Dia Nacional do Pantanal destaca importância dos ecossistemas alagadiços da Bahia

12/11/2025
Dia do Pantanal
Yandra Barros - Ascom / Sema

No Dia Nacional do Pantanal, comemorado em 12 de novembro, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) destacam a relevância desse bioma único e o papel das áreas alagadiças da Bahia, como o Pantanal de Marimbus, na manutenção do equilíbrio ambiental.

A data é dedicada à valorização e à proteção de um dos ecossistemas mais ricos e importantes do planeta. O Pantanal é reconhecido como a maior planície alagável do mundo, sendo um verdadeiro coração das águas da América do Sul. Mais do que um símbolo natural brasileiro, ele representa equilíbrio climático, abrigo para milhares de espécies e fonte de vida para comunidades que convivem em harmonia com seus ciclos.

Com aproximadamente 1,8% do território nacional, o bioma abriga cerca de 3.500 espécies de plantas, 124 espécies de mamíferos, 463 aves e 325 peixes, segundo dados do ICMBio. Durante o período das cheias, as águas se espalham pelas planícies, levando nutrientes e renovando a fertilidade do solo. Esse movimento natural é essencial para manter o equilíbrio ecológico, garantir a reprodução da fauna e regular o regime hídrico da região.

Embora o Pantanal mais conhecido esteja localizado entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a Bahia também guarda um pedaço desse patrimônio natural em sua diversidade de ecossistemas alagadiços. Um dos exemplos é a Área de Proteção Ambiental Marimbus/Iraquara, na Chapada Diamantina, que abriga o chamado “pantanal de Marimbus”. Essa área, alimentada pelos rios Santo Antônio, Utinga e São José, forma uma extensa planície inundável com paisagens que lembram o bioma pantaneiro e têm enorme importância para a conservação da biodiversidade e da água no território baiano.

A APA Marimbus/Iraquara, criada em 1993 e administrada pelo Inema, integra diferentes formações vegetais, como campos rupestres, cerrado e caatinga. Suas lagoas e áreas alagadas são refúgio de diversas espécies e desempenham papel vital na regulação hídrica da região. Assim como o Pantanal nacional, essa área também enfrenta desafios crescentes, como o uso inadequado do solo, queimadas, pressão turística e redução da vazão dos rios devido às mudanças climáticas.

As ameaças ao Pantanal, e aos ecossistemas equivalentes, estão relacionadas principalmente ao desmatamento nas áreas de nascente, às queimadas ilegais e à expansão da agropecuária. De acordo com a WWF-Brasil, cerca de 86,6% da planície pantaneira ainda mantém sua vegetação original, mas apenas 41,8% das áreas mais altas da bacia estão protegidas, o que impacta diretamente a quantidade e a qualidade da água que chega ao bioma. Somam-se a isso os efeitos das mudanças climáticas, que alteram o regime das chuvas e intensificam os períodos de seca.

Na Bahia, a Sema e o Inema atuam juntos na implementação de políticas públicas voltadas à conservação da natureza, ao uso sustentável dos recursos hídricos e à gestão das unidades de conservação. A APA Marimbus/Iraquara é um exemplo dessas ações, com zoneamento e planos de manejo que visam compatibilizar a presença humana com a proteção da fauna, da flora e dos recursos hídricos locais.

Políticas públicas e estratégias de conservação

A Sema reforça a importância de políticas públicas integradas para conservar os ecossistemas alagadiços da Bahia. Segundo o superintendente de Políticas e Planejamento Ambiental, Luiz Araújo, a preservação dessas áreas é fundamental diante das mudanças climáticas. “Os ecossistemas alagadiços são extremamente ricos em biodiversidade e têm grande capacidade de sequestro de carbono. O Marimbus, embora não seja o Pantanal propriamente dito, possui características muito semelhantes e já conta com ações consolidadas de conservação dentro das estratégias ambientais do Estado”, destacou.

Educação ambiental e engajamento comunitário

O Dia Nacional do Pantanal também é um momento para reforçar a conscientização sobre a conservação das áreas úmidas. Segundo o superintendente, a educação ambiental é uma prioridade nas unidades de conservação da Bahia. “A gente não tem ações específicas voltadas ao bioma Pantanal, mas realizamos diversas atividades de educação ambiental na Reserva da Biosfera da Chapada Diamantina, promovendo o diálogo com as comunidades locais e destacando a importância dos Marimbus dentro desse contexto”, explicou.

Desafios diante das mudanças climáticas

Considerando as pressões sobre o Pantanal e os impactos das mudanças climáticas, Luiz Araújo apontou que os maiores desafios da gestão ambiental estão relacionados à escassez de água e ao aumento das temperaturas, que afetam diretamente os ecossistemas alagadiços. “Esses espaços são extremamente sensíveis às variações climáticas. O aumento das temperaturas e os períodos de seca intensa reduzem a disponibilidade de água e comprometem a biodiversidade. É um regime muito delicado, e precisamos garantir o equilíbrio entre conservação e desenvolvimento sustentável”, alertou.

A preservação do Pantanal, e de suas expressões regionais, como os marimbus, depende da atuação integrada entre poder público, instituições de pesquisa, comunidades tradicionais e cidadãos. Cada ação conta: desde o apoio a práticas de turismo sustentável até o combate às queimadas e ao desmatamento.

No âmbito institucional, o dia do Pantanal também representa uma oportunidade para reforçar o compromisso da gestão ambiental com a proteção das áreas úmidas, fortalecer as ações de educação ambiental e incentivar o envolvimento dos servidores e parceiros na conservação do patrimônio natural baiano.

Fonte
Ilary Almeida - Ascom / Inema