A Bahia chega ao Dia Nacional do Cerrado, celebrado nesta sexta-feira (11), com uma redução de 27% na área sob alertas de desmatamento no bioma. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, foram registrados 534,94 km² sob alertas no estado, segundo dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É o menor volume anual registrado para a Bahia desde o início da série histórica, em 2017/2018.
O resultado representa uma redução de 197,69 km² em relação ao ciclo anterior, quando foram registrados 732,63 km². Os alertas são identificados por imagens de satélite e indicam possíveis alterações na cobertura vegetal. Eles ajudam a selecionar áreas que precisam de análise e podem orientar ações de fiscalização em campo, mas não representam, por si só, a confirmação de uma infração.
Na Bahia, o monitoramento por satélite é utilizado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) como apoio à fiscalização. Os alertas são combinados com imagens de maior resolução e informações cadastrais dos imóveis rurais, permitindo direcionar as equipes para áreas que precisam ser verificadas.
Um exemplo foi a Operação Mata do Guará, realizada em 2024, que utilizou informações de satélite para selecionar áreas de interesse em sete municípios do Cerrado, com mais de 3 mil hectares vistoriados. Em março de 2025, uma nova etapa, integrada à Águas do Oeste, também utilizou imagens de satélite e fiscalizou mais de 3 mil hectares em cinco municípios do bioma.
O Inema também utiliza ferramentas como MapBiomas Alerta, RedeMAIS e Harpia. Desde 2024, o Sistema Integrado de Fiscalização da Vegetação Nativa (SIFVN) reúne diferentes fontes de informação para apoiar o planejamento das ações.
Cerrado também é água
Na Bahia, o Cerrado ocupa cerca de um terço do território, principalmente na região Oeste, e tem relação direta com rios, nascentes e áreas de recarga de águas subterrâneas. Entre as regiões hidrográficas associadas ao bioma estão as bacias dos rios São Francisco, Corrente e Grande, além de áreas relacionadas ao Aquífero Urucuia.
Conservar o Cerrado, portanto, também significa proteger as águas. A recuperação de áreas degradadas, a conservação das matas ciliares e a proteção das Áreas de Preservação Permanente (APPs) contribuem para esse objetivo.
O bioma também abriga uma rica diversidade de espécies, como lobo-guará, tatu-canastra e seriema, além de plantas e frutos como pequi, baru e buriti. As Unidades de Conservação (UCs) são outra importante ferramenta de proteção desses ambientes.
Entre elas está a Estação Ecológica de Rio Preto, entre Formosa do Rio Preto e Santa Rita de Cássia. Criada em 2005, a unidade possui aproximadamente 4,5 mil hectares e protege uma área de transição com características do Cerrado, da Caatinga e da Floresta Estacional.
Prevenção e recuperação
A conservação do Cerrado inclui ainda a prevenção e o combate aos incêndios florestais. Na Bahia, o Programa Bahia Sem Fogo, coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema), reúne ações de prevenção, monitoramento e combate às queimadas, com participação do Inema e de outros órgãos.
A fiscalização e a prevenção de incêndios também integram o Pacto pelo Cerrado, iniciativa que reúne ações de monitoramento, combate ao desmatamento ilegal, educação ambiental e articulação entre instituições.
Outra frente é a recuperação da vegetação. Em 2025, a Sema e o Fundo Estadual de Recursos para o Meio Ambiente (FERFA) lançaram edital de R$ 5 milhões para apoiar projetos de recuperação da vegetação nativa do Cerrado, incluindo produção e plantio de mudas, recuperação de áreas degradadas e monitoramento.
A redução na área sob alertas é um dos indicadores do cenário atual do Cerrado baiano, mas o acompanhamento da Sema e do Inema permanecem necessário diante de desafios como incêndios florestais, expansão agropecuária e possíveis supressões irregulares de vegetação. Além da ligação com a conservação das águas, das nascentes, da biodiversidade e dos diferentes modos de vida presentes no território.