Parque Metropolitano de Pituaçu celebra 53 anos de história, natureza e encontros em Salvador

Publicado: 04/09/2026 Última atualização: 05/10/2026 às 09:52
Parque Metropolitano de Pituaçu celebra 53 anos de história, natureza e encontros em Salvador

Antes mesmo de se tornar oficialmente um parque, Pituaçu já fazia parte da história de Salvador. Em 1906, a construção da barragem do Rio Pituaçu deu origem à lagoa que, por muitos anos, contribuiu para o abastecimento da capital baiana. Décadas depois, em 4 de setembro de 1973, o espaço ganharia uma nova identidade, nascia oficialmente o Parque Metropolitano de Pituaçu.

Nesta sexta-feira (4), o Parque celebra 53 anos como um dos mais importantes patrimônios ambientais de Salvador. Ao longo de mais de cinco décadas, o espaço se consolidou como ponto de encontro entre a cidade e a natureza, reunindo história, biodiversidade, esporte, lazer e educação ambiental.

Com cerca de 400 hectares, o Parque abriga um importante remanescente de Mata Atlântica em plena área urbana. Entre árvores, lagoas e trilhas, vivem diversas espécies de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes. É essa convivência entre a dinâmica de uma grande cidade e a preservação da natureza que faz de Pituaçu um espaço tão singular.

“Você se sente dentro de uma floresta, como se estivesse no meio da mata. Essa é uma grandeza muito grande. Estamos falando de uma Unidade de Conservação dentro de uma área urbana, em uma das regiões mais valorizadas de Salvador”, afirmou a gestora do Parque, Bernadete Bittencourt.

No centro dessa história está a Lagoa de Pituaçu. Com cerca de quatro quilômetros de extensão e 200 mil metros quadrados de espelho d’água, ela é circundada por uma ciclovia de 15 quilômetros, hoje um dos principais atrativos para quem busca praticar atividades físicas ou simplesmente aproveitar o contato com a natureza.

Um Parque que se transforma com a cidade

Ao chegar aos 53 anos, Pituaçu vive também um novo capítulo de sua trajetória. Depois de passar por um período de deterioração da infraestrutura, especialmente em trechos da ciclovia e áreas afetadas pela instabilidade do solo, o Parque passou por importantes intervenções de recuperação.

A primeira etapa da requalificação, entregue ao público em junho deste ano, recuperou os 15 quilômetros da ciclovia e incluiu intervenções estruturantes, como a recuperação de taludes, novos pontos de apoio, melhorias na sinalização e equipamentos voltados à segurança e à proteção da fauna.

Uma nova etapa está prevista para ampliar os espaços de convivência e lazer na porção sul do Parque, com investimentos de cerca de R$ 13 milhões. O projeto prevê novas trilhas, áreas de convivência, espaço pet, restaurantes, praça multiuso, bicicletário, píer flutuante e anfiteatro verde, entre outras intervenções.

Para Bernadete, entretanto, a transformação mais importante também pode ser percebida na forma como a população voltou a ocupar o espaço. “O Parque está com uma frequência muito grande. Nos finais de semana, chegamos a receber entre quatro e cinco mil pessoas. O boca a boca está funcionando, e as pessoas estão procurando o Parque de todas as formas”, observou.

Preservar para continuar existindo

O aumento da visitação é motivo de comemoração, mas também apresenta um dos principais desafios da gestão, garantir que o uso público aconteça em harmonia com a conservação ambiental.

“Quando as pessoas vêm para pedalar, caminhar ou praticar outras atividades, não podem esquecer que precisam conviver com os seres que habitam aqui. Precisamos estar preocupados com a fauna e com a flora. Esse é o objetivo de uma Unidade de Conservação”, ressaltou a gestora.

A orientação é que os visitantes respeitem as normas de circulação e a velocidade máxima estabelecida dentro do Parque, de 20 quilômetros por hora. A medida contribui para reduzir riscos e proteger os animais que vivem e transitam pela área.

A segurança também ganhou reforço com a instalação de câmeras de videomonitoramento e botões de pânico ao longo da ciclovia. Atualmente, o sistema conta com 86 câmeras, ampliando o monitoramento do espaço.

Uma relação de pertencimento

Ao longo dos anos, o Parque se tornou parte da rotina de moradores de diferentes regiões de Salvador. São famílias, ciclistas, corredores, estudantes, pesquisadores e visitantes que encontram em Pituaçu um espaço para respirar, descansar e se reconectar com a natureza.

Para Bernadete, essa relação precisa ser fortalecida cada vez mais pelo sentimento de pertencimento. “A comunidade e o Parque têm uma relação simbiótica. Precisamos fortalecer ainda mais esse pertencimento, entendendo que o Parque é de uso comum a todos e que todos também têm responsabilidade pelo seu cuidado”, afirmou.

Aos 53 anos, o Parque Metropolitano de Pituaçu carrega as marcas de sua história, das transformações de Salvador e das inúmeras pessoas que fizeram e continuam fazendo parte de sua trajetória.

“Que as pessoas venham visitar o Parque, mas também venham olhar e respeitar o que existe aqui, para que possamos preservar esse patrimônio para as futuras gerações”, convida Bernadete.

Memórias de quem viu Pituaçu se transformar

Morador do entorno e funcionário do Parque de Pituaçu há 31 anos, Daniel Mendes, hoje líder de uma equipe de segurança, guarda na memória lembranças da infância e adolescência vividas no local. Entre elas está o antigo “Poço da Árvore”, onde ele e os amigos improvisavam um trampolim de madeira para se jogar na água. O acesso era feito nadando pela lagoa ou pela barragem, em aventuras que permanecem entre suas lembranças mais marcantes.

Daniel também acompanhou as mudanças na relação entre a comunidade e o parque. Quando menino, lembra que a lagoa fazia parte do cotidiano dos moradores, que tomavam banho, lavavam roupas e até preparavam alimentos no local. Com o tempo, as reformas e a proibição do banho fizeram com que algumas dessas tradições desaparecessem. “A lagoa pra gente era uma vida”, resume.

Hoje, ao olhar para o parque, Daniel destaca a fauna, a flora e o espelho d’água como elementos que precisam ser conhecidos e preservados. E pensa nas próximas gerações: “Eu queria muito que meu bisneto conhecesse esse parque.” Para ele, ter uma área verde de cerca de 400 hectares, com diferentes espécies de animais e vegetação, dentro de Salvador, é um patrimônio que merece ser valorizado.