O Comitê Estadual de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais do Programa Bahia Sem Fogo se reuniu, nesta terça-feira (6), na Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema), para discutir as perspectivas climáticas para o período de El Niño 2026/2027 e os impactos esperados para o cenário de incêndios florestais no estado. A reunião também contou com a apresentação dos resultados da Fiscalização Integrada de Cicatrizes de Incêndios Florestais no Oeste da Bahia e das ações do Corpo de Bombeiros no combate e prevenção às ocorrências.
Presente na reunião, o gestor da pasta ambiental, Eduardo Sodré Martins, parabenizou a todos pelo trabalho que vem sendo realizado.
“Tenho acompanhado de perto as ações e recebido diariamente as atualizações e os dados sobre as ocorrências. Esse acompanhamento demonstra o resultado do trabalho integrado das equipes envolvidas. Precisamos continuar mobilizados e preparados, especialmente diante da tendência de agravamento do cenário nos próximos dias. Quero agradecer a todos que têm participado dos encontros e contribuído com informações e estratégias para o enfrentamento dos incêndios florestais. A presença constante das diferentes equipes e instituições nessas reuniões demonstra o compromisso e a integração necessários para que possamos avançar nas ações de prevenção e combate”, afirmou o secretário.
A Chefe de Gabinete da Sema e presidente do Comitê do Programa Bahia Sem Fogo, Daniella Fernandes, destacou o quão é importante acompanhar o fortalecimento e a integração das equipes que participam deste trabalho.
“Destaco também os resultados da última ação de fiscalização, realizada de forma integrada, com a participação do DPT e das demais equipes envolvidas. São iniciativas que demonstram a importância da atuação conjunta e contribuem diretamente para o alcance de resultados cada vez mais efetivos. Tenho grande satisfação em participar e contribuir com este programa. É justamente com o comprometimento e a articulação de todos que conseguimos avançar nas ações de prevenção e enfrentamento aos incêndios florestais”.
Ao falar sobre a Fiscalização Integrada de Cicatrizes de Incêndios Florestais no Oeste da Bahia, o diretor de Fiscalização do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Miguel Calmon, destacou que a operação representou um avanço importante pela atuação integrada entre o Instituto, Departamento de Polícia Técnica (DPT) e CIPPA Lençóis, especialmente na produção de elementos técnicos para subsidiar os processos de fiscalização.
Realizada entre 15 e 22 de setembro, a ação resultou na vistoria de 21 áreas, com a identificação de 11 possíveis desdobramentos, todos passíveis de encaminhamento ao Ministério Público. “Durante a operação, também foram apreendidas 30 toneladas de carvão vegetal, cerca de 1.200 sacos, sendo 800 armazenados em um galpão e 400 transportados em um caminhão. O condutor foi encaminhado à delegacia da Polícia Civil”, explicou Calmon.
A ação ocorreu nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras, Riachão das Neves e Formosa do Rio Preto, com foco nas áreas prioritárias definidas no plano de ação. Após as vistorias, as equipes permaneceram mais dois dias na unidade regional do Inema, em Barreiras, para consolidar as informações e avançar na documentação técnica dos processos. “Foi um sucesso do ponto de vista técnico e um avanço muito importante para as nossas ações”, acrescentou o diretor.
Segundo o coordenador de Meteorologia do Inema, Aldirio Almeida, a Bahia está sob influência de um El Niño forte, com mais de 90% de probabilidade de permanência entre outubro e dezembro. Para o estado, a previsão indica chuvas abaixo da média e temperaturas acima da média, cenário que exige atenção para o período de queimadas.
“Os próximos 10 dias serão bastante críticos, com previsão de pouca ou nenhuma chuva e temperaturas que podem chegar a 40, 41 e 42 graus, principalmente no oeste e na região do São Francisco. A expectativa é que as chuvas comecem a ocorrer entre os dias 16 e 17 de outubro. Até lá, precisamos manter uma atenção especial para a ocorrência e propagação dos incêndios florestais. Também estamos acompanhando os focos de calor, com maior concentração neste momento no sudoeste e no noroeste da Bahia”.
Na operação do Bahia Sem Fogo, o Corpo de Bombeiros conta atualmente com 192 militares, 44 viaturas e cinco bases de atuação distribuídas pelo estado. Desde o início de julho, já são 100 dias de operação, com ações de prevenção, monitoramento e combate aos incêndios florestais.
De acordo com o Major Serrão, o trabalho de investigação foi realizado pela corporação, com relatórios de ocorrência e relatórios de investigação de incêndios florestais, elaborados com base em metodologia de perícia adotada pelo Ibama. “Os documentos reúnem informações como coordenadas, histórico das ocorrências e, mais recentemente, mapas das cicatrizes de fogo, com o objetivo de subsidiar as ações dos órgãos ambientais e de segurança”.
O major também chamou atenção para a necessidade de fortalecer a participação dos municípios na prevenção e resposta aos incêndios florestais. Para ele, é preciso ampliar a articulação com as prefeituras e estimular a elaboração de planos de contingência, além de garantir estrutura e equipes preparadas para atuar nas ocorrências.
Criado em 2010 e coordenado pela Sema, o Programa Bahia Sem Fogo reúne o Inema, o Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, a Superintendência de Proteção e Defesa Civil (Sudec), a Casa Militar do Governador, além de secretarias estaduais e instituições parceiras. O programa atua de forma integrada nas ações de prevenção, monitoramento e combate aos incêndios florestais na Bahia.