Plenária do Consea-BA debate mudanças climáticas e seus impactos na segurança alimentar

26/02/2026
Plenária do Consea-BA
Ilary Almeida - Ascom Sema/Inema

Na tarde da última quarta-feira (25), foi realizado de forma presencial em Salvador, a plenária do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional da Bahia (Consea-BA). O encontro reuniu conselheiros e representantes de órgãos estaduais para debater as Mudanças Climáticas e seus impactos na Segurança Alimentar e Nutricional no estado.

Durante a programação, foi apresentada uma exposição sobre a temática climática, com foco nas ações que dialogam com a agenda de Segurança Alimentar e Nutricional na Bahia. A apresentação evidenciou a relação direta entre os impactos climáticos e a produção de alimentos, destacando desafios como eventos extremos, insegurança hídrica e a vulnerabilidade de comunidades tradicionais e da agricultura familiar.

Ao ser questionado sobre de que maneira as ações de enfrentamento às mudanças climáticas desenvolvidas pela Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema) dialogam com a política de segurança alimentar e nutricional no estado, o diretor de Política e Planejamento Ambiental, Tiago Porto, ressaltou o caráter transversal da pauta climática. Segundo ele, a atuação da Sema e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) ocorre tanto na linha da mitigação, com estratégias de redução da emissão de gases, quanto na adaptação às mudanças do clima, com ações que promovem melhor convivência diante de um cenário já alterado.

Tiago destacou que, entre as ações mais diretamente relacionadas à segurança alimentar, estão os projetos de incentivo e fomento à restauração com formação de sistemas agroflorestais, citando iniciativas como o projeto Cachoeira, projeto Serrado, Semeando Águas do Paraguaçu, Fomento ao Kitsaf em Jiquiriçá e os editais do Fundo Estadual de Recursos para o Meio Ambiente (FERFA) de fomento florestal no Cerrado e no Semiárido. “São vários projetos de fomento florestal com destaque para a questão dos sistemas agroflorestais. Esses sistemas devem estimular a produção de alimentos e, portanto, auxiliar na segurança alimentar desses territórios”, pontuou.

As ações voltadas aos recursos hídricos, reforçam que a água é o primeiro alimento. Nesse contexto, destaca-se o Programa Água Doce, financiado por convênio com o governo federal, que permitiu a instalação de 291 sistemas de dessalinização em 56 municípios do semiárido baiano. Segundo o diretor, a iniciativa promove segurança hídrica e contribui diretamente para a emancipação econômica das comunidades atendidas.

Outra ação mencionada foi o edital aberto para a bacia do Joanes e Jacuípe, no valor global de R$ 3 milhões, voltado a projetos de infraestrutura hídrica, infraestrutura natural para as águas e empreendedorismo, com foco em clima e geração de emprego e renda, fatores que impactam diretamente a segurança alimentar.

Tiago Porto ressaltou ainda que, além dessas iniciativas mais diretamente conectadas à política de Segurança Alimentar e Nutricional, a Sema desenvolve outras ações na temática climática que, embora tenham relação menos direta, também colaboram com esse objetivo. Entre elas estão a elaboração de inventários, a gestão de unidades de conservação, que atuam como sumidouros de carbono, e o monitoramento hidrometeorológico e de cobertura vegetal realizado pelo Inema.

Ao comentar sobre as estratégias de planejamento ambiental consideradas essenciais para fortalecer a produção sustentável de alimentos e proteger populações vulneráveis, o diretor alertou para o cenário atual: “A gente vive hoje um cenário assustador, um cenário com um clima já alterado e uma projeção de alteração climática crescente”. 

O investimento em estratégias de adaptação e em produções agrícolas resistentes e resilientes às novas condições climáticas, ressaltando que será necessário inovar nas formas de cultivo e na relação com a natureza para garantir que os sistemas produtivos continuem funcionando diante das mudanças em curso.
 

Fonte
Ilary Almeida - Ascom Sema/Inema
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