Em parceria com a CIATox, Inema promove curso de animais peçonhentos: prevenção de acidentes e primeiros socorros

07/05/2024
O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) promoveu, na manhã desta terça-feira (07), um curso de prevenção de acidentes e primeiros socorros para servidores do órgão ambiental. A capacitação, que ocorreu em parceria com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Bahia (CIATox-BA), foi realizada no Auditório Lúcia Alencar, na Secretaria de Saúde do Estado da Bahia.

Durante o curso, os profissionais foram instruídos sobre as medidas adequadas a serem tomadas em casos de acidentes causados por animais peçonhentos e plantas tóxicas, incluindo orientações sobre a remoção segura desses agentes. Representando o Instituto na abertura do evento, o diretor de Recursos Hídricos e Monitoramento Ambiental (DIRAM), Antônio Martins Rocha, explica que a equipe do CIATox-BA foi convidada para aplicar a capacitação por desempenhar um papel fundamental na transmissão de conhecimentos e técnicas especializadas sobre a temática em questão.

"No trabalho de campo a gente sabe que, inevitavelmente, nós nos confrontamos em situações de risco e é bom que a gente esteja devidamente capacitado para resolver bem as circunstâncias e principalmente agir de forma preventiva, identificando animais, peçonhentos, plantas que podem ser venenosas, garantindo o que é mais importante na nossa atividade de campo, que é a segurança de todos e todas os servidores e servidoras do nosso instituto. Então foi daí que surgiu a parceria entre o Inema e o Centro de Informação e Assistência Toxocológica da Bahia, o CIATox, que faz parte da Secretaria de Saúde", explica o gestor.

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Prevenção de acidentes

Único na Bahia, o CIATox atende anualmente cerca de 9.000 ocorrências tóxicas e monitora, através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), em torno de 32.000 notificações de acidentes por animais peçonhentos e intoxicações exógenas.

Segundo o diretor do Centro, Jucelino Nery Filho, os acidentes costumam ocorrer durante períodos de enchentes, queimadas ou chuvas intensas, quando esses animais se aproximam das residências em busca de abrigo ou alimento. Além disso, há um aumento notável nos acidentes por abelhas, relacionado ao uso indiscriminado de agrotóxicos, que desloca esses insetos e afeta sua população, essencial para a polinização e produção de alimentos.

“Os números de acidentes envolvendo escorpiões, serpentes e outros animais peçonhentos têm aumentado significativamente ao longo dos anos, atingindo preocupantes 23 mil casos por escorpiões e 10 mil por serpentes no último ano. Esses aumentos são atribuídos a várias questões, incluindo problemas de saneamento básico, desmatamento e mudanças climáticas que levam esses animais a se deslocarem para áreas urbanas e residenciais”, reitera Jucelino.

Ele continua explicando que esses acidentes não são restritos apenas a trabalhadores rurais, mas também afetam profissionais de diversos setores, a exemplo da construção civil. Os escorpiões representam a maioria dos casos (73%), seguidos por serpentes (11%) e abelhas (7,1%). Anteriormente, as aranhas lideravam em relação às abelhas, indicando mudanças nas ocorrências ao longo dos anos.

Nesse sentido, o CIATox desempenha um papel crucial na Bahia. Além de monitorar, capacitar, diagnosticar e prevenir acidentes, o Centro ainda gerencia a distribuição de antivenenos em unidades de saúde em todo o estado, garantindo um atendimento eficaz para aqueles que necessitam.

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Teoria em campo

Para os técnicos que atuam na linha de frente durante as ações de manejo e conservação da fauna silvestre, a capacitação é uma oportunidade de garantir a segurança dos profissionais, a eficiência operacional e a preservação do meio ambiente durante suas atividades de campo, é o que aponta Aline Barbosa, bióloga que atua na linha de frente durante ações de resgate, reabilitação e soltura de animais silvestres que chegam por meio do Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do Inema.

“A gente está tendo a chance de identificar animais peçonhentos que estão na nossa região de atuação, como se comportar caso ocorram acidentes, qual o procedimento a adotar. É importante que a gente esteja sempre com essas informações atualizadas, principalmente da instituição que recebe, que registra esses atendimentos, que é a Secretaria de Saúde. Isso ajuda não só na nossa segurança, mas também que a gente esclareça a população sobre quais os cuidados que precisam ser tomados, os manejos a serem evitados, além de desmistificar também alguns mitos que estão fazendo com que algumas espécies sejam afetadas de forma negativa, impactadas por algumas crendices que a população tem em relação aos acidentes, em relação ao comportamento de alguns animais. Então isso acaba sendo positivo para todo mundo”, afirma a técnica do Inema, atualmente lotada na unidade de Ilhéus.

Já Leonardo Santos, técnico que atua na área de licenciamento ambiental do Instituto, acredita que esse tipo de treinamento não só capacita os profissionais para lidar com situações de risco, mas também os prepara para tomar as medidas corretas em caso de emergências, contribuindo significativamente para a segurança e o bem-estar tanto dos técnicos quanto das comunidades onde atuam.

“A grande dificuldade dos técnicos, às vezes, é achar lugares em que possa ter esse atendimento para quem está em campo. Então, a gente não tem esse conhecimento. Essa capacitação está sendo extremamente importante porque informa a gente sobre o que fazer no campo, tanto para a identificação dos animais peçonhentos e venenosos, quanto para buscar ajuda, caso seja necessário, dentro do campo”, salienta Leonardo.

Outros setores do Instituto também foram representados na capacitação, por meio da participação de técnicos das Diretorias de Regulação (DIRRE), Fiscalização (DIFIS) e Sustentabilidade e Conservação (DISUC).

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