15/04/2025
Novamente, a Bahia se destaca no cenário ambiental nacional, desta vez com o projeto de reintrodução do bugio-preto (Alouatta caraya). Um grupo de nove macacos da espécie voltou a habitar seu ambiente natural, nesta terça-feira (15), no município de Campo Formoso, no norte da Bahia. A ação contou com a participação do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e outras instituições, e representa um símbolo da resistência da fauna silvestre diante das ameaças humanas e da força de ações articuladas de preservação ambiental.
A localidade escolhida para a soltura foi cadastrada pelo Inema, em 2023, como Área de Soltura de Animais Silvestres (ASAS), garantindo que o ambiente reúne condições ideais como vegetação nativa, fonte hídrica e abundância de alimento, como folhas e frutos, que compõem a base da dieta da espécie.
A bióloga da Coordenação de Gestão de Fauna do Inema, Marianna Pinho, explica que foi realizada uma soltura branda, quando o processo acontece de forma adaptativa, respeitando o tempo do próprio animal.
“Essa foi uma etapa importante do projeto de soltura dos bugios, porque foi aberto o recinto de aclimatação, por onde eles passaram cerca de um mês e meio, aproximadamente. Lá, ficaram se adaptando ao ambiente e reaprendendo algumas estratégias para poder voltar à natureza”, destacou a bióloga.
Uma das fases de adaptação dos bugios também envolve o aprendizado alimentar na vida livre. “Durante um tempo, a equipe continua ofertando alimento para eles, para que possam se adaptar ao ambiente e retornar ao recinto quando sentirem necessidade, até que estejam aptos a viver em liberdade e não precisem mais voltar em busca de alimentos ofertados. Eles já começam a buscar o alimento por conta própria na natureza”, completou Marianna.
Monitoramento dos primatas
Três dos bugios receberam colares com radiotransmissores, o que permite que a adaptação no ambiente natural continue sendo acompanhada nos próximos meses. Andreza Maral, bióloga da ONG Animallia Ambiental e coordenadora do projeto Bugios Pretos no Boqueirão da Onça, explica que a resposta dos primatas tem superado as expectativas.
“Foi um processo mais rápido do que esperávamos, mas que tem trazido muitas novidades. O monitoramento seguirá, agora em vida livre. Um dos indivíduos está com o colar, e temos um aparelho de recepção do sinal, então vamos buscar localizá-los conforme a rota que estão traçando atualmente”, afirmou Andreza.
O período de aclimatação no recinto da ASAS foi supervisionado, esse cuidado prévio foi essencial, considerando que este momento não se resume a abrir um compartimento e liberar os animais, mas sim o resultado de um processo detalhado, em que cada decisão visa garantir a sobrevivência e o bem-estar dos indivíduos.
Andreza também explica que, no momento da soltura, “eles seguiram para uma área com mais vegetação de caatinga. É possível que regressem ao recinto ou simplesmente continuem adentrando o território em busca de alimento, água e outros indivíduos da mesma espécie”.
Após a finalização do processo de soltura, o monitoramento dos bugios seguirá de forma contínua pelos próximos dois meses, período no qual os especialistas irão estudar sua adaptação e consolidar a reintrodução como um sucesso.
Espécie ameaçada
A espécie é ameaçada de extinção devido à ação humana, por meio da caça, capturas, desmatamentos e queimadas criminosas. Os bugios são nativos da Caatinga e do Cerrado, e apresentam características marcantes: os machos adultos têm coloração preta, ao contrário das fêmeas, que têm a pelagem mais amarelada. Além disso, possuem vocalização mais intensa em comparação com outras espécies. Esses primatas têm papel fundamental na preservação da flora, pois, por serem herbívoros, atuam como dispersores naturais de sementes.
“Como essa é uma espécie ameaçada de extinção, também é importante destacar que o macho alfa é proveniente da própria região. Ele foi resgatado aqui, reabilitado e agora retorna à natureza. É um elemento importante no grupo, justamente por já conhecer o ambiente e os demais poderão aprender com ele a conviver nesse ecossistema”, pontuou a bióloga Marianna Pinho.
A iniciativa foi iniciada durante as ações da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) da Bacia do São Francisco, coordenada pelo Ministério Público da Bahia. A operação reúne órgãos como a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o próprio Inema e diversas outras instituições que atuam no combate ao tráfico de animais silvestres. Cada etapa dessa jornada foi marcada por rigor técnico e sensibilidade ecológica, desde o resgate dos animais até sua preparação para o retorno à vida livre.
