
Foram distribuídos ao total cerca de mil exemplares nos lançamentos e agora a autora se prepara para lançá-lo em seu local de trabalho.
Bernadete deixou explicito o sonho de também traduzir o livro para o inglês e quem sabe sua versão para download, para atingir um maior número de pessoas, tendo como alvo principal os estudantes de biologia.
Em entrevista, Bernadete contou que o livro foi resultado de muita pesquisa e dedicação. “Comecei a escrever sobre os primatas através da sugestão de amigos. O livro surgiu da necessidade de informar as pessoas para não criarem estes animais como pets”, disse a especialista.
Na publicação, Bernadete conta que entre as década de 80 e 2000 era grande o número de turistas, tanto brasileiros como estrangeiros, que chegavam ao Parque Zoobotânico de Salvador com os micos em crise de convulsão por serem vacinados contra a raiva com vacina de cães. Muitos até morriam.
Segundo a autora, “era muito comum naqueles anos a venda ilegal para turistas que compravam na mão de traficantes nas estradas e, aparentemente, os animais estavam mansos. Porém, quando passava o efeito da cachaça ou aguardente, o mico começava a morder. Ou então eram levados ainda pequenos e criados de forma errada (amarrava o dorso de corda). Consequentemente vinham a óbito e quando sobreviviam começavam a morder as pessoas".
A obra também traz a proposta de estimular a conservação da Casa-Floresta, local onde vivem esses animais, trazendo informações sobre diversas espécies de micos existentes em todo o Brasil, e também ressalta a importância destes animais serem criados em seu habitat natural. Os micos são animais que não vivem sozinhos, pois formam grupos e famílias. A domesticação deste animal pode trazer doenças para os humanos e a extinção da espécie caso essa atitude permaneça.
[caption id="attachment_41628" align="aligncenter" width="361"]
Sagui-dos-tufos-brancos (Callithrix jacchus) [/caption]Os micos são bichos que também sentem frio, dor, pois têm a mesma cognição humana, logo, é importante conservar a sua casa, que são os ecossistemas (as florestas, a mata atlântica, os biomas do Brasil, a floresta amazônica, o pantanal, a caatinga).
Os primatas são animais muito exigentes para sobreviverem, são gregários e sociáveis, vivem em grupos, bichos desses sozinhos ficam muito tristes. “Eu já vi casos em que eles se automutilavam, comiam a sua própria cauda e quando chega a esse grau de estresse dificilmente ele vai sobreviver”, enfatizou.
“Eu observo os micos desde o Corredor da Vitoria, até Praia de Flamengo e os quintais de Itapuã, as árvores frutíferas, e o que posso dizer é que era muito mais abundante. Eu, por exemplo, moro na Pituba e o que sempre observo é que naquela região geralmente eles morrerem eletrocutados, morrem de fome. Os gaviões carcarás pegam, pois eles não têm como se esconder. É muito triste”, finalizou Cardoso.
Ainda é grande o numero de micos que chegam ao zoológico, trazidos por pessoas, após sofrerem descargas elétricas, o local apropriado para levar os animais é para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS).
A obra de Bernadete teve dois lançamentos: o primeiro pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Bahia, em 18 de dezembro de 2014 e o segundo no Congresso da Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil, em Foz do Iguaçu, no Paraná, em março de 2015, cujo tema do Congresso foi os quatro micos- leões da Mata Atlântica que estão descritos no livro.
Foram distribuídos ao total cerca de mil exemplares nos lançamentos e agora a autora se prepara para lançá-lo em seu local de trabalho.
Bernadete deixou explicito o sonho de também traduzir o livro para o inglês e quem sabe sua versão para download, para atingir um maior número de pessoas, tendo como alvo principal os estudantes de biologia.