Comitê do Recôncavo Norte e Inhambupe debate impactos do El Niño e acompanha implementação do Plano de Bacia

Publicado: 16/09/2026 Última atualização: 05/10/2026 às 09:52
Comitê do Recôncavo Norte e Inhambupe debate impactos do El Niño e acompanha implementação do Plano de Bacia

Os possíveis impactos do El Niño sobre a Bahia e, especialmente, sobre as bacias hidrográficas do Recôncavo Norte e Inhambupe foram tema central da 119ª Reunião Plenária Ordinária do Comitê das Bacias Hidrográficas do Recôncavo Norte e Inhambupe (CBHRNI), realizada nesta quarta-feira (16), no Auditório Arara Azul, da Secretaria do Meio Ambiente (Sema). A plenária também discutiu o acompanhamento das metas do Plano de Bacia, a atuação das Câmaras Técnicas, o monitoramento dos recursos hídricos e a implementação da cobrança pelo uso da água.

A apresentação sobre o fenômeno climático foi conduzida, a convite do Comitê, pelo meteorologista e coordenador da Coordenação de Estudos do Clima e Previsão (COCEP) do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Aldírio Almeida. Segundo o meteorologista, o atual cenário do Oceano Pacífico aponta para a ocorrência de um El Niño de forte intensidade, com possibilidade de persistência até o final de 2026 e enfraquecimento gradual ao longo do primeiro semestre de 2027.

O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial, influencia os padrões de circulação atmosférica e pode alterar as condições de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. Na Bahia, conforme apresentado, uma das principais consequências esperadas é a redução das precipitações em parte do estado, acompanhada de temperaturas acima da média.

Para a região do Recôncavo Norte e Inhambupe, recorte solicitado pelo Comitê, Aldírio explica que os prognósticos apresentados indicam possibilidade de precipitações abaixo da média nos próximos trimestres, exigindo atenção para as condições da vegetação.

"O monitoramento já aponta que parte da região já apresenta condições de saúde da vegetação inferiores à média para o período, o que pode aumentar a vulnerabilidade à ocorrência de queimadas na presença de fogo. Mesmo sabendo que praticamente 99% dos incêndios têm origem em atividade humana, uma condição de vegetação pior, mais degradada, aumenta o risco. Na presença de fogo, pode se tornar um incêndio”, explicou Aldírio.

Preparação para os impactos

Durante os debates após a apresentação, representantes do Comitê questionaram sobre as medidas de preparação para o cenário previsto e sobre a disponibilidade de informações para acompanhamento permanente das condições climáticas e dos recursos hídricos.

Aldírio informou que o Governo do Estado já vem discutindo ações de enfrentamento por meio de um grupo coordenado pela Casa Civil, com participação de diferentes órgãos. "Entre as medidas em discussão estão a operação de carros-pipa, perfuração de poços, ações voltadas à alimentação animal e limpeza de aguadas. A articulação começou mais cedo neste ano, com reuniões iniciadas entre abril e maio, buscando justamente antecipar a preparação para possíveis impactos", destacou o coordenador do Inema.

O monitoramento das águas superficiais e subterrâneas também foi abordado pelos representantes do Comitê, que destacaram a importância do acompanhamento tanto da quantidade quanto da qualidade da água. Representantes do setor de abastecimento informaram que os principais reservatórios utilizados na Região Metropolitana de Salvador apresentam, neste momento, situação favorável e são acompanhados periodicamente.

Plano de Bacia entra em fase de acompanhamento

A plenária também acompanhou o andamento das 22 metas previstas no Plano de Recursos Hídricos das Bacias Hidrográficas do Recôncavo Norte e Inhambupe. Conforme apresentado, 11 já foram discutidas pelas Câmaras Técnicas, sete estão previstas para as próximas reuniões e quatro ainda não possuem data definida para discussão. Do total, dez metas têm responsabilidade atribuída ao Comitê e 12 estão relacionadas a ações sob responsabilidade do Inema.

A reunião marcou ainda a primeira vez em que as Câmaras Técnicas apresentaram à plenária um balanço sistematizado das atividades desenvolvidas ao longo de nove reuniões.

Para acompanhar as ações sob responsabilidade do Instituto, o Inema criou um grupo de trabalho específico para a implementação do Plano do Recôncavo Norte e Inhambupe. A iniciativa reúne representantes de diferentes áreas técnicas, como outorga, cadastro, fiscalização, licenciamento, unidades de conservação e monitoramento.

Na oportunidade, a coordenadora de Recursos Hídricos do Inema (CRHI), Maria do Carmo, afirmou que o grupo estruturou uma planilha de acompanhamento com os componentes, programas, metas e atividades estabelecidos no Plano, além das métricas de execução, responsáveis e prazos.

"A proposta é obter um retrato atualizado do estágio de cada ação dentro do Instituto, permitindo acompanhar gradualmente o cumprimento das métricas estabelecidas. O que a gente quer nesse momento é um retrato de como está cada setor do Inema relacionado àquele programa, àquela meta que está estabelecida no plano”, explicou Maria do Carmo.

O grupo realizou a quarta reunião nesta semana e deve apresentar, na última plenária do Comitê em 2026, um relatório sobre o andamento das metas relacionadas às áreas do Inema.

Câmaras Técnicas acompanham metas e ações

Durante a plenária, também foram apresentadas atividades desenvolvidas pelas Câmaras Técnicas de Planos e Projetos (CTPPP), de Outorga e Cobrança (CTOC