A Bahia enfrenta um dos períodos mais severos de seca do ano, quando as altas temperaturas e a baixa umidade do ar aumentam consideravelmente o risco de incêndios florestais. Diante desse cenário, o Governo do Estado tem intensificado as ações de monitoramento e combate ao fogo, especialmente nos municípios com maior número de focos de incêndio. Desde o dia 27 de setembro, equipes da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) estão em campo com a Operação Ronda Verde, uma das principais frentes do programa Bahia Sem Fogo.
Com atuação baseada em dados técnicos e geoespaciais, como registros de queimadas, relatórios do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA), informações de campo do Inema e auxílio da Companhia Independente de Policiamento de Proteção Ambiental (Cippa/Lençóis), a operação busca coibir o uso irregular do fogo, combater o desmatamento e responsabilizar infratores. Nas ações da última semana, a operação percorreu os municípios de Barreiras, São Desidério, Riachão das Neves, Formosa do Rio Preto e Muquém do São Francisco. Foram identificadas propriedades com supressão de vegetação sem autorização (ASV) e queimadas realizadas no período proibitivo, sem a devida Declaração de Queima Controlada (DQC).
Segundo Pablo Rebelo, responsável por coordenar a ação Ronda Verde, o objetivo é intensificar a fiscalização quanto ao cumprimento das normas legais que proíbem o uso do fogo ou tornam crime o uso inadequado sem autorização dos órgãos ambientais nesse período. “Estamos realizando um trabalho que visa intensificar a corresponsabilização dos produtores quanto à necessidade de cumprimento da portaria que suspende a queima controlada. Temos percebido que há uma falta de consciência quanto a essa suspensão. Mesmo com sensação térmica próxima dos 40 graus e baixa umidade do ar, que são condições extremamente propícias à propagação do fogo, ainda há quem utilize o fogo para limpeza de área, o que é inadequado e perigoso. Nosso papel é fiscalizar, orientar e responsabilizar quem insiste em agir de forma irregular”, afirmou.
A suspensão da DQC foi determinada pela Portaria nº 33.788, de 16 de setembro de 2025, em razão da sazonalidade climática e do aumento do risco de incêndios florestais no estado. A medida suspende temporariamente as solicitações, emissões e efeitos de DQCs nos municípios estratégicos, exceto em casos indispensáveis a práticas agrossilvopastoris devidamente justificadas por responsável técnico habilitado. O descumprimento da norma acarreta autuação e cancelamento imediato da autorização.
Em uma das fiscalizações, a equipe constatou o uso de fogo em limpeza de área mesmo com a autorização suspensa, resultando em autuação imediata. Também houve apreensão de uma arma de fogo e de uma motosserra em propriedade sem licença para supressão vegetal. O uso da coivara, prática que consiste na queima de material vegetal após o desmatamento, foi observado em alguns locais, evidenciando o descumprimento das normas ambientais vigentes.
De acordo com Fabíola Cotrim, coordenadora de campo que atua na Coordenação de Fiscalização Preventiva e de Condicionantes do Inema (DIFIS/COFIS), o uso de ferramentas geoespaciais tem garantido maior precisão e agilidade às ações. “A fiscalização do Inema na Ronda Verde agrega tempo-resposta, utilizando mapas sobrepostos com dados do GeoBahia, MapBiomas e Brasil Mais, o que nos permite dar uma resposta mais rápida à sociedade. Esses mapas indicam se a área é unidade de conservação, se o imóvel está cadastrado no CEFIR, se possui DQC ou se o incêndio começou em reserva legal, o que facilita o controle da situação e o direcionamento das ações em campo”, explicou.
A Operação Ronda Verde pretende atuar durante todo o período crítico de incêndios florestais no estado, até que as condições climáticas permitam o uso do fogo de forma segura, consciente e com autorização do órgão ambiental. A ação já percorreu diversos municípios prioritários e seguirá alcançando outras regiões estratégicas. Mesmo com eventuais pausas operacionais, as ações são planejadas de forma contínua, garantindo a presença do Estado na prevenção e no combate aos crimes ambientais. Participam da operação todos os órgãos do Estado que integram o Programa Bahia Sem Fogo, promovendo uma atuação coordenada e eficaz na prevenção, fiscalização e combate aos crimes ambientais.
Foco de calor, queimada e incêndio florestal: entenda as diferenças
Durante as ações da Ronda Verde, as equipes também reforçam orientações sobre o uso adequado do fogo e a interpretação correta dos alertas de satélite. Um foco de calor é um ponto detectado por sensores remotos que registra temperatura acima de 47°C, o que não significa necessariamente a presença de fogo.
O incêndio florestal, por sua vez, é o fogo sem controle que se espalha sobre áreas de vegetação, podendo ser causado por ação humana ou natural. Já a queimada é uma prática tradicional de manejo agrícola, permitida apenas com autorização válida e em condições climáticas seguras.
O Governo da Bahia reforça que a participação da sociedade é fundamental na prevenção e no combate ao uso irregular do fogo. A população pode denunciar atividades suspeitas pelo Disque Denúncia do Inema (0800 071 1400). Em situações de emergência, entre em contato com a brigada voluntária do seu município ou acione o Corpo de Bombeiros Militar da Bahia pelo 193.