Denúncia sobre ataque de onça em Amargosa é descartada após checagem em campo

09/10/2025
Denúncia sobre ataque de onça em Amargosa é descartada após checagem em campo
Valquíria Siqueira

A circulação de vídeos e fotos que supostamente mostram uma onça-pintada em áreas rurais de Amargosa, no Vale do Jiquiriçá, gerou preocupação entre moradores e mobilizou equipes do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Amargosa (Seama), do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia e da Guarda Civil Municipal. O material, compartilhado em redes sociais e grupos de mensagens, teria sido gravado na comunidade de Chapadinha e regiões próximas, como Cambaúba e Sete Voltas, localidades que pertencem à zona rural do município.

Segundo relatos, um bezerro teria sido encontrado morto e moradores afirmam que o ataque foi provocado por uma onça. Um vídeo mostrando o animal abatido passou a circular nos últimos dias, com data recente, o que intensificou os rumores e o medo na região. A denúncia foi feita por uma moradora identificada como Maria dos Anjos, que procurou o Disque Resgate do Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do Inema, informando que a comunidade estaria sendo “visitada por uma onça”.

Diante da repercussão, a Coordenação de Gestão de Fauna (CGFAU) do Inema deslocou técnicos para verificar o caso, em articulação com os demais órgãos. A equipe destacou a necessidade de confirmar se as imagens realmente foram registradas em Amargosa, identificando a origem da câmera e o local exato onde o vídeo foi gravado.

Os técnicos alertaram, contudo, que situações semelhantes já ocorreram em outros municípios baianos, onde vídeos e fotos de supostas onças se mostraram falsos após investigação. Em casos recentes, materiais idênticos circularam em cidades como Ilhéus, Morro do Chapéu e Terra Nova, mas foram identificados como conteúdos vindos de outros estados, inclusive do Mato Grosso e Piauí, sem relação com a Bahia.


Verificação em campo e diálogo com a comunidade

Na última terça-feira (7), as equipes estiveram nas comunidades de Chapadinha e Sete Voltas para verificar a denúncia e dialogar com os moradores. Durante a vistoria, não foram encontrados vestígios do suposto animal abatido nem sinais recentes da presença de felinos, mas a mobilização foi importante para orientar a população sobre segurança e convivência com a fauna silvestre.

Marianna ponderou que o felino avistado pode não ser uma onça-pintada, mas outro tipo de felino silvestre, como a sussuarana, mais comum na região. Ainda assim, a equipe orientou a comunidade a buscar uma convivência segura com os animais silvestres. “As pessoas que criam gado, seja bovino, caprino, é interessante que esses animais sejam guardados à noite, em currais, e que possam colocar pisca-pisca ou objetos que façam barulho. E caso encontre com uma onça dessa, não corra, não entre em pânico, tente fazer barulho, bater palma, porque provavelmente ela vai correr, porque também tem medo de nós, seres humanos”, afirmou.

A bióloga Arielle Caiena, da Seama, reforçou que a apuração buscou tranquilizar os moradores e combater a desinformação. “A onça-pintada, em primeiro lugar, não ocorre nessa área aqui do Vale do Jiquiriçá. Ela ocorre em alguns lugares na Bahia, lá para o sul, no Parque do Descobrimento, próximo ao Piauí, ali na região do Boqueirão da Onça, alguns registros na Chapada Diamantina, mas aqui no Vale do Jiquiriçá não tem ocorrência dessa onça-pintada. Mesmo assim, viemos aqui, tentamos fazer toda a investigação e não encontramos resquícios”, esclareceu.

O Sargento Anjos, da 2ª CIA do Corpo de Bombeiros de Amargosa, ressaltou o trabalho conjunto com os órgãos ambientais e de segurança. “Após várias diligências, não verificamos evidências do felino aqui. Mas, se tiver qualquer fato relacionado, não tenta chegar perto do animal, não tenta atrair a atenção do animal por qualquer motivo, afasta do animal, tenta se abrigar e liga para o 193 junto com a Secretaria do Meio Ambiente”, salientou.

“Nosso objetivo é garantir a segurança da sociedade e estaremos sempre disponíveis para esse trabalho em conjunto com os outros órgãos do município”, destacou a GCM Sheila, que acompanhou a ação junto a equipe da GCM de Amargosa.

Após a repercussão da visita em campo, o dono do terreno onde o bezerro teria aparecido, seu Neném, também negou a ocorrência de ataque de onça e disse que o caso foi resultado de um mal-entendido. “Não é assim, não houve nada disso. A vaca teve um parto complicado, e aí o cachorro, com certeza os cachorros comeram o bezerro. Só que aí aproveitaram pra falar essa mentira aí, pra poder tirar a paz do povo. Não houve nada disso, eu mesmo não vi onça. Eu sou o dono da vaca. Se eu disser a vocês que eu vi o bezerro, eu não vi. Minha irmã foi quem mandou a foto porque eu não estava lá, e disse: ‘ó, a tua vaca pariu e o cachorro comeu o bezerro”, afirmou Seu Neném.

O Inema reforça que a população deve evitar disseminar imagens sem confirmação de origem e, em casos suspeitos, acionar apenas os canais oficiais. O órgão segue acompanhando a situação em parceria com as instituições locais, reforçando o diálogo, a escuta da comunidade e a orientação sobre convivência segura com a fauna silvestre.

Fonte
Valquíria Siqueira
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