10/04/2025
Representantes do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e de diversos órgãos do Governo do Estado participaram, nesta quinta-feira (10), na cidade de Wagner, na Chapada Diamantina, de uma reunião com o objetivo de ouvir as demandas e proposições das comunidades ribeirinhas e dos assentamentos rurais diante dos impactos da seca que afeta a Bacia do Rio Utinga. O encontro, promovido pelo Consórcio Chapada Forte e pelas Associações da Bacia, aconteceu no auditório do Centro Técnico de Educação Profissional e reuniu mais de 200 participantes, entre moradores de toda a região, lideranças comunitárias, produtores rurais e gestores municipais.
Na oportunidade, foram discutidos os principais desafios enfrentados pelos gestores e a população local, e apresentado um conjunto de iniciativas emergenciais voltadas ao monitoramento dos rios, abastecimento humano, dessendentação animal e agricultura.
Entre as ações realizadas estão o reforço no abastecimento da zona rural por meio de carros-pipa, além da construção de cisternas e poços artesianos, plano de restauração de matas ciliares, melhoria dos sistemas de captação e abastecimento, com projetos para a construção de barragens de pequeno, médio e grande porte, a exemplo do projeto da barragem do Rio Bonito.
Segundo o diretor de Recursos Hídricos e Monitoramento Ambiental do Inema, Antônio Martins, o Governo do Estado tem atuado continuamente e, nos últimos meses, intensificou as ações e investimentos para superar os impactos causados pela escassez de chuvas.
“Reforçamos o sistema de monitoramento dos níveis dos mananciais e das captações em toda a bacia, buscando alternativas de curto, médio e longo prazo. Esse diálogo com os moradores é fundamental para ações mais eficazes. Desde 2024, o Inema tem realizado a campanha “Dia do Rio Utinga”, com ações transversais do Estado que combinam a sensibilização, educação ambiental, monitoramento e regularização ambiental e cadastral dos usuários”, destacou o diretor.
Uma das organizadoras do encontro, a prefeita de Lençóis e presidente do Consórcio, Vanessa Senna, reforçou a necessidade de articulação entre as prefeituras e o Estado para enfrentar os efeitos da estiagem e dar melhores condições à população.
“Essa união entre os entes públicos e a população é o caminho para garantir soluções conjuntas e eficazes para garantir a água e a sobrevivência das comunidades que dependem diretamente do rio. Nosso povo está sentindo os efeitos diretos da escassez hídrica, e precisamos agir com responsabilidade”, afirmou a gestora.
Anfitrião do encontro, o prefeito de Wagner, Thiago Ladeia, agradeceu a presença dos órgãos estaduais e alertou para a situação que o município vem enfrentando. “Ações emergenciais são bem-vindas, mas precisamos olhar para o futuro e investir em soluções definitivas que fortaleçam nossa convivência com o semiárido”, pontuou.
As lideranças locais destacaram a importância da resposta rápida do Estado diante do agravamento da crise hídrica e reforçaram a necessidade de soluções imediatas e estruturantes para o semiárido baiano.
“A bacia do Utinga é vital para a população dos municípios de toda a região, não podemos esperar a efetivação de grandes obras, elas são fundamentais para uma solução duradoura, mas antes é preciso agir por meio de intervenções emergenciais com resultados rápidos”, pontuou o representante do Movimento SOS Semiárido, que esteve na representação baixo Utinga, Nildenor Silva Filho. Na ocasião, o mesmo entregou um documento com reivindicações ao Estado para solução imediata do problema.
O representante da Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (SIHS), Eliezer Ladeia, apresentou os projetos em andamento para garantir o abastecimento das comunidades mais afetadas. “A prioridade é assegurar água potável para a população. Estamos reavaliando estratégias e ampliando o uso de carros-pipa, além de buscar alternativas como poços, cisternas, barramentos e barragens”, explicou.
A crise hídrica sob o olhar da comunidade
Para o Cacique Juvenal Payaya, indígena e morador local, a degradação do Rio Utinga resulta mais da ação humana do que da redução das chuvas. “O Rio para nosso povo é vida, mas hoje, o cenário é de um rio degradado, poluído e sendo explorado sem controle", alerta.
"Nós, povos originários, estamos aqui não somente para cobrar, mas para trabalhar junto a todos as instituições, com nosso conhecimento e práticas de proteção das matas ciliares e manejo adequado do solo, temos um trabalho com um viveiro de plantas nativas e já reflorestamos uma área que era usada como lixão. Nos colocamos a disposição para atuar nos projetos de reflorestamento tanto em nossas comunidades quanto nas vizinhas”, completou o Cacique.
Também estiveram presentes os prefeitos de Utinga, Átila Sant Anna, de Boninal, Celeste Augusta, e representantes de Lajedinho e Bonito, assim como técnicos da Companhia de Engenharia Hídrica e de Saneamento da Bahia(Cerb), da Embasa, Unidade Regional do Inema na Chapada (Seabra) e do Núcleo de Outorga.