Bahia na COP30: Estado consolida protagonismo ambiental com avanços em clima, conservação e transição energética

24/11/2025
COP30
Raimundo Pacco/COP30

A participação da Bahia na COP30 marcou um novo patamar para a agenda ambiental do estado no cenário internacional. Ao longo do período de preparação e durante os dias de debates em Belém, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) atuaram de forma articulada, apresentando resultados concretos, firmando compromissos estratégicos e ampliando diálogos que reforçam a posição da Bahia como referência nacional em políticas ambientais e climáticas.

A preparação para o encontro global começou ainda em 2024, com a aproximação entre Bahia e Emirados Árabes Unidos na área da pesquisa científica marinha, por meio da cooperação com o navio-laboratório Jaywun. A articulação abriu caminho para estudos aplicados em mudanças climáticas, monitoramento costeiro e restauração de ecossistemas, fortalecendo a dimensão técnico-científica da delegação baiana. Ao longo de 2025, equipes da Sema e do Inema intensificaram agendas territoriais e internas, como o seminário sobre o Código Florestal realizado no Sertão do São Francisco, que aproximou comunidades locais das discussões estruturantes ligadas à COP.

Governo apresenta edital do Plano de Ação Climática e reforça governança ambiental

Durante a COP30, um dos anúncios mais relevantes foi o lançamento do edital para elaboração do Plano de Ação Climática da Bahia (PAC), instrumento que orientará metas e estratégias de mitigação, adaptação e financiamento climático no estado. Para o secretário Eduardo Sodré Martins, “o PAC representa um passo decisivo para alinhar a Bahia às metas globais do clima, garantindo participação social e governança sólida”.

O estado também reforçou seu protagonismo em transição energética ao apresentar os avanços do Comitê de Acompanhamento da Política Estadual de Transição Energética. O debate mostrou como a Bahia vem se consolidando na agenda de energias renováveis, hidrogênio verde, mercado de carbono e desenvolvimento inclusivo.

Conservação marinha e compromissos globais

A agenda costeira e oceânica teve destaque expressivo na presença baiana. A coordenadora técnica da Sema, Mariana Fontoura, apresentou os resultados mais recentes na gestão da conservação marinha, incluindo a ampliação das áreas protegidas, o monitoramento de recifes e corais, e ações de combate a espécies invasoras. A maior costa do país, com 1.183 km de extensão, foi evidenciada como ativo estratégico para biodiversidade, economia e adaptação climática.

Durante o evento, o Governo da Bahia assinou a Carta de Endosso ao Mangrove Breakthrough, iniciativa internacional de apoio à proteção e restauração de manguezais no mundo. De acordo com o secretário Eduardo, "o compromisso insere o estado em uma rede global de cooperação, abre portas para financiamentos e reforça o papel dos manguezais como barreira natural contra eventos extremos e garantia de segurança alimentar para comunidades tradicionais".

Adaptação climática, juventudes e segurança hídrica

A pauta de adaptação também ganhou força com a apresentação do Programa Agente Jovem Ambiental (AJA), conduzida pelo superintendente da Sema, Luiz Araújo. Ele destacou o caráter transformador da iniciativa. “O AJA forma jovens agentes de transformação socioambiental, desenvolvendo competências práticas e fortalecendo o território. Queremos que eles não apenas aprendam sobre meio ambiente, mas que transformem o ambiente em que vivem”, sinalizou.

No campo hídrico, o Inema foi representado por Aldírio Almeida, que apresentou a evolução do Painel de Monitor de Seca e as diretrizes do estado para ampliar o acesso à água, integrar dados climáticos e fortalecer políticas de convivência com o semiárido. Sua fala reforçou que segurança hídrica e clima são agendas inseparáveis para a Bahia.

Turismo sustentável e valorização de áreas protegidas

A Bahia compartilhou ainda experiências inovadoras no âmbito do turismo sustentável, por meio do projeto PROT’AIR, implementado em parceria com a Federação dos Parques Naturais Regionais da França. A superintendente Maiana Pitombo destacou que o intercâmbio “aproxima modelos de gestão bem-sucedidos e estimula o reconhecimento do valor econômico da conservação”.

Na oportunidade, o coordenador de Gestão de Unidades de Conservação do Inema, Mateus Camilo, apresentou ações de ordenamento territorial e manejo sustentável, destacando a integração entre planejamento ambiental, uso do território e participação comunitária. Ele reforçou que “não há como planejar o território de forma isolada; a política ambiental precisa ser integrada”. Camilo também apresentou o projeto da primeira trilha de longo curso da Chapada Diamantina, que integra conservação, geração de renda e turismo de natureza.

Inclusão produtiva, economia circular e fortalecimento comunitário

No campo da inclusão socioprodutiva, a Bahia apresentou experiências de manejo sustentável de sementes do Cerrado, protagonizadas por mulheres guardiãs que produzem biojoias e geram renda sem comprometer os ecossistemas. A iniciativa foi citada por Mateus Camilo, que apresentou o projeto como um modelo de política pública que une conservação, economia solidária e fortalecimento feminino.

As ações do Programa Água Doce (PAD) também tiveram espaço na programação da COP, apresentadas pelo diretor da Sema, Tiago Porto. Durante sua participação, gestor abordou sobre os avanços na ampliação do programa para comunidades vulneráveis e destacou o papel da governança na autonomia dos sistemas. A exposição enfatizou iniciativas integradas que combinam produção de água, cadeias produtivas e fortalecimento comunitário.

A pauta da economia circular também teve espaço com a participação do coordenador João Paulo Ribeiro, que apresentou as ações integradas com catadores e reforçou a regulamentação do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) voltado à categoria. Ele destacou que o mapeamento de grupos formais e informais nos territórios tem fortalecido a cadeia da reciclagem e inspirado outros estados.

Gestão ambiental e vozes femininas

A Bahia também esteve representada por vozes femininas estratégicas na COP30. A diretora de Educação Ambiental da Sema, Mariana Mascarenhas, apresentou o programa Gestão Ambiental Compartilhada (GAC) e reforçou a importância de capacitar municípios para fortalecer o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), ressaltando que governos locais mais preparados contribuem para uma fiscalização mais eficaz e políticas ambientais mais robustas.

A diretora Iaraci Dias também contribuiu no painel sobre gênero e clima, reforçando a importância da participação feminina na governança ambiental. “A transformação que buscamos começa pela nossa voz e pela nossa presença”, afirmou.

Avaliação final e próximos passos

Ao término da COP30, a delegação baiana avaliou a participação como estratégica para consolidar a presença do estado no cenário ambiental global. Redes de cooperação foram ampliadas, políticas estruturadas foram fortalecidas e novas oportunidades de pesquisa e financiamento foram abertas. “Mais do que uma vitrine, a COP30 se consolidou como um marco na construção de uma agenda ambiental robusta, integrada e comprometida com o futuro climático do estado”, afirmou o secretário Eduardo.

Segundo o gestor, os próximos passos envolvem o desenvolvimento participativo do Plano de Ação Climática, o aprofundamento das cooperações firmadas, e a ampliação das ações de mitigação, adaptação e conservação, com forte participação de comunidades, municípios, juventudes e instituições científicas.