Cerrado Baiano: desafios e avanços na preservação do “Berço das Águas”

11/09/2025
Cerrado Baiano

O Dia Nacional do Cerrado, celebrado em 11 de setembro, chama atenção para a preservação do segundo maior bioma do Brasil, considerado o “berço das águas” por abrigar nascentes que alimentam as principais bacias hidrográficas do país. Reconhecido pela sua riqueza natural, o Cerrado abriga cerca de 5% da biodiversidade mundial e possui espécies únicas de fauna e flora, além de grande relevância cultural para comunidades tradicionais.

Apesar de sua importância, o Cerrado é também um dos biomas mais ameaçados, já perdeu mais da metade de sua vegetação nativa, principalmente pela expansão agropecuária e pelas queimadas. Essa realidade reforça a necessidade de ações de conservação e manejo sustentável.

Na Bahia, o Cerrado ocupa cerca de um terço do território estadual, abrangendo principalmente o Oeste baiano. Essa região é marcada pela abundância hídrica, com rios como o São Francisco, Corrente e Grande, fundamentais para o abastecimento humano, a agricultura e a geração de energia.

Os desafios de proteger esse patrimônio são grandes, sobretudo diante do desmatamento e das queimadas. Questionado sobre as principais dificuldades enfrentadas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), o diretor de Fiscalização (DIFIS), Miguel Calmon, destaca que a dimensão territorial da Bahia e a complexidade das demandas são obstáculos centrais. “Mesmo com a redução do desmatamento, ainda lidamos com perdas de cobertura vegetal por supressões ilegais e queimadas que impactam diretamente a fauna e os ecossistemas. Por isso, o Inema tem atuado com operações planejadas, uso de tecnologias como drones e sensoriamento remoto, além de equipes especializadas em campo”, explica.

Segundo ele, outro foco é a recuperação de áreas degradadas e o monitoramento do bioma. Nesse sentido, o Instituto tem avançado com iniciativas estratégicas como o Sistema Integrado de Fiscalização da Vegetação Nativa da Bahia (SIFVN), que reúne diferentes ferramentas tecnológicas, a exemplo da Plataforma Mapbiomas Alerta e do GEOBAHIA.

“O SIFVN é um passo fundamental para intensificar nossa atuação no Cerrado. Com ele, conseguimos centralizar informações e fortalecer nossa capacidade de prevenir, detectar e combater o desmatamento e as queimadas, contribuindo diretamente para a preservação deste bioma essencial”, completou Miguel.

Essa proteção também está ligada à importância ecológica e cultural do Cerrado baiano. Para compreender seu papel na biodiversidade e na manutenção dos recursos hídricos, o diretor de Políticas e Planejamento Ambiental (DIPPA) da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), Tiago Porto, explica.

“O Cerrado é muitas vezes chamado de caixa d’água da Bahia, pela grande disponibilidade de água superficial e subterrânea, como o aquífero Urucuia. Além disso, é um bioma savânico que, mesmo em condições de sol intenso por boa parte do ano, abriga uma biodiversidade exuberante. Por muito tempo, se acreditou que Cerrado e Caatinga eram biomas pobres, mas as pesquisas mostram números expressivos de espécies e endemismos, o que reforça seu valor ecológico único”, destaca.

Essa riqueza natural se reflete na fauna e flora, com espécies emblemáticas como o lobo-guará, o tatu-canastra e aves como a seriema. Além disso, o bioma é berço de plantas medicinais e frutos típicos como o pequi, o baru e o buriti, que fazem parte da cultura e da alimentação de comunidades locais, fortalecendo a economia da sociobiodiversidade.

Ao mesmo tempo em que o Cerrado se destaca como um patrimônio natural, também enfrenta pressões da expansão agrícola, especialmente no Oeste baiano. Sobre esse equilíbrio entre conservação e desenvolvimento, Tiago Porto acrescenta.

“O Cerrado se tornou a grande fronteira agrícola do Brasil, o que aumenta a pressão sobre seus recursos naturais. Por isso, o governo da Bahia tem atuado de forma articulada, por meio do Pacto pelo Cerrado, com ações de restauração, fortalecimento das unidades de conservação e intensificação da fiscalização ambiental. Esse esforço já resultou em redução significativa do desmatamento nos últimos anos, ao contrário do que ocorreu em outras regiões do país”.

Para garantir a preservação do Cerrado, a Bahia reforça políticas públicas voltadas para o uso racional dos recursos naturais, o combate ao desmatamento ilegal e o incentivo à pesquisa científica. A proteção do bioma é essencial não apenas para a manutenção da biodiversidade, mas também para assegurar a qualidade de vida das gerações futuras.

Fonte
Ilary Almeida - Ascom / Inema