Inema destaca importância da medição da vazão de água em rios para a gestão hídrica

25/07/2024
Chega ao fim, nesta quinta-feira (25), o treinamento de Medição de Vazão de Água em Rios, promovido pela Diretoria de Recursos Hídricos e Monitoramento Ambiental (DIRAM) para servidores do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). O cenário escolhido para a aula prática final foi o Rio Imbassaí, a 70 quilômetros de Salvador, onde os participantes utilizaram exclusivamente o equipamento Flow Tracker, essencial para medições em rios de menor profundidade.

Desde a última terça-feira (23), dezoito servidores do Inema, incluindo técnicos de cinco unidades regionais (Sul, Sertão São Francisco, Portal do Sertão, Sudoeste e Oeste), se reuniram com gestores da Coordenação de Monitoramento (COMON) para aprimorar suas habilidades em tecnologias avançadas de monitoramento hídrico. Este treinamento faz parte de uma série de iniciativas que visa fortalecer a capacidade dos órgãos gestores de recursos hídricos na Bahia.

Com sete anos de experiência em Medição de Vazão de água em rios, a servidora Adriana Veiga explica que, na prática, forma-se um conjunto de dados que o Inema vai ter, utilizando em várias vertentes.

"Se você monitora sempre um rio, você vai saber as épocas em que ele é mais seco e quando ele tem grandes níveis de água. No caso da medição de vazão, que é uma descarga líquida, a gente mede esse volume de água em relação a um determinado tempo, e muitas vezes nós utilizamos essas medições até em irrigação. Se você quer outorgar uma quantidade de água determinada por exemplo, o Estado, antes de mais nada, precisa saber se esse rio tem quantidade de água suficiente para poder ter essa irrigação, se os seres vivos estão bem, ou quanto nós podemos estar outorgando pra que esse rio ou as comunidades próximas não venham ser afetados, além de ser importante também para saber se libera ou não a abertura de uma barragem em determinados períodos de emergência", avaliou Adriana, uma das instrutoras do treinamento.

Durante os dois primeiros dias, os participantes foram introduzidos ao Método Acústico ADCP (Acoustic Doppler Current Profiler), que utiliza o efeito Doppler para medir a velocidade da água e sedimentos em suspensão, uma tecnologia avançada que transmite pulsos sonoros de frequência fixa e analisa o eco retornado.

"O disposito Doppler emite um sinal de ondas sonoras e dá o retorno pelas partículas que existem dentro da água, ele emite o sinal para o aparelho, que identifica a velocidade daquela partícula junto com a água, medindo a velocidade da água que está passando naquele trecho do rio", explica Givanildo Lima, um dos servidores da Unidade Regional do Portal do Sertão - Feira de Santana, que participa do treinamento com o objetivo de aperfeiçoar as técnicas.

Uso do Flow Tracker na medição

Depois de um dia de prática voltada apenas para o equipamento Riversurveyor M9 (confira aqui), o foco do treinamento desta quinta foi o uso do Flow Tracker, que complementa o treinamento ao capacitar os servidores para utilizar diferentes tecnologias com métodos acústicos, conforme a necessidade dos diversos pontos monitorados. Comparado ao sistema de medição M9, Givanildo explica que o Flow Tracker é mais simples de operar.

"O aparelho já dá alguns dados que você precisa para serem utilizados na atividade, enquanto que o M9 você tem que trabalhar com sistema de GPS conectado com equipamento. Isso porque às vezes o local não tem um sinal muito bom, o clima tá nublado, então você perde um pouco a qualidade dos dados, enquanto que é o Flow costuma ser mais prático por ser manual, mas ambos são muito eficientes, inclusive a precisão do M9 é maior, porque o Flow você divide o rio em algumas seções, de acordo a largura do rio, já o M9 faz uma leitura contínua de todo o leito do rio", disse ele.

Novamente liderando a equipe de campo, a especialista em meio ambiente e recursos hídricos do Inema, Rosane Aquino, explica que o Inema faz as medições de vazões mais ou menos 4 vezes ao ano, em função do períodos de cheia e de vazantes.

"Esses dados são coletados todos os dias e repassados ao Inema pelo observador, que geralmente é alguém da própria comunidade, contratado especificamente para isso. Com esses dados a gente gera uma curva-chave, que é uma equação que relaciona a vazão medida agora com o nível do rio medido pela cota (régua), a partir daí geramos a equação, e com ela a gente consegue transformar, em função da cota, qual é a vazão, formando uma série de vazões. Mas presencialmente, nossas equipes hidrológicas fazem essa medição mais ou menos umas 4 vezes ao ano", esclarece Rosane.

Além da coleta de dados sobre a vazão dos rios e a qualidade das águas, a divulgação dessas informações são fatores essenciais para garantir a segurança hídrica do estado baiano, assegurando que as populações tenham acesso a água de qualidade, mesmo em períodos de escassez. Esses dados também orientam o planejamento urbano e rural, promovendo o uso sustentável dos recursos hídricos em atividades agrícolas, industriais e urbanas.

O técnico Rafael Nascimento, da UR Sul - Itabuna, destaca a importância de o órgão ambiental gerar dados que subsidiam pesquisadores e sistemas nacionais de segurança hídrica, informando e educando a população sobre a importância da conservação dos recursos naturais.

"Essas informações geradas pela medição da vazão são importantíssimas para o Governo do Estado elaborar políticas públicas voltadas para uma determinada região, para um determinado município, são mais de 600 pontos monitorados em todo o estado pelo programa Monitora e também pelo Qualiágua, então é muito importante todo esse trabalho que o Inema faz de monitorar e avaliar a situação para planejar o futuro", disse.

Vale destacar, ainda, que dados precisos e acessíveis permitem a formulação de políticas públicas eficazes e o desenvolvimento de soluções inovadoras para os desafios ambientais. Para acessar os dados gerados pelas atividades de monitoramento do Inema, basta acessar o portal Seia Monitoramento: www.monitoramento.seia.ba.gov.br.

Com o término deste treinamento, os técnicos do Inema, de Salvador e demais unidades regionais, estão mais bem equipados e preparados para enfrentar os desafios na gestão dos recursos hídricos da Bahia, garantindo a preservação e o uso sustentável dos recursos naturais do estado.

O Programa Qualiágua, de onde são gerados os dados nacionais, visa estruturar os órgãos gestores para a realização do monitoramento sistemático da qualidade das águas, proporcionando publicidade aos dados e gerando informações vitais sobre a qualidade dos recursos hídricos. A iniciativa também busca aumentar a capacidade de resposta em situações de crise hídrica, seja devido a fatores naturais ou ações humanas.

 

Fotos: Tiago Dantas/Ascom Sema
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