O segundo dia da 3ª Conferência Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (CEDRSS), realizado nesta quinta-feira (29), foi dedicado ao aprofundamento dos debates sobre os cinco eixos temáticos que orientam a conferência. Delegados e delegadas dos 27 territórios de identidade da Bahia se organizaram em grupos de trabalho para discutir os principais desafios, reunir propostas e construir diretrizes que vão orientar as políticas públicas voltadas ao rural baiano.
A dinâmica dos trabalhos foi organizada a partir de cinco eixos temáticos, que orientaram os debates entre os territórios, reunindo diferentes realidades e experiências em torno de temas como emergência climática, agroecologia, acesso à terra e à água, direitos sociais e o papel das políticas públicas para o rural.
Para a coordenadora estadual da Frente de Trabalhadores Livres (FTL) e representante do Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável (CEDRS), Soraya Luiza, a “discussão dos eixos é fundamental para qualificar as nossas demandas. É um debate bastante participativo, com a contribuição de vários territórios. Somos nós que vivenciamos o dia a dia no campo e conhecemos de perto os gargalos de cada tema apresentado.”
A coordenadora ainda completou, destacando a importância da escuta dos territórios na formulação das políticas públicas: “É a partir dessa escuta e dessa construção coletiva que conseguimos pensar políticas públicas mais qualificadas, com o objetivo de garantir alimento saudável na mesa e trilhar um caminho de desenvolvimento rural mais justo para todos”.
Já o secretário de Desenvolvimento Rural, Osni Cardoso, destaca o papel central dos eixos temáticos no direcionamento de políticas públicas no Estado. “Os eixos organizam o diálogo e ajudam a transformar as demandas em propostas. A partir desse exercício coletivo, elaboramos políticas mais integradas, capazes de enfrentar a emergência climática, fortalecer a agroecologia, garantir direitos e promover um desenvolvimento rural que dialogue com a realidade de cada território da Bahia e que também possam ser aplicadas nacionalmente ”, afirmou.
Bahia inicia 3ª Conferência Estadual de Desenvolvimento Rural com foco em ampliar a participação social nas discussões sobre o futuro do campo
A 3ª Conferência Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (CEDRSS) foi iniciada, nesta quarta-feira (28), em Feira de Santana. A abertura aconteceu no Centro de Convenções e marcou o começo de três dias de debates e construção coletiva sobre os rumos das políticas públicas voltadas ao rural baiano.
Organizada pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e pelo Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável (CEDRS), a conferência reúne 392 delegados e delegadas territoriais, além de organizações sociais, gestores públicos e representantes da agricultura familiar baiana, que participam com a missão de consolidar as propostas construídas nas etapas municipais e territoriais e transformá-las em diretrizes estaduais.
Foto: Ítalo Oliveira
Com a presença de 600 participantes discutindo o tema “Brasil Rural: Raiz da Vida, Fonte do Bem Viver”, a programação inclui painéis, rodas de diálogo, oficinas temáticas e espaços de participação social, com debates que giram em torno de temas como agroecologia, segurança e soberania alimentar, inovação e fortalecimento das políticas públicas para o desenvolvimento rural.
A relevância da 3ª CEDRSS é reforçada pela voz dos delegados territoriais. Para o secretário de Agricultura de Angical e delegado da Bacia do Rio Grande, Gilmar Nascimento da Paixão, “é um evento importante pela grandeza que é a agricultura familiar da Bahia, principalmente em relação ao desenvolvimento de agroindústrias, além do debate sobre a produção agroecológica para a Bahia e o Brasil”.
Durante a abertura, o governador Jerônimo Rodrigues lembrou que a organização da agricultura familiar é fruto de uma construção feita pelos próprios trabalhadores e trabalhadoras do campo, a partir da necessidade de romper com a exclusão histórica: “A gente foi entendendo que era preciso entrar no comércio, criando as cooperativas. Fomos nós que inventamos isso. Não tinha esse negócio de agricultura familiar. Era pequeno agricultor, era um preconceito para a gente se sentir pequeno até no nome. Tudo o que fizeram até então era para deixar a gente no canto da gente. Hoje, nós não somos mais sobreviventes. Nós queremos um lugar de direito nosso”.
Foto: Ítalo Oliveira
Para o secretário de Desenvolvimento Rural, Osni Cardoso, a conferência “já começou mostrando a força da participação social e a maturidade do debate nos territórios. Nossa expectativa é que esses dias de diálogo resultem em prioridades claras, capazes de orientar políticas públicas mais integradas, enfrentar a emergência climática, fortalecer a produção de alimentos saudáveis e garantir mais direitos para quem vive e trabalha no campo. É daqui que sai um caminho político consistente para o futuro do rural na Bahia”, afirmou.
O encontro, que segue até o dia 30 de janeiro, se consolida como um espaço estratégico de diálogo e construção coletiva, reunindo diferentes vozes do campo para elaborar propostas que irão orientar as políticas estaduais e representar a Bahia na etapa nacional, prevista para março de 2026.
Mais investimento
Ainda durante a abertura da conferência, o Governo do Estado autorizou a 2ª Chamada Pública Centralizada Da Agricultura Familiar, destinando R$52 milhões à aquisição de alimentos de empreendimentos rurais para abastecer as unidades escolares da capital e do interior da Bahia. A iniciativa fortalece a comercialização da produção do campo, ampliando a renda das famílias agricultoras e garantindo alimentos de qualidade na rede pública de ensino.