Todo o trabalho contou com a participação de especialistas do Inema, do Ministério Público da Bahia, da CEMAFAUNA e da ONG Animallia. Estiveram na soltura o médico veterinário Lucas Cabral (Animallia) e as biólogas Ana Paula Araújo(Animallia) e Maria Luiza Deus (Inema).
A localidade escolhida para a soltura foi cadastrada pelo Inema, em 2023, como Área de Soltura de Animais Silvestres (ASAS), garantindo que o ambiente reúne condições ideais como vegetação nativa, fonte hídrica e abundância de alimento, como folhas e frutos, que compõem a base da dieta da espécie.
A bióloga da Coordenação de Gestão de Fauna do Inema, Marianna Pinho, explica que foi realizada uma soltura branda, quando o processo acontece de forma adaptativa, respeitando o tempo do próprio animal.
“Essa foi uma etapa importante do projeto de soltura dos bugios, porque foi aberto o recinto de aclimatação, por onde eles passaram cerca de um mês e meio, aproximadamente. Lá, ficaram se adaptando ao ambiente e reaprendendo algumas estratégias para poder voltar à natureza”, destacou a bióloga.
Uma das fases de adaptação dos bugios também envolve o aprendizado alimentar na vida livre. “Durante um tempo, a equipe continua ofertando alimento para eles, para que possam se adaptar ao ambiente e retornar ao recinto quando sentirem necessidade, até que estejam aptos a viver em liberdade e não precisem mais voltar em busca de alimentos ofertados. Eles já começam a buscar o alimento por conta própria na natureza”, completou Marianna.
Monitoramento dos primatas
Três dos bugios receberam colares com radiotransmissores, o que permite que a adaptação no ambiente natural continue sendo acompanhada nos próximos meses. Andreza Maral, bióloga da ONG Animallia Ambiental e coordenadora do projeto Bugios Pretos no Boqueirão da Onça, explica que a resposta dos primatas tem superado as expectativas.
“Foi um processo mais rápido do que esperávamos, mas que tem trazido muitas novidades. O monitoramento seguirá, agora em vida livre. Um dos indivíduos está com o colar, e temos um aparelho de recepção do sinal, então vamos buscar localizá-los conforme a rota que estão traçando atualmente”, afirmou Andreza.
O período de aclimatação no recinto da ASAS foi supervisionado, esse cuidado prévio foi essencial, considerando que este momento não se resume a abrir um compartimento e liberar os animais, mas sim o resultado de um processo detalhado, em que cada decisão visa garantir a sobrevivência e o bem-estar dos indivíduos.
Andreza também explica que, no momento da soltura, “eles seguiram para uma área com mais vegetação de caatinga. É possível que regressem ao recinto ou simplesmente continuem adentrando o território em busca de alimento, água e outros indivíduos da mesma espécie”.
Após a finalização do processo de soltura, o monitoramento dos bugios seguirá de forma contínua pelos próximos dois meses, período no qual os especialistas irão estudar sua adaptação e consolidar a reintrodução como um sucesso.
Espécie ameaçada
A espécie é ameaçada de extinção devido à ação humana, por meio da caça, capturas, desmatamentos e queimadas criminosas. Os bugios são nativos da Caatinga e do Cerrado, e apresentam características marcantes: os machos adultos têm coloração preta, ao contrário das fêmeas, que têm a pelagem mais amarelada. Além disso, possuem vocalização mais intensa em comparação com outras espécies. Esses primatas têm papel fundamental na preservação da flora, pois, por serem herbívoros, atuam como dispersores naturais de sementes.
“Como essa é uma espécie ameaçada de extinção, também é importante destacar que o macho alfa é proveniente da própria região. Ele foi resgatado aqui, reabilitado e agora retorna à natureza. É um elemento importante no grupo, justamente por já conhecer o ambiente e os demais poderão aprender com ele a conviver nesse ecossistema”, pontuou a bióloga Marianna Pinho.
A iniciativa foi iniciada durante as ações da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) da Bacia do São Francisco, coordenada pelo Ministério Público da Bahia. A operação reúne órgãos como a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o próprio Inema e diversas outras instituições que atuam no combate ao tráfico de animais silvestres. Cada etapa dessa jornada foi marcada por rigor técnico e sensibilidade ecológica, desde o resgate dos animais até sua preparação para o retorno à vida livre.
Todo o trabalho contou com a participação de especialistas do Inema, do Ministério Público da Bahia, da CEMAFAUNA e da ONG Animallia. Estiveram na soltura o médico veterinário Lucas Cabral (Animallia) e as biólogas Ana Paula Araújo(Animallia) e Maria Luiza Deus (Inema).