Ações estaduais fortalecem cooperativas e impulsionam a reciclagem na Bahia

22/11/2025
Reciclagem
Matheus Lemos - Ascom / Sema

No dia 22 de novembro, é celebrado o Dia do Reciclador e da Reciclagem do Lixo, data essencial para reconhecer o trabalho dos profissionais que transformam resíduos em novos recursos e sustentam a economia circular. Em Salvador e em outras regiões da Bahia, o papel dos catadores tem ganhado cada vez mais visibilidade, reconhecimento e apoio do poder público.

O fortalecimento das cooperativas e dos trabalhadores da reciclagem tem sido uma prioridade nas políticas ambientais do estado. A Bahia tem avançado em iniciativas estruturantes que ampliam a coleta seletiva, estimulam a logística reversa e promovem a inclusão socioprodutiva dos catadores, reforçando a importância estratégica dessa categoria para a gestão de resíduos.

Foi nesse contexto que João Paulo Ribeiro, coordenador de Políticas e Planejamento Ambiental da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), destacou o compromisso do Estado com a valorização dos catadores. Ele participou do II Encontro dos Catadores e Catadoras da Bahia e de painéis dedicados à economia circular no Nordeste. “Os catadores prestam serviços ambientais fundamentais e precisam ter garantidos seus direitos sociais e humanos. Estamos falando de justiça climática, de reconhecimento e de remuneração”, afirmou.

O coordenador ressaltou ainda três pilares estruturantes das políticas públicas voltadas à reciclagem no estado: respeitar, reconhecer e remunerar os trabalhadores. Segundo ele, a Bahia tem trabalhado para ampliar o diálogo com cooperativas e catadores autônomos, fortalecer a logística reversa e aprimorar a gestão de resíduos com foco em inclusão social.

Nesse cenário de fortalecimento das cooperativas, ganha destaque a participação das mulheres recicladoras. A experiência de liderança feminina é representada por Michele Almeida, catadora de materiais recicláveis e vice-presidenta da Cooperativa Camapet. Para Michele, exercer um papel de liderança significa ocupar um espaço importante diante das dificuldades enfrentadas pelas mulheres. “Um papel importante mediante a tantas dificuldade que nós mulheres passamos, discriminação, exclusão. O empreendimento vem com esse viés diferente dando oportunidade de trabalho e também de gerir o processo”, afirma.

Avanços estruturais e ações integradas na reciclagem baiana

A Bahia tem investido em estratégias que ampliam a coleta seletiva, melhoram a infraestrutura e fortalecem as cooperativas. Entre os avanços mais expressivos estão: 

  • Implantação e ampliação de ecopontos, principalmente em Salvador;
  • Campanhas permanentes de educação ambiental realizadas pela Sema e pelo Inema;
  • Parcerias com universidades, instituições técnicas e redes de cooperativas;
  • Projetos de logística reversa, como o pioneiro caso de reciclagem de vidro desenvolvido com a UFBA, cooperativas e a indústria;
  • Apoio técnico à gestão das cooperativas, com consultorias em planejamento, formalização, logística e captação de recursos;
  • Capacitações como a oficina de mapeamento da cadeia produtiva da reciclagem realizada com o IEL.

O Programa EcoFolia Solidária é uma das ações mais consolidadas. Durante o Carnaval, 11 ecopontos foram distribuídos nos circuitos da folia, garantindo EPIs, alimentação, suporte logístico e remuneração por quilo de material coletado. Apenas nos primeiros dias da festa, 681 catadores passaram pelos ecopontos e quase 13 toneladas de recicláveis foram recolhidas, entre elas, mais de 7,7 mil kg de alumínio e 2,3 mil kg de PET.

Mesmo com iniciativas de grande impacto social por meio do Governo do Estado, ainda há pontos a avançar. Sobre isso, Michele destaca a urgência da remuneração adequada e o reconhecimento dos trabalhadores: “Temos muitos desafios, dentre eles, ainda temos a contínua a falta de remuneração pelos serviços prestados. Acredito que as catadoras e os catadores precisam ser reconhecidos e envolvidos no processo de educação ambiental.”

Essas ações reforçam o impacto ambiental e social da reciclagem, posicionando a Bahia como referência em programas que unem sustentabilidade e inclusão.

Economia circular e gestão de resíduos no Nordeste

A Bahia também tem apresentado experiências relevantes no campo da economia circular e da inclusão socioprodutiva em fóruns nacionais e regionais. Em evento recente sobre gestão de resíduos no Nordeste, João Paulo Ribeiro representou a Sema em um painel ao lado da Casa Civil, que coordena o Comitê de Inclusão Socioprodutiva dos Catadores de Materiais Recicláveis, do qual a Bahia é integrante ativa.

Ribeiro destacou que o Estado vem avançando em ações integradas com os catadores, respeitando o princípio de não sobreposição de iniciativas e de fortalecimento das políticas já existentes “Temos desafios, como a regulamentação da Lei do PSA. Estamos finalizando um decreto para lançar um edital inspirado em experiências do Ceará e de Minas Gerais, com o objetivo de remunerar os serviços ecossistêmicos prestados pelos catadores e catadoras. O Governo da Bahia trabalha para promover desenvolvimento com inclusão”, afirmou.

O coordenador também ressaltou a atuação conjunta dos 27 territórios de identidade, dos consórcios públicos e da União dos Municípios da Bahia (UPB) na implementação da política de resíduos sólidos. “O Estado trabalha na fase de regulamentação e fomento, mas os municípios são os principais executores da política. Estamos mapeando grupos formais e informais para avançar na inclusão socioprodutiva, em uma experiência que pode inspirar outros estados”, concluiu.

Planejamento integrado e perspectivas para o futuro

As ações estão alinhadas ao Plano Estadual do Meio Ambiente (Pema) e ao Plano Estadual de Saneamento Básico, que preveem:

  • ampliação da coleta seletiva;
  • fortalecimento da logística reversa;
  • apoio direto a cooperativas;
  • regulamentação de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA);
  • expansão do Programa de Gestão Ambiental Compartilhada;
  • inclusão socioeconômica como eixo estruturante da política ambiental.
     

Essa integração entre planejamento, educação ambiental e fortalecimento das cooperativas consolida uma agenda sustentável e participativa para os próximos anos.

Bahia na COP30: reciclagem como tema central no debate climático

A COP30, que foi realizada em Belém, reuniu governos, pesquisadores e representantes da sociedade civil para discutir metas e estratégias de mitigação climática. A Bahia participou ativamente da conferência, apresentando suas experiências em inclusão socioprodutiva de catadores, gestão integrada de resíduos e fortalecimento da economia circular.

A presença do Estado no evento destacou iniciativas como:

  • o modelo inovador de apoio a cooperativas;
  • o avanço na regulamentação do PSA para catadores;
  • as articulações regionais com consórcios e territórios de identidade;
  • programas como o EcoFolia Solidária e ações de logística reversa.
     

A participação baiana reforçou perante a comunidade internacional que políticas ambientais eficientes precisam considerar não apenas tecnologia e infraestrutura, mas também justiça social, valorização do trabalho ambiental e fortalecimento das comunidades que atuam na linha de frente da sustentabilidade.

Fonte
Ilary Almeida - Ascom / Inema
